‘Futebol é para frente, não para trás’: Gasperini alfineta estilo do Como de Fàbregas
Em entrevista prévia ao confronto com a Juventus, técnico da Roma usa time de Fàbregas como exemplo para questionar tendências do futebol atual
Em meio à briga pelas primeiras posições na tabela da Serie A, Roma e Juventus medem forças neste sábado (20), na casa da Velha Senhora. O confronto ganha ainda mais peso pelo momento positivo das duas equipes, que chegam embaladas após vitórias na última rodada.
O time da capital italiana vem de triunfo apertado sobre o Como, decidido com gol do brasileiro Wesley, em um jogo que chamou atenção não somente pelo resultado, mas pelo choque de ideias em campo. De um lado, a proposta paciente e de construção desde a defesa. Do outro, uma equipe mais direta e vertical.
Foi a partir desse duelo que Gian Piero Gasperini puxou o debate fora das quatro linhas. Em entrevista coletiva concedida nesta sexta-feira (19), prévia da partida contra a Juve, o treinador romanista usou o Como de Cesc Fàbregas como exemplo para criticar tendências do futebol contemporâneo, especialmente a dependência excessiva do goleiro na construção das jogadas.
O veterano citou a alta participação de Jean Butez — acionado mais de 50 vezes contra a Internazionale — como símbolo de um modelo que, em sua visão, desacelera o jogo e empobrece o espetáculo. Para Gasperini, posse sem progressão não cumpre função competitiva nem agrada ao torcedor.
— Não gosto dessa dependência constante do goleiro. Outra coisa que não gosto é o ritmo de jogo deles. O Como teve o Butez nos pés 51 vezes contra a Inter. As pessoas não gostam disso — disse.
Direto ao ponto, Gasperini defendeu um futebol mais agressivo, com iniciativa e avanço constante. Ao resumir sua crítica, foi categórico: “futebol é para frente, não para trás”.
— Futebol é para frente, não para trás. Que tipo de posse de bola é essa? As pessoas querem ver contrastes, dribles e jogo ofensivo. Isso faz parecer futsal, que é feio de assistir. Quando vejo o goleiro segurando a bola por 15 ou 20 segundos, isso me entristece. O Como tem jogadores fantásticos, prefiro ver a bola nos pés deles.
Por que o trabalho de Fàbregas no Como é diferenciado?

Apesar das críticas de Gasperini, o projeto liderado por Cesc Fàbregas no Como chama atenção pelo contexto e pela coerência. Recém-chegado à elite, o clube não tenta sobreviver apenas com jogo reativo ou bola longa. Pelo contrário. Assume riscos e busca protagonismo mesmo diante de adversários mais qualificados, algo raro para equipes que lutam na parte baixa da tabela.
A construção desde a defesa não é um capricho estético, mas uma escolha estrutural. Fàbregas entende que, para competir de forma sustentável, o Como precisa controlar fases do jogo, reduzir o tempo sem a bola e organizar melhor suas linhas. O goleiro passa a ser peça ativa não para desacelerar por si só, mas para atrair pressão e abrir espaços à frente.
O trabalho também se destaca pela evolução coletiva. A equipe da Lombardia apresenta padrões claros de saída, ocupação racional dos corredores e mobilidade no meio-campo, mesmo com limitações técnicas evidentes quando comparado a clubes do topo da Serie A. O time de Fàbregas raramente abdica de sua ideia, ainda que o resultado nem sempre acompanhe.
Mais do que resultados imediatos, o diferencial está na identidade. Fàbregas aposta em um modelo que valoriza entendimento do jogo, tomada de decisão e organização — fundamentos que tendem a gerar crescimento a médio prazo. É justamente essa fidelidade ao conceito que provoca debates, como o levantado por Gasperini, e coloca o Como no centro das discussões táticas do campeonato.
Fàbregas à frente do Como:
- 2024/25: 13 vitórias, 11 empates e 15 derrotas (10º colocado)
- 2025/26 até o momento: 8 vitórias, 6 empates e três derrotas (atual 7º colocado)



