Itália

Clube a clube, este é o Guia Calciopédia da Serie A 2021/22

A temporada terá a volta do público aos estádios e, no Brasil, mudanças nas transmissões das partidas

Este guia foi inicialmente publicado na Calciopédia. Confira toda a cobertura fantástica que eles fazem do futebol italiano clicando aqui.

Neste sábado, a Serie A volta a animar os apaixonados pelo futebol italiano e a edição 2021/22 do torneio traz consigo alguns retornos – inclusive para os brasileiros. Os moradores da Velha Bota viverão o mais importante deles: a volta do público aos estádios; nós, no Brasil, acompanharemos mudanças nas transmissões das partidas.

Depois de reuniões com representantes da liga, o governo da Itália permitiu que instalações ao ar livre recebam até 50% de sua capacidade de público, desde que estejam localizadas em regiões classificadas como “zonas brancas”, com baixo risco de agravamento da situação epidemiológica referente à Covid-19 – até o fechamento do guia, todo o território do país, com 57,5% de sua população inteiramente imunizada, se encaixa no quesito. Os torcedores serão acomodados com distanciamento de pelo menos 1 metro, numa disposição que visará evitar aglomerações, e deverão utilizar máscaras em todos os ambientes dos estádios.

Só poderá entrar nas praças esportivas quem tiver uma certificação, na forma de QR code, dada exclusivamente pelas autoridades sanitárias e acessada através de um aplicativo. Terão direito a este passe os vacinados pelo menos com a primeira dose nos últimos nove meses, aqueles que apresentarem um teste RT-PCR negativo feito há até 48 horas do jogo e pessoas recuperadas da Covid-19 nos seis meses anteriores. Nos portões de acesso, a fiscalização será feita por stewards.

Outro retorno importante é o do favoritismo da Juventus, comandada pelo velho conhecido Massimiliano Allegri. A Inter ganhou o último scudetto e ainda tem um elenco gabaritado, mas inicia um novo ciclo e com um time enfraquecido em relação ao da temporada anterior. Melhor para Milan, Roma e Napoli, que ganharam fôlego e podem competir de forma mais expressiva com as rivais. Atalanta e Lazio continuam fortes e estão à espreita.

Até o fechamento do nosso guia, 31 jogadores brasileiros estão aptos para disputar esta edição do Campeonato Italiano, considerando também aqueles que têm dupla nacionalidade – 11 a menos que duas temporadas atrás. Os jogadores do nosso país estão distribuídos em 16 times, ficando ausentes apenas dos elencos de Empoli, Inter, Milan e Salernitana. Juventus, Lazio e Udinese são a equipes com mais representantes canarinhos, com quatro cada.

No Brasil, a Serie A volta a ter a transmissão dos canais ESPN e Fox Sports, que a exibiram em outras ocasiões. No streaming, o amante do futebol da Bota poderá acompanhar o campeonato através do Star+, do grupo Disney, e de sites de apostas, como o Bet365 – saiba todos os detalhes sobre transmissões aqui.

E confira

Atalanta

Gasperini, técnico da Atalanta (Foto: Getty Images)

Cidade: Bérgamo (Lombardia)
Estádio: Gewiss Stadium (24.950 lugares)
Fundação: 1907
Apelidos: Nerazzurri, La Dea, Orobici
Principais rivais: Brescia, Inter e Milan
Participações na Serie A: 61
Títulos: nenhum (melhor desempenho: 3ª colocação)
Na última temporada: 3ª posição
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Brasileiros no elenco: Rafael Tolói
Técnico: Gian Piero Gasperini (6ª temporada)
Destaque: Duván Zapata
Fique de olho: Alessandro Cortinovis
Principais chegadas: Juan Musso (g, Udinese), Merih Demiral (z, Juventus) e Matteo Lovato (z, Verona)
Principais saídas: Pierluigi Gollini (g, Tottenham), Cristian Romero (z, Tottenham) e Mattia Caldara (z, Venezia)
Time-base (3-4-2-1): Musso; Rafael Toloi, Demiral, Djimsiti (Lovato); Maehle (Hateboer), De Roon, Freuler, Gosens; Pessina, Malinovskyi (Ilicic); Zapata (Muriel).

Entra ano, sai ano e o maior craque da Atalanta continua em seu banco de reservas: é Gasperini, técnico que há mais tempo está empregado na Serie A. Em 2021-22, ele terá à disposição um elenco de nível bastante similar ao da campanha anterior, mas dois possíveis transtornos para administrar. O primeiro é a possível saída de Zapata até o fim da janela de transferências; o outro é lidar com Ilicic, em caso de permanência do esloveno. O meia-atacante tem enfrentado problemas particulares nos últimos meses e, por isso, encontra dificuldades de se motivar.

Para a tranquilidade de Gasp e da torcida bergamasca, porém, a Dea consegue encontrar muitas saídas através de seu jogo coletivo e enxerga um interessante potencial de crescimento. Afinal, Maehle e Pessina retornaram embalados por desempenhos expressivos na Euro e podem deixar de lado os postos de coadjuvantes para assumirem maior protagonismo no elenco. São grandes, também, as expectativas sobre Musso, Demiral e Lovato.

Além da linha auxiliar que ajuda a fórmula coletivista nerazzurra a funcionar, a equipe ainda conta com as suas garantias. Rafael Tolói, seu capitão, vive a melhor fase da carreira e será importantíssimo para que Demiral e Lovato cresçam em Bérgamo, ao passo que Gosens, Malinovskyi e Muriel já mostraram o quão decisivos podem ser. Será difícil, como sempre, mas Gasperini tem grandes possibilidades de, pela quinta vez em seis temporadas, fazer a Atalanta terminar o Campeonato Italiano no G4.

Bologna

Mihajlovic, técnico do Bologna (Foto: Imago / One Football)

Cidade: Bolonha (Emília-Romanha)
Estádio: Renato Dall’Ara (36.462 lugares)
Fundação: 1909
Apelidos: Rossoblù, Felsinei, Petroniani, Veltri
Principais rivais: Cesena e Fiorentina
Participações na Serie A: 75
Títulos: 7
Na última temporada: 12ª posição
Objetivo: meio da tabela
Brasileiros no elenco: Emanuel Vignato
Técnico: Sinisa Mihajlovic (4ª temporada)
Destaque: Musa Barrow
Fique de olho: Gianmarco Cangiano
Principais chegadas: Marko Arnautovic (a, Shangai Port), Kevin Bonifazi (z, Udinese) e Sydney van Hooijdonk (a, NAC Breda)
Principais saídas: Rodrigo Palacio (a, Brescia), Danilo (z, sem clube) e Andrea Poli (m, Antalyaspor)
Time-base (4-2-3-1): Skorupski; Tomiyasu (De Silvestri), Bonifazi, Soumaoro, Dijks; Schouten, Svanberg; Orsolini, Soriano, Barrow; Arnautovic.

A temporada de 2021-22 será uma espécie de batismo de fogo para alguns jovens jogadores do Bologna. Eles terão de amadurecer na marra, visto que Danilo, Poli e Palacio, algumas das maiores referências de liderança do elenco deixaram a Emília-Romanha. O plantel tem alguns atletas experientes, como De Silvestri, Medel, Soriano e Arnautovic, mas os ótimos Tomiyasu, Svanberg, Vignato, Orsolini e Barrow terão de se impor nos momentos mais complicados de forma ainda mais corriqueira.

O ambiente bolonhês não oferecerá tanta pressão para estes jovens, apesar da precoce eliminação do time na Coppa Italia, frente à Ternana. Afinal, assim como em ocasiões anteriores, o Bologna não deverá encontrar tantas dificuldades para se manter a uma distância segura da briga contra o rebaixamento. O quão tranquila será a trajetória rossoblù dependerá, em grande parte, da volta de Orsolini à sua melhor forma, do prosseguimento da constante evolução de Barrow e, por fim, da adaptação do bad boy Arnautovic, que retorna à Itália após 11 anos.

Outro condicionante para o sucesso da campanha dos veltri é o desempenho da defesa, que não se acerta desde 2019. É provável que Mihajlovic volte a utilizar Tomiyasu como lateral direito, na expectativa de fechar mais o setor, enquanto Bonifazi foi contratado para suprir a ausência de Danilo e acrescentar viço à retaguarda rossoblù. É inverossímil, porém, que o treinador sérvio seja capaz de resolver o problema tendo, à sua disposição, jogadores inseguros como Soumaoro, Denswil e Dijks – e os jovens britânicos Binks e Hickey como opções de banco.

Cagliari

João Pedro, do Cagliari (Enrico Locci/Getty Images/OneFootball)

Cidade: Cagliari (Sardenha)
Estádio: Unipol Domus (16.416 lugares)
Fundação: 1920
Apelidos: Rossoblù, Casteddu, Isolani
Principais rivais: Torres
Participações na Serie A: 42
Títulos: 1
Na última temporada: 16ª posição
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: João Pedro e Dalbert
Técnico: Leonardo Semplici (2ª temporada)
Destaque: João Pedro
Fique de olho: Adam Obert
Principais chegadas: Kevin Strootman (m, Genoa), Dalbert (le, Rennes) e Boris Radunovic (g, Cremonese)
Principais saídas: Radja Nainggolan (m, Royal Antwerp), Daniele Rugani (z, Juventus) e Alfred Duncan (v, Fiorentina)
Time-base (3-5-2): Cragno; Ceppitelli, Godín, Carboni (Walukiewicz); Nández, Strootman, Deiola, Marin, Lykogiannis; João Pedro, Pavoletti (Simeone).

A rebatizada Sardegna Arena – agora, por conta de naming rights, Unipol Domus – deverá receber torcedores bastante tensos por mais um campeonato. Porém, dessa vez os apoiadores do Cagliari não estarão iludidos pela promessa de tentar abocanhar algo a mais na Serie A. Escapar do rebaixamento será suficiente para os casteddu.

Nesse sentido, a manutenção do esforçado técnico Semplici, que comandou a heroica arrancada dos sardos na reta final da última temporada, é um acerto do presidente Giulini. O treinador sabe montar times reativos e eficientes para brigar na parte de baixo da tabela, e já mostrou capacidade para fazer o Cagliari se acertar dentro de uma proposta mais modesta.

Semplici, João Pedro e companhia, porém, terão de driblar mais uma séria lesão de Rog e a saída de muitos jogadores experientes, como Rugani, Nainggolan, Duncan, Asamoah e Klavan – e Nández também pode deixar a Sardenha até o fim da janela de transferências. Dalbert e Strootman, únicos reforços relevantes deste verão, ganharão destaque no time, mas nada será mais necessário para o Cagliari do que focar em suas carências e manter o espírito guerreiro de 2020-21, que lhe fez somar pontos improváveis.

Empoli

 

Cutrone, esperança de gols do Empoli (Foto: Imago/One Football)

Cidade: Empoli (Toscana)
Estádio: Carlo Castellani (16.284 lugares)
Fundação: 1920
Apelido: Azzurri
Principais rivais: Fiorentina, Pisa, Siena, Pistoiese e Lucchese
Participações na Serie A: 13
Títulos: nenhum (melhor desempenho: 7ª colocação)
Na última temporada: campeão da Serie B (promovido)
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: nenhum
Técnico: Aurelio Andreazzoli (1ª temporada)
Destaque: Nedim Bajrami
Fique de olho: Samuele Ricci
Principais chegadas: Patrick Cutrone (a, Valencia), Petar Stojanovic (ld, Dinamo Zagreb) e Ardian Ismajli (z, Spezia)
Principais saídas: Dimitrios Nikolaou (z, Spezia), Ryder Matos (a, Udinese) e Nicolò Casale (z, Verona)
Time-base (4-3-1-2): Vicario (Brignoli); Stojanovic, Ismajli, Romagnoli (Luperto), Marchizza; Ricci, Stulac, Zurkowski (Haas); Bajrami; Mancuso, Cutrone.

Campeão da última Serie B com uma liderança quase de ponta a ponta, o Empoli terá uma nova realidade em 2021-22. O time toscano teve de se separar do técnico Dionisi, contratado pelo Sassuolo, e repatriou Andreazzoli, vovô da elite, com 67 anos. O treinador retorna aos azzurri, com os quais já havia vencido a segundona em outra temporada, para conseguir completar uma missão que, por 10 minutos e um gol, não obteve em 2019: salvá-los do rebaixamento.

Assim como no fatídico 2018-19, ano em que o rebaixado Empoli mostrou um bom futebol, o elenco tem vários jogadores jovens e de elevado potencial – sendo o recém-contratado Cutrone o mais conhecido deles. Vale ficar de olho no cerebral Ricci e no hiperativo Bajrami, que foi o grande nome da campanha azzurra na última Serie B e, não à toa, veste a camisa 10. Atenções voltadas também para Mancuso, que é conhecido como goleador na segundona e, aos 29 anos, terá a primeira experiência na elite. É importante salientar que Caputo tinha uma trajetória muito semelhante à do número 7 e se valorizou justamente com Andreazzoli, no próprio clube toscano.

O Empoli manteve quase todos os protagonistas de sua excelente campanha na Serie B, na qual teve o melhor ataque e ficou invicto em casa. Obviamente, a elite pede um salto de qualidade, mas o plantel azzurro demonstrou condições de conseguir render a contento e brigar pela permanência, principalmente incentivado pela volta da torcida aos estádios. Não será exatamente uma surpresa se o segundo principal time da província de Florença se mantiver na primeira divisão.

Fiorentina

Vlahovic, da Fiorentina (Foto: Getty Images)

Cidade: Florença (Toscana)
Estádio: Artemio Franchi (43.147 lugares)
Fundação: 1926
Apelidos: Viola, Gigliati
Principais rivais: Juventus, Roma e Bologna
Participações na Serie A: 85
Títulos: 2
Na última temporada: 13ª posição
Objetivo: meio da tabela
Brasileiros no elenco: Igor Júlio
Técnico: Vincenzo Italiano (1ª temporada)
Destaque: Dusan Vlahovic
Fique de olho: MYoussef Maleh
Principais chegadas: Nicolás González (mat, Stuttgart), Pol Lirola (ld, Marseille) e Youssef Maleh (m, Venezia)
Principais saídas: Franck Ribéry (mat, sem clube), Martín Cáceres (z, sem clube) e Germán Pezzella (z, Betis)
Time-base (4-3-3): Dragowski; Lirola, Milenkovic, Martínez Quarta, Biraghi; Bonaventura (Maleh), Pulgar (Amrabat), Castrovilli; González, Vlahovic, Sottil.

Por enquanto, Vlahovic fica. E, por incrível que pareça, a permanência do sérvio pode significar muito pouco para o destino da Fiorentina em 2021-22: a equipe se colocou numa espécie de limbo, em que aparenta estar muito distante de brigar por vagas em competições europeias e também acima das agremiações que lutarão para não caírem. O meio da tabela seria um resultado modesto para o projeto do presidente Commisso – de novo.

A temporada violeta será de confirmações. Além de Vlahovic, que almeja repetir o ótimo desempenho na última Serie A e, quem sabe, até superar a marca de 21 gols anotados, o técnico Italiano também visa consolidar o que mostrou no pequenino Spezia. Se conseguir transmitir aos novos comandados o que trabalhou na Ligúria, veremos uma Fiorentina muito intensa, aguerrida, coletiva e sem medo de atacar. Residem nessas duas ratificações as chances de os gigliati poderem se inserir, correndo bem por fora, na disputa por uma vaga na Liga Europa ou na Conference League.

Italiano trabalhará com um elenco de perfil ligeiramente modificado em relação ao da última campanha: saem os experientes Cáceres, Pezzella, Valero e Ribéry, e entram os jovens González e Maleh, que se juntam a outros jogadores de idade igual ou inferior a 27 anos, como Dragowski, Milenkovic, Martínez Quarta, Amrabat, Castrovilli e o próprio Vlahovic. É um time de grande futuro, mas os torcedores se perguntam: quando a Fiorentina transformará o seu presente?

Genoa

Pandev comemora o gol do Genoa (Foto: Getty Images)

Cidade: Gênova (Ligúria)
Estádio: Luigi Ferraris (36.599 lugares)
Fundação: 1893
Apelidos: Grifone, Grifo, Rossoblù, Vecchio Balordo
Principal rival: Sampdoria
Participações na Serie A: 55
Títulos: 9
Na última temporada: 11ª posição
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: Jandrei e Hernani
Técnico: Davide Ballardini (2ª temporada)
Destaque: Goran Pandev
Fique de olho: Yayah Kallon
Principais chegadas: Salvatore Sirigu (g, Torino), Hernani (m, Parma) e Zinho Vanheusden (z, Standard Liège)
Principais saídas: Mattia Perin (g, Juventus), Davide Zappacosta (ld, Chelsea) e Eldor Shomurodov (a, Roma)
Time-base (3-5-2): Sirigu; Vanheusden (Masiello), Radovanovic (Bani), Criscito (Vásquez); Ghiglione, Hernani, Badelj, Rovella, Czyborra; Ekuban (Agudelo), Destro (Pandev).

Por anos a fio, o Genoa precisou de bombeiros para apagar o incêndio que se formaria caso o time fosse rebaixado. Geralmente, o profissional que debelava este foco não costumava permanecer para a campanha seguinte, mas Ballardini foi capaz de se manter no cargo em 2018 e em 2021. Dessa vez, porém, ele terá uma missão mais complicada e dificilmente conseguirá repetir o bom início de temporada em 2018-19, quando somou 12 pontos em oito rodadas e acabou demitido de forma inexplicável.

O Genoa começa a Serie A com 11 saídas importantes, entre as quais as de Perin, Zappacosta, Pellegrini, Zapata, Strootman, Zajc, Shomurodov e Scamacca, que deixam o elenco muito modificado – e potencialmente enfraquecido em relação a 2020-21. Os reforços não chegam a ser absolutamente questionáveis, mas precisam provar que podem manter o bom nível mostrado por seus antecessores. Até mesmo Sirigu, que é um grande goleiro, vem de momentos turbulentos no Torino e precisa dar a volta por cima.

A partir desse contexto é que surge o grande questionamento: o intempestivo presidente Preziosi dará tempo para que o time se encaixe, caso seja necessário? O Genoa até pode vir a fazer um campeonato mais tranquilo do que o habitual, mas, como sempre, corre o risco de ser vítima de fogo amigo, tendo o seu dono como piromaníaco responsável pelo desastre.

Internazionale

Lautaro Martínez comemora seu gol pela Inter (Reprodução/Inter.it)

Cidade: Milão (Lombardia)
Estádio: Giuseppe Meazza (78.275 lugares)
Fundação: 1908
Apelidos: Nerazzurri, Beneamata, Biscione
Principais rivais: Milan e Juventus
Participações na Serie A: 90
Títulos: 19
Na última temporada: campeã
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Brasileiros no elenco: nenhum
Técnico: Simone Inzaghi (1ª temporada)
Destaque: Lautaro Martínez
Fique de olho: Martín Satriano
Principais chegadas: Edin Dzeko (a, Roma), Hakan Çalhanoglu (mat, Milan) e Denzel Dumfries (ld, PSV Eindhoven)
Principais saídas: Romelu Lukaku (a, Chelsea), Achraf Hakimi (ld, Paris Saint-Germain) e Ashley Young (le, Aston Villa)
Time-base (3-5-2): Handanovic; Skriniar, De Vrij, Bastoni; Dumfries, Barella, Brozovic, Çalhanoglu, Perisic (Dimarco); Dzeko, Martínez.

A Inter de 2021-22 protagoniza feitos inéditos na história do Campeonato Italiano. Nunca uma equipe recém-campeã nacional na Velha Bota havia se desfeito de seu técnico e de seu principal jogador – além de outra estrela do elenco – em início de um ciclo, logo após conquistar o título da Serie A. Em fato raro, o time que estampa o scudetto em seu peito abdicou de defendê-lo com unhas e dentes: conquistar uma vaga na Champions League é suficiente para os proprietários do clube. Aliás, este foi o único sinal claro enviado pela família Zhang nos últimos meses. Mostrando que transparência na gestão e comunicação com a torcida não são suas prioridades, os chineses não se pronunciaram sobre a venda de Lukaku, a saúde financeira da agremiação e os seus planos para ela no futuro.

Por mais que o grupo continue a ter um bom nível, estes são fatos simbolicamente fortes o bastante para fazer as estruturas interistas se abalarem. A equipe atravessa uma crise de identidade – evidenciada por uniformes que não condizem com a sua história – e precisará suar muito em campo para superar as desconfianças. Em seu primeiro trabalho numa gigante, Simone Inzaghi lidará com uma sombra muito grande e terá algumas tarefas-chave para executar. De cara, fazer com que as garantias do time (Barella e o trio de zagueiros) continuem a exercer sua soberania; Dumfries praticar futebol em padrão similar ao de Hakimi; Çalhanoglu render ao máximo; e Lautaro se tornar o goleador que Lukaku foi. Ao que tudo indica, o argentino se tornará a referência dos nerazzurri, que terão Dzeko como alternativa.

Caso os jogadores nerazzurri mantenham os níveis de motivação e de confiança apresentados em 2020-21, em que pese o redimensionamento de expectativas, a Beneamata terá mais chances de prosseguir no grupo de classificados para a Liga dos Campeões e, quem sabe, brigar novamente pelo scudetto. Se isso não ocorrer, os interistas verão o seu posto na parte alta da tabela ameaçado pelos rivais, que chegam mais fortalecidos a esta Serie A.

Juventus

Massimiliano Allegri está de volta à Juventus (Divulgação/Juventus)

Cidade: Turim (Piemonte)
Estádio: Allianz Stadium (41.507 lugares)
Fundação: 1897
Apelidos: Bianconeri, Zebras e Velha Senhora
Principais rivais: Torino e Inter
Participações na Serie A: 89
Títulos: 36
Na última temporada: 4ª posição
Objetivo: título
Brasileiros no elenco: Alex Sandro, Danilo, Arthur e Kaio Jorge
Técnico: Massimiliano Allegri (1ª temporada)
Destaque: Cristiano Ronaldo
Fique de olho: Radu Dragusin
Principais chegadas: Manuel Locatelli (m, Sassuolo), Kaio Jorge (a, Santos) e Mattia Perin (g, Genoa)
Principais saídas: Gianluigi Buffon (g, Parma), Merih Demiral (z, Atalanta) e Gianluca Frabotta (le, Verona)
Time-base (4-2-3-1): Szczesny; Cuadrado (Danilo), Bonucci, De Ligt (Chiellini), Alex Sandro; Bentancur (McKennie), Locatelli, Ramsey (Bernardeschi); Chiesa (Kulusevski), Dybala (Morata), Ronaldo.

Que a Juventus voltou a ser a grande favorita ao scudetto pouca gente discute. O nível de seu favoritismo, porém, dependerá do quanto Allegri, Ronaldo e companhia se dedicarão ao torneio, considerando que o título da Champions League vinha sendo a prioridade da casa e parece mais distante devido à formação de alguns supertimes concorrentes em outros países.

A Juve chega em 2021-22 com o hexacampeão Allegri (maior vencedor da Serie A em atividade no campeonato) e o artilheiro Ronaldo, além de um Chiesa em alta após excelente Euro e o neófito Locatelli na qualidade de melhor contratação da temporada italiana. Estes já seriam requisitos suficientes para apontar a Velha Senhora como franca favorita, mas a profundidade do elenco ainda joga a favor dos bianconeri. Assim como em sua passagem anterior, Max deverá executar um frequente rodízio e mexer na estrutura tática da equipe várias vezes a cada rodada e dentro de uma mesma partida.

As incógnitas representadas por Pirlo foram afastadas e mesmo o meio-campo da Juventus, criticado pela falta de criatividade, pode renascer. Além de Locatelli melhorar substancialmente o setor, ainda que não seja um criador de ofício, vale destacar que Bentancur viveu os seus melhores momentos sob o comando de Allegri e espera recuperar o futebol mostrado anteriormente.

Lazio

Sarri, novo técnico da Lazio (Foto: Imago/One Football)

Cidade: Roma (Lácio)
Estádio: Olímpico (70.634 lugares)
Fundação: 1900
Apelidos: Capitolinos, Biancocelesti, Biancazzurri, Aquile, Aquilotti
Principal rival: Roma
Participações na Serie A: 79
Títulos: 2
Na última temporada: 6ª posição
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Brasileiros no elenco: Luiz Felipe, Lucas Leiva, Felipe Anderson e André Anderson
Técnico: Maurizio Sarri (1ª temporada)
Destaque: Ciro Immobile
Fique de olho: Luka Romero
Principais chegadas: Felipe Anderson (mat, West Ham), Pedro (a, Roma) e Elseid Hysaj (ld, Napoli)
Principais saídas: Senad Lulic (le, sem clube), Marco Parolo (m, encerrou carreira) e Andreas Pereira (m, Flamengo)
Time-base (4-3-3): Reina; Marusic (Lazzari), Luiz Felipe, Acerbi, Hysaj; Milinkovic-Savic, Lucas Leiva, Luis Alberto; Pedro (Felipe Anderson), Immobile, Correa.

Uma grande ideia que tem tudo para dar errado? Sem dúvidas, Sarri é um excelente técnico e tem material humano para trabalhar na Lazio. Mas isso não significa que a temporada celeste será um mar de rosas. O treinador terá desafios táticos e também nos bastidores para que os capitolinos possam encantar o mundo com o seu futebol.

A personalidade forte de Sarri, que é assumidamente esquerdista, pode vir a gerar atritos consideráveis com o genioso Lotito e também com os muitos grupos de ultras aquilotti que professam uma visão de mundo antagônica à do treinador. Na pré-temporada, Hysaj, um bruxinho do comandante, já foi contestado por cantar um hino antifascista. Em outros momentos, o time capitolino já viu problemas de rendimento se acentuarem por conta de pressões extracampo.

Além disso, o técnico napolitano terá de transformar os mecanismos da equipe, acostumada a um 3-5-2 que punha Immobile sempre em profundidade, e adaptá-la a seu 4-3-3 de posses longas e toques rápidos. Ciro, Luis Alberto e Milinkovic-Savic não devem encontrar problemas nisso, mas o mesmo não pode ser dito de forma tão taxativa quanto a outros jogadores do elenco. Por exemplo, ainda há muitas dúvidas sobre a adaptação de Lazzari, um ala, a um novo posicionamento numa linha de quatro defensores.

Milan

Mike Maignan, ex-Lille, assinou com o Milan para o lugar de Donnarumma (Divulgação)

Cidade: Milão (Lombardia)
Estádio: Giuseppe Meazza (78.275 lugares)
Fundação: 1899
Apelidos: Rossoneri, Diavolo
Principais rivais: Inter e Juventus
Participações na Serie A: 88
Títulos: 18
Na última temporada: 2ª posição
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Brasileiros no elenco: nenhum
Técnico: Stefano Pioli (3ª temporada)
Destaque: Franck Kessié
Fique de olho: Alessandro Plizzari
Principais chegadas: Mike Maignan (g, Lille), Olivier Giroud (a, Chelsea) e Fodé Ballo-Touré (le, Monaco)
Principais saídas: Gianluigi Donnarumma (g, Paris Saint-Germain), Diogo Dalot (ld, Manchester United) e Jens Petter Hauge (a, Eintracht Frankfurt)
Time-base (4-2-3-1): Maignan; Calabria, Kjaer, Tomori (Romagnoli), Hernandez; Bennacer, Kessié; Saelemekers, Díaz, Rebic (Rafael Leão); Giroud (Ibrahimovic).

De volta à Champions League, o Milan quer se reacostumar com a presença constante no grupo de times classificados à maior competição de clubes do continente. Há de se convir que este plano começou mal, pela saída gratuita de Donnarumma, melhor goleiro da Euro, rumo ao PSG. Maignan é uma reposição de alto nível, mas ainda precisa se adaptar a uma nova equipe, um novo campeonato e uma nova cultura, o que lança alguma incerteza a um posto em que Gigio era soberano. Apesar disso, o francês só terá garantias à sua frente: na linha de zaga e na volância, todos os jogadores do onze ideal rossonero são peças consolidadas.

Tendo Kjaer e Tomori no centro da zaga, com Romagnoli entre as alternativas, o Milan brigará firmemente pelo posto de melhor defesa da Itália, tal qual a possante dupla formada por Bennacer e Kessié no meio-campo. A iminente chegada de Florenzi também permite que o time de Pioli conte com mais pujança pelos flancos, onde o jovem Calabria cresceu e Hernandez é devastador. Estas peças se manterão como pilares do Diavolo.

Por sua vez, a capacidade de fazer gols de Giroud e Ibrahimovic não está em questão, mas as suas condições físicas poderão pesar durante a campanha e não seria estranho ver Rebic ou Rafael Leão comandando o ataque rossonero em algumas partidas. Parte considerável do desempenho dos veteranos dependerá da consolidação do novo camisa 10 milanista: Díaz vem de grande temporada, mas tem um perfil menos articulador do que o de Çalhanoglu, o que fará Kessié e Bennacer participarem ainda mais da fase ofensiva. Dúvidas à parte, o Milan conta com um horizonte positivo de trabalho.

Napoli

Lorenzo Insigne, do Napoli (Imago / OneFootball)

Cidade: Nápoles (Campânia)
Estádio: Diego Armando Maradona (54.726 lugares)
Fundação: 1926
Apelidos: Azzurri, Partenopei
Principais rivais: Verona, Juventus, Inter e Milan
Participações na Serie A: 76
Títulos: 2
Na última temporada: 5ª posição
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Brasileiros no elenco: Juan Jesus
Técnico: Luciano Spalletti (1ª temporada)
Destaque: Lorenzo Insigne
Fique de olho: Gianluca Gaetano
Principais chegadas: Juan Jesus (z, Roma), Kévin Malcuit (ld, Fiorentina) e Adam Ounas (a, Crotone)
Principais saídas: Tiémoué Bakayoko (v, Chelsea), Elseid Hysaj (ld, Lazio) e Nikola Maksimovic (z, sem clube)
Time-base (4-2-3-1): Meret (Ospina); Di Lorenzo, Manolas, Koulibaly, Mário Rui; Demme, Ruiz; Lozano (Politano), Zielinski, Insigne; Osimhen (Mertens).

O Napoli versão 2021-22 é muito parecido com o de 2020-21, mas com um grande upgrade: Spalletti assumiu o lugar do questionado Gattuso. Sob as ordens de Rino, este mesmo elenco (acrescido de Maksimovic, Hysaj e Bakayoko) ficou a apenas um ponto da Champions League e é muito improvável imaginar que não irá pleitear o mesmo objetivo agora. Sobretudo porque terá um especialista em classificar times para a competição: desde 2004-05, em apenas uma oportunidade (2008-09) o carequinha toscano não levou a equipe que dirigia para o principal torneio de clubes da Europa.

Com Spalletti, o Napoli voltará a ter um padrão de jogo bem definido: compactação na fase defensiva, privilégio à posse de bola e rapidez nos passes no último terço do campo, setor em que os atacantes e pontas trabalham para abrir espaços para infiltrações dos meias. Nesse sistema, Zielinski deve ficar ainda mais em evidência e Mertens terá a oportunidade de conseguir dígito duplo em gols na Serie A, o que não acontece desde 2019. Osimhen, Insigne e Ruiz, naturalmente, também continuarão a exercer papeis fundamentais no time.

Por outro lado, as maiores vulnerabilidades dos partenopei estão na lateral esquerda e no número reduzido de opções para o centro da defesa. Embora Mário Rui, Ghoulam e Juan Jesus não inspirem tanta confiança da torcida, por diversos motivos, a presença de Spalletti ameniza os riscos. Afinal, o técnico conhece a fundo tanto o português quanto o brasileiro, com os quais trabalhou na Roma – juntamente a Manolas. Por saber de cor os seus melhores e piores atributos, imagina-se que o mago de Certaldo saberá limitar danos.

Roma

Mourinho retratado pelo artista Harry Greb nas ruas da capital italiana depois de ser anunciado pela Roma (Imago / OneFootball)

Cidade: Roma (Lácio)
Estádio: Olímpico (70.634 lugares)
Fundação: 1927
Apelidos: Capitolinos, Giallorossi, Lupi, A Maggica
Principais rivais: Lazio e Juventus
Participações na Serie A: 89
Títulos: 3
Na última temporada: 7ª posição
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Brasileiros no elenco: Daniel Fuzato e Roger Ibañez
Técnico: José Mourinho (1ª temporada)
Destaque: Lorenzo Pellegrini
Fique de olho: Nicola Zalewski
Principais chegadas: Tammy Abraham (a, Chelsea), Eldor Shomurodov (a, Genoa), Rui Patrício (g, Wolverhampton) e Matías Viña (le, Palmeiras)
Principais saídas: Edin Dzeko (a, Inter), Pau López (g, Marseille) e Pedro (a, Roma)
Time-base (4-2-3-1): Rui Patrício; Karsdorp, Mancini, Smalling (Kumbulla), Viña; Cristante (Villar), Veretout; Zaniolo, Pellegrini, Mkhitaryan; Abraham.

Depois de 11 anos longe da Itália, Mourinho volta ao país para tentar revalorizar a sua carreira na Roma. Este intuito começou de maneira positiva, já que o mercado do time giallorosso tem sido muito bom: as quatro contratações feitas foram ideais para as necessidades do elenco, que fica fortalecido mesmo com a saída do capitão Dzeko e do experiente Pedro. Hoje, a Loba tem condições de brigar de verdade por uma vaga na Liga dos Campeões e de faturar o título da Conference League.

Com o reforço de Rui Patrício, espera-se que a posição de goleiro, que representa uma grande vulnerabilidade para a Roma desde a venda de Alisson, tenha ganhado um titular confiável. Viña também foi uma boa opção para substituir o lesionado Spinazzola, mas ainda há algumas dúvidas sobre o restante da defesa. Smalling e Kumbulla precisam apresentar o nível de 2019-20 para serem parceiros de relevo para Mancini, enquanto Ibañez carece de regularidade. Especialista em sistemas defensivos, Mourinho parece ter ficado satisfeito com o desempenho do quarteto na pré-temporada, já que os capitolinos não buscam zagueiros no mercado.

Por sua vez, Veretout e Pellegrini continuam sendo garantias da equipe da Cidade Eterna e serão centrais no jogo vertical proposto por Mou. O mesmo vale para Mkhitaryan: anteriormente em baixa com o português, ele convenceu o treinador de Setúbal pelo que mostrou com a camisa giallorossa e terá uma nova oportunidade como protagonista numa dupla entusiasmante com o recuperado Zaniolo. Com técnica, velocidade e alto poder de decisão, os dois dividirão as responsabilidade com o jovem Abraham, que chega à Itália pressionado pela herança deixada por Dzeko e com grandes expectativas a serem cumpridas – afinal, com os bônus, se tornará o reforço mais caro fechado pela Loba.

Salernitana

Federico Bonazzoli, da Salernitana (Foto: Foto Agenzia/Imago/One Football)

Cidade: Salerno (Campânia)
Estádio: Arechi (37.180 lugares)
Fundação: 1919
Apelidos: Granata, Bersagliera, Sua Maestà
Principais rivais: Napoli, Avellino e Verona
Participações na Serie A: 3
Títulos da Serie A: nenhum (melhor desempenho: 15ª colocação)
Na última temporada: 2ª posição da Serie B; promovida
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: nenhum
Técnico: Fabrizio Castori (2ª temporada)
Destaque: Simy
Fique de olho: Nadir Zortea
Principais chegadas: Simy (a, Crotone), Federico Bonazzoli (a, Torino) e Stefan Strandberg (z, Ural)
Principais saídas: Gennaro Tutino (a, Parma), André Anderson (m, Lazio) e Tiago Casasola (z, Lazio)
Time-base (3-5-2): Belec; Strandberg, Gyömbér, Bogdan; Zortea, M. Coulibaly, Di Tacchio, Obi (L. Coulibaly), Ruggeri; Simy, Bonazzoli.

É bem provável que você não tenha muito tempo para se afeiçoar à Salernitana. Dona do elenco mais modesto da Serie A, com sobras, a equipe da Campânia é candidatíssima a ocupar a lanterna do campeonato em sua terceira participação na elite – a primeira desde 1999. O plantel dos granata não lhe asseguraria sequer o favoritismo ao acesso na segunda divisão.

A Salernitana foi praticamente desmontada neste verão: como estavam emprestados, quase todos os destaques de sua trajetória na Serie B foram embora. Nove jogadores, por exemplo, retornaram para a Lazio, equipe à qual a formação campana servia como satélite. Inclusive, o presidente Lotito teve de se desfazer da agremiação sulista às pressas, pelas normais federais, e a repassou a um truste. Isso, naturalmente atrapalhou a formação do plantel grená, considerando um poder de investimento que já não seria dos mais altos.

Para tentar fazer milagre e evitar a queda, a Salernitana aposta na continuidade do técnico Castori, o segundo mais velho da Serie A. Seu estilo de trabalho é baseado no mais puro catenaccio, com defesa fechadinha, contra-ataques e busca pelo máximo aproveitamento das poucas chances criadas. Sendo assim, terá importância o lateral Ruggeri, vindo da Atalanta, que é o mais talentoso do grupo na criação de jogadas – é notória a falta de um articulador no meio-campo bastante físico da Bersagliera. O ótimo Simy e o perigoso Bonazzoli tendem a ficar muito sobrecarregados e a concentrarem quase todos os gols marcados pela equipe, o que não costuma ser bom sinal.

Sampdoria

Fabio Quagliarella, da Sampdoria (Imago / OneFootball)

Cidade: Gênova (Ligúria)
Estádio: Luigi Ferraris (36.599 lugares)
Fundação: 1946
Apelidos: Blucerchiati, Doria, Samp
Principal rival: Genoa
Participações na Serie A: 65
Títulos: 1
Na última temporada: 9ª posição
Objetivo: meio da tabela
Brasileiros no elenco: Kaique Rocha
Técnico: Roberto D’Aversa (1ª temporada)
Destaque: Fabio Quagliarella
Fique de olho: Simone Trimboli
Principais chegadas: Gianluca Caprari (a, Benevento), Julian Chabot (z, Spezia) e Nicola Murru (le, Torino)
Principais saídas: Keita Baldé (a, Monaco), Gastón Ramírez (mat, sem clube) e Mehdi Léris (m, Brescia)
Time-base (4-4-2): Audero; Bereszynski, Yoshida, Colley, Augello; Candreva, Thorsby, Silva (Ekdal), Damsgaard; Gabbiadini, Quagliarella.

Com pouquíssimos reforços e saídas importantes, como a de Keita e a do técnico Ranieri, a Sampdoria corre o risco de ter um campeonato sem a tranquilidade de outrora. A equipe blucerchiata ainda é forte candidata ao meio da tabela, mas precisará olhar com um pouco mais de frequência para o retrovisor e se preocupar em somar pontos que, em 2020-21, conquistou sem muito esforço. Hoje, não é imaginável que a Samp conclua a Serie A em um dos 10 primeiros lugares, como ocorreu em quatro das cinco últimas temporadas.

D’Aversa manterá o 4-4-2 de Ranieri e princípios caros ao receituário do seu antecessor, como a alta taxa de trabalho dos meias, o jogo físico pelo centro e velocidade e ultrapassagens abundantes pelas pontas. Contudo, se o comandante romano alinhava ideias em prol do coletivo, com Quagliarella se sobressaindo mesmo assim, a impressão é que esta Sampdoria se guiará mais pelas individualidades. Além do próprio capitão, os experientes Candreva e Gabbiadini também serão chamados em causa. Espera-se, ainda, que Damsgaard seja o grande criativo da equipe – e o dinamarquês pode se ver muito isolado nesta função, embora talento não lhe falte.

Depositar muitas fichas em veteranos e em jovens que ainda oscilam, de forma natural, tende a ser uma solução pouco frutífera. Se isto se mantiver, a tendência é vermos uma Sampdoria similar à da fase de 32 avos de final da Coppa Italia, ocasião em que sofreu para eliminar o Alessandria: um time oscilante dentro das partidas e que, naturalmente, tende a ser irregular ao longo da temporada.

Sassuolo

Berardi e Caputo comemoram gol pelo Sassuolo (Reprodução/Sassuolocalcio.it)

Cidade: Sassuolo (Emília-Romanha)
Estádio: Mapei Stadium – Città del Tricolore (21.525 lugares)
Fundação: 1920
Apelidos: Neroverdi, Sasòl
Principal rival: Modena
Participações na Serie A: 9
Títulos: nenhum (melhor desempenho: 6ª colocação)
Na última temporada: 8ª posição
Objetivo: meio da tabela
Brasileiros no elenco: Rogério e Matheus Henrique
Técnico: Alessio Dionisi (1ª temporada)
Destaque: Domenico Berardi
Fique de olho: Davide Frattesi
Principais chegadas: Matheus Henrique (m, Grêmio), Gianluca Scamacca (a, Genoa) e Davide Frattesi (m, Monza)
Principais saídas: Manuel Locatelli (m, Juventus), Marlon (z, Shakhtar Donetsk) e Stefano Turati (g, Reggina)
Time-base (4-2-3-1): Consigli; Müldür (Toljan), Ferrari, Chiriches, Rogério (Kyriakopoulos); López (Frattesi), Matheus Henrique; Berardi, Djuricic (Traorè), Boga (Raspadori); Caputo (Scamacca).

O que será do Sassuolo sem De Zerbi? Depois de três anos no comando, o treinador se valorizou e deixou a Emília-Romanha, mas a sua filosofia permanece no clube. Afinal, a antecedia: desde que chegou à elite, com Di Francesco, o time neroverde apostava em um futebol ofensivo, com posse de bola e pressão sufocante dos adversários. Não será diferente com Dionisi, que terá a sua primeira experiência na Serie A após ser campeão da segundona num agradável Empoli.

Sem pressão por entregar resultados de imediato, Dionisi terá tempo para colocar a sua marca pessoal no time deixado por De Zerbi, ainda que as semelhanças de pensamento entre os dois sejam abundantes. Numa espécie de ilha de segurança, na qual a sua permanência na elite não é ameaçada e garantir vagas em torneios continentais não é imperativo, o Sassuolo é um laboratório a céu aberto. Nele, o comandante poderá fazer testes à beça, que levem a oscilações e, mesmo assim, entregar um resultado bastante satisfatório.

Na Toscana, Dionisi trabalhou com muitos jovens promissores, o que também encontrará no Sassuolo. A saída de Locatelli será sentida, naturalmente, mas o campeão olímpico Matheus Henrique e o excelente Frattesi têm potencial para suprir a ausência do volante italiano. E a poderosa artilharia emiliana, que já contava com Berardi, Djuricic, Boga, Raspadori e Caputo, ainda se enriqueceu com o retorno de empréstimo de Scamacca. Há talento para dar e vender (por muitos milhões de euros) no Mapei Stadium.

Spezia

Thiago Motta, do Spezia (Foto Divulgação)

Cidade: La Spezia (Ligúria)
Estádio: Alberto Picco (11.512 lugares)
Fundação: 1906
Apelidos: Aquilotti, Bianchi, Bianconeri
Principais rivais: Genoa, Pisa, Carrarese e Lucchese
Participações na Serie A: 2
Títulos: nenhum (melhor desempenho: 15ª colocação)
Na última temporada: 15ª posição
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: Léo Sena
Técnico: Thiago Motta (1ª temporada)
Destaque: Giulio Maggiore
Fique de olho: Aimar Sher
Principais chegadas: Ebrima Colley (a, Verona), Kelvin Amian (ld, Toulouse) e Viktor Kovalenko (m, Atalanta)
Principais saídas: Tommaso Pobega (m, Milan), Riccardo Saponara (m, Fiorentina) e Matteo Ricci (m, sem clube)
Time-base (4-3-3): Zoet; Amian, Erlic, Nikolaou, Bastoni; Maggiore, Léo Sena, Kovalenko; Verde (Colley), Nzola, Gyasi.

Se a permanência do Spezia na elite, em 2021, teve ares de milagre, repetir a empreitada será mais difícil neste ano. Artífice da salvação, Italiano conhecia o elenco havia algum tempo e tinha um grupo repleto de opções, que soube potencializar. Já Thiago Motta, ainda que tenha sido vitorioso dentro dos gramados, é um técnico inxperiente e que precisa transformar boas ideias em resultados.

A missão do ítalo-brasileiro na Ligúria será árdua, primeiramente, porque o Spezia passou por um desmanche tão grande quanto o da Salernitana: 17 jogadores que foram utilizados na última temporada deixaram o Picco. Entre eles, várias peças importantes, como Pobega, Saponara, Ricci, Agudelo, Terzi, Piccoli, Marchizza, Ismajli, Estévez e Diego Farias. Se um time inteiro acabou mudando de ares, a gestão do presidente Platek, iniciada há poucos meses, só adquiriu quatro atletas que devem fardar entre os titulares. É uma equipe nitidamente enfraquecida e que não poderá fazer tantos rodízios quanto anteriormente.

Com isso, o peso recai com muita intensidade sobre os pilares dos bianconeri. Empossado como capitão, o ótimo volante Maggiore terá de se desdobrar ao lado de Léo Sena, alçado a provável titular por Motta, mas tende a ter uma vida muito complicada sem o auxílio dos ex-colegas – afinal, o meio-campo teve as principais baixas. Na frente, o jogo pelos flancos ganha uma importância ainda maior do que teve em 2020-21, quando Gyasi e Verde já eram bastante acionados antes de fazer a bola chegar a Nzola. Nesse sentido, Colley foi uma importante adição a um grupo que tem muitas lacunas a serem preenchidas.

Torino

Belotti, do Torino (Foto: Fabio Ferrari/La Presse/Imago/One Football)

Cidade: Turim (Piemonte)
Estádio: Olímpico Grande Torino (28.177 lugares)
Fundação: 1906
Apelidos: Toro, Granata
Principal rival: Juventus
Participações na Serie A: 78
Títulos: 7
Na última temporada: 17ª posição
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: Lyanco e Bremer
Técnico: Ivan Juric (1ª temporada)
Destaque: Andrea Belotti
Fique de olho: Dennis Stojkovic
Principais chegadas: Etrit Berisha (g, Spal), Marko Pjaca (a, Genoa) e Magnus Warming (a, Lyngby)
Principais saídas: Salvatore Sirigu (g, Genoa), Nicolas Nkoulou (z, sem clube) e Amer Gojak (mat, Dinamo Zagreb)
Time-base (3-4-2-1): Milinkovic-Savic; Izzo, Bremer, Buongiorno; Singo, Mandragora, Lukic, Ansaldi; Sanabria, Pjaca; Belotti.

O futebol reativo volta a ter espaço no início de temporada num Torino em crise de identidade, que tem corrido feito barata tonta. Depois da aposta fracassada em Giampaolo e do conserto feito por Nicola, a diretoria grená resolveu contratar Juric, vindo de duas ótimas campanhas pelo Verona.

Como não resolveu alguns problemas estruturais, o Toro buscou um dos técnicos que mais poderia se adaptar ao seu plantel. No time granata há muitos jogadores de características similares aos que o croata tinha no Verona, de modo que ele terá condições de repetir a saída forte com os alas e os zagueiros laterais; a movimentação dos volantes centrais, com chegada no campo ofensivo; e propor uma dupla de apoio ao atacante central; bem como a forte compactação da equipe em bloco baixo na fase defensiva.

Ainda assim, há um sinal de alerta ligado no Piemonte, já que o Torino brigou duas vezes contra o rebaixamento de forma inesperada. Com uma lacuna óbvia no gol e um número pouco satisfatório de opções confiáveis no banco, podemos ver um time bastante dependente de Belotti, mais uma vez. E há, também, um elemento de caráter físico: em ambos os anos em que dirigiu o Verona, Juric experimentou bruscas quedas de rendimento no segundo turno, atreladas, em parte, ao cansaço. Como os gialloblù haviam somado muitos pontos antes disso, o declínio não foi decisivo para a sua sorte. Em Turim, será a vez do tira-teima.

Udinese

Roberto Pereyra sobrou na Udinese (Foto: Ettore Griffoni/Live Media/Imago/One Football)

Cidade: Údine (Friul-Veneza Júlia)
Estádio: Friuli – Dacia Arena (25.132 lugares)
Fundação: 1896
Apelidos: Bianconeri, Friulani e Zebrette
Principais rivais: Venezia e Triestina
Participações na Serie A: 49
Títulos: nenhum (melhor desempenho: vice-campeã)
Na última temporada: 14ª posição
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: Samir, Rodrigo Becão, Walace e Ryder Matos
Técnico: Luca Gotti (3ª temporada)
Destaque: Roberto Pereyra
Fique de olho: Martin Palumbo
Principais chegadas: Marco Silvestri (g, Verona), Lazar Samardzic (mat, RB Leipzig) e Destiny Udogie (le, Verona)
Principais saídas: Rodrigo De Paul (m, Atlético de Madrid), Juan Musso (g, Atalanta) e Kevin Bonifazi (z, Bologna)
Time-base (3-4-2-1): Silvestri; Rodrigo Becão, Nuytinck, Samir; Molina, Walace (Arslan), Pereyra, Stryger Larsen (Udogie); Deulofeu (Samardzic), Pussetto; Okaka.

Na medida em que a família Pozzo vende craques e enche os cofres com milhões de euros, a Udinese vai se aproximando das posições mais baixas da tabela. Não era assim: os friulanos costumavam encontrar grandes revelações em mercados periféricos e mantinham o ciclo de enriquecimento atrelado a boas campanhas na Serie A. Dessa vez, os bianconeri perderam Musso e De Paul, seus principais jogadores, e enfraqueceram a equipe.

A aquisição do goleiro Silvestri mantém o nível do antecessor, mas o atleta de 30 anos não é um ativo pensando em venda futura. Para o lugar de De Paul, a aposta é no alemão de origem bósnia Samardzic, de 19 anos, que não é cotado para ser titular no início da temporada. Pensando no presente, Udogie parece mais maduro para explodir, após aparições de destaque pelo Verona. E é isso: todas as outras chegadas da janela na Udinese foram retornos, seja de empréstimo, como no caso do grosseiro Teodorczyk, ou do terceiro arqueiro Padelli, que veste a camisa zebrada após oito anos de circulação pelo país.

A fase defensiva do time de Údine funciona bem e tende a ser o seu maior trunfo em 2021-22. Afinal, sem De Paul, Gotti terá muito mais trabalho para arrumar a Udinese do meio para frente e ajeitar a produção ofensiva dos bianconeri, fortes candidatos a pior ataque da Serie A. Pereyra assumirá as funções deixadas pelo compatriota, ao passo que o ala Molina – em evolução – tende a ter mais peso dentro de campo. A grande esperança de gols é… Okaka. O suficiente para entender que seguir na elite já será uma vitória para os friulanos.

Venezia

Paolo Zanetti, técnico do Venezia (Foto: Imago/One Football)

Cidade: Veneza (Vêneto)
Estádio: Pier Luigi Penzo (11.171 lugares)
Fundação: 1907
Apelidos: Arancioneroverdi, Lagunari, Leoni Alati
Principais rivais: Vicenza, Verona e Padova
Participações na Serie A: 13
Títulos: nenhum (melhor desempenho: 3ª colocação)
Na última temporada: 5ª posição da Serie B; promovido após playoffs
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: Bruno Bertinato
Técnico: Paolo Zanetti (2ª temporada)
Destaque: Mattia Caldara
Fique de olho: Daam Heymans
Principais chegadas: Gianluca Busio (m, Sporting Kansas City), Arnór Sigurdsson (mat, CSKA Moscou) e Mattia Caldara (z, Atalanta)
Principais saídas: Youssef Maleh (m, Fiorentina), Sebastiano Esposito (a, Basel) e Giacomo Ricci (le, Parma)
Time-base (4-3-3): Mäenpää; Ebuehi, Caldara, Ceccaroni, Schnegg; Busio (Crnigoj), Peretz (Tessmann), Heymans; Sigurdsson (Aramu), Okereke (Forte), Johnsen.

Na primeira parte do guia, chamamos a atenção para o Empoli e fazemos o mesmo com o Venezia, que não disputava a Serie A desde 2002: vindo da segundona, o time arancioneroverdi pode ser uma das surpresas deste Italiano. A gestão norte-americana do presidente Niederauer já mostrou, com os uniformes do clube, que entende muito de marketing. Parece saber, também, identificar talentos: buscou reforços em mercados periféricos e formou um plantel que tem tudo para ser competitivo, ainda que falte experiência.

O Venezia preservou a estrutura que lhe garantiu o acesso e manteve o técnico Zanetti, seu 4-3-3 combativo e quase todos os seus destaques. Os leões alados também foram atrás de jogadores de seleção: os norte-americanos Busio e Tessmann, o islandês Sigurdsson, os nigerianos Okereke (olímpica) e Ebuehi, o israelense Peretz e o italiano Caldara. O ex-zagueiro de Atalanta e Milan, aliás, é um dos poucos do elenco com mais de 10 partidas na Serie A (o outro é o interminável Molinaro). Montar um plantel com poucos atletas que conheçam o campeonato é arriscado, mas os vênetos parecem confiantes na qualidade das peças à disposição.

Além do aspecto futebolístico, o retorno do Venezia à Serie A será muito interessante do ponto de vista cultural. A cidade de Veneza é uma das mais importantes e peculiares da Itália, e a arena do clube não foge à regra. Com mais de 100 anos de inaugurado, o Penzo fica numa ilha e só pode ser acessado a pé ou de barco, como as famosas gôndolas que circulam pelos canais da capital do Vêneto. A praça esportiva está sendo requalificada para receber partidas do campeonato e ainda não se sabe quando será liberada. Por conta disso, os lagunari jogam as três primeiras fora de casa e, se for necessário, disputarão compromissos como mandantes no estádio da Spal – o Paolo Mazza, em Ferrara.

Verona

Di Francesco tem mais uma chance de repetir seu trabalho no Sassuolo (Foto: Davide Casentini/Imago/One Football)

Cidade: Verona (Vêneto)
Estádio: Marcantonio Bentegodi (31.045 lugares)
Fundação: 1903
Apelidos: Mastini, Scaligeri, Butei, Gialloblù
Principais rivais: Vicenza, Napoli e Milan
Participações na Serie A: 31
Títulos: 1
Na última temporada: 10ª posição
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: Alan Empereur e Daniel Bessa
Técnico: Eusebio Di Francesco (1ª temporada)
Destaque: Mattia Zaccagni
Fique de olho: Bogdan Jocic
Principais chegadas: Lorenzo Montipò (g, Benevento), Gianluca Frabotta (le, Juventus) e Martin Hongla (v, Royal Antwerp)
Principais saídas: Federico Dimarco (le, Inter), Marco Silvestri (g, Udinese) e Matteo Lovato (z, Atalanta)
Time-base (3-4-2-1): Montipò; Ceccherini, Günter, Magnani; Faraoni, Tameze (Hongla), Miguel Veloso (Ilic), Lazovic (Frabotta); Barák, Zaccagni; Kalinic (Lasagna).

Di Francesco está perto do ponto de não retorno: um fracasso no Verona, após trabalhos vexaminosos por Sampdoria e Cagliari, pode significar o fim de sua carreira como técnico de alto nível e relegá-lo às categorias inferiores da Itália. Por isso, o abruzês encara a reconstrução dos gialloblù, após as excelentes memórias deixadas por Juric, como um dos principais desafios de sua carreira.

Ciente do seu atual momento, DiFra foi taxativo na sua apresentação: sustentará as ideias de seu antecessor e se adaptará ao elenco, diferentemente do que tentara em suas fracassadas experiências. Assim, o técnico deverá manter o 3-4-2-1 e utilizar, como alternativa, um 4-2-3-1 com movimentações e funções similares ao módulo-base. Zaccagni e Barák, escudeiros de Lasagna, continuam sendo os principais nomes do time.

Nesta janela, o Verona perdeu peças importantes, como Silvestri, Lovato, Dimarco, Sturaro, Colley e Salcedo. As ausências dos jogadores de defesa tendem a ser as mais importantes, já que o goleiro Montipò teve desempenho inconsistente pelo Benevento e os zagueiros que os mastini têm no elenco, atualmente, não oferecem garantias de regularidade em alto nível. Dessa forma, acreditamos que o camaronês Hongla, que também atua como beque, acabará sendo recuado para a função em algum momento da campanha gialloblù. É improvável que o período de tranquilidade que o Hellas atravessou entre 2019 e 2021 ganhe um novo capítulo.

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