Itália

Expulsos de casa: Fiorentina arruma confusão com prefeitura de Florença, que quer reformar Artemio Franchi

Artemio Franchi está (literalmente) caindo aos pedaços e a prefeitura de Florença quer revitalizar, mas onde a Fiorentina vai jogar?

A Fiorentina vive um drama. E não estamos falando da campanha na Serie A, já que o time de Vincenzo Italiano fechou 2023 na 4ª posição do campeonato com 33 pontos em 18 rodadas. O problema que aflige a Viola é a situação envolvendo seu estádio, o Artemio Franchi, que está caindo aos pedaços. A prefeitura de Florença, por sua vez, quer reformá-lo.

A expectativa do prefeito da cidade, Dario Nardella, é que a revitalização do estádio comece no meio de 2024 e termine em 2026. Portanto, a pergunta que fica é: onde a Fiorentina vai jogar até as obras serem concluídas? Essa é uma pergunta que nem mesmo a Viola sabe a resposta. Aliás, os dirigentes estão indignados com a reforma do Artemio Franchi.

Isso porque Rocco Comisso, que se tornou proprietário da Fiorentina em 2019, queria construir um novo estádio para o clube, mas foi barrado pela burocracia italiana. Vale ressaltar que o país é conhecido pela falta de novas arenas e até mesmo revitalizações das praças esportivas nos últimos 50 anos. Mesmo assim, o prefeito de Florença nadou contra a maré e apresentou um projeto para a Viola.

Só que, para piorar a situação, Nardella quer usar fundos da União Europeia para que as reformas do Artemio Franchi – que está literalmente caindo aos pedaços – saia do papel. Em meio a toda essa confusão, a Fiorentina está preocupada com o futuro esportivo, já que teria que viajar pelos próximos dois anos para mandar seus jogos no Campeonato Italiano e em possíveis competições europeias.

Entenda a polêmica envolvendo Fiorentina, Artemio Franchi e Florença

Na última semana, o prefeito de Florença confirmou à Sky Sports Itália que pretende iniciar a revitalização do Artemio Franchi no verão europeu de 2024. Por isso, a Fiorentina procura por outros estádios no país para poder utilizar até 2026. Contudo, as opções são escassas. Tanto a Serie A, quanto a Uefa, exigem capacidade mínima de 10 mil torcedores, além de estrutura para a mídia, tecnologia para linha do gol e VAR.

O Empoli já recusou a ideia de dividir o Carlo Castellani com a Viola. Os candidatos da Toscana têm pontos positivos e negativos. A arena do Siena (que também se chama Artemio Franchi) fica apenas a uma hora de distância de Florença, mas a rivalidade com a Fiorentina pode ser um empecilho, além da capacidade de 15 pessoas no estádio.

Livorno fica a 80 minutos, mas a política de esquerda do clube, além da capacidade de apenas 14 mil lugares também são um problema. O Romeo Anconetani, do Pisa, suporta incríveis 25 mil torcedores. Contudo, a grande questão fica por conta dos 90 minutos de distância de Florença. Arezzo está a apenas 1 hora de distância, mas o estádio só pode receber 13 mil pessoas no máximo.

Fato é que a Viola teria que arcar com os custos para tornar um desses estádios apto às principais competições da Itália e da Europa. Além disso, o gramado seria bastante desgastado, até porque o verdadeiro dono também irá utilizá-lo. A cereja do bolo é a necessidade da Fiorentina ter que viajar constantemente para jogar as partidas como visitante e também como mandante.

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O dono queria assumir o projeto, mas o poder público tomou a frente

Segundo a Forbes, Rocco já deixou claro inúmeras vezes que queria bancar um projeto para Fiorentina, fosse ele para a criação de um novo estádio, ou a revitalização do Artemio Franchi. Como a burocracia barrou os planos do proprietário da Viola, o poder público tomou a frente através do prefeito de Florença. Para bancar as obras, Daria Nardella separou € 94 milhões (cerca de R$ 504 milhões).

Só que esse valor advém do fundo de recuperação pós-pandemia da UE. Obviamente, o grupo econômico não quer que os quase € 100 milhões enviados para a Itália sejam utilizados na revitalização de um estádio de futebol. Ou seja, até mesmo a reforma do Artemio Franchi corre risco de não acontecer caso o prefeito de Florença insista em utilizar o dinheiro da União Europeia.

Se por algum milagre Nardella conseguir tocar a reforma do estádio da Fiorentina, os dirigentes já deixaram bem claros que estão indignados com a postura da prefeitura. O dirigente da Viola, Joe Barone, foi duro nas críticas à Florença em relação as obras do Artemio Franchi. As declarações foram feitas após a vitória sobre o Torino, por 1 x 0, na última sexta-feira (29), pela 18ª rodada da Serie A:

“A Fiorentina precisa encontrar um lugar fora de Florença para jogar. Isso é uma falta de respeito com os torcedores , com a cidade de Florença e principalmente com a Fiorentina. Sempre pedimos para jogar aqui no Franchi. […] estamos muito zangados e amargurados. […] Vamos ver se o pessoal da Viola toma medidas para dar um recado ao Município, que não quer nos ouvir sobre esta situação do estádio. A realidade é que a Fiorentina será forçada a jogar em Modena ou Cesena ou em qualquer outro lugar”.

Foto de Matheus Cristianini

Matheus CristianiniRedator

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.

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