‘É ótimo técnico, mas nem tanto como pessoa’: Ex-São Paulo relembra dificuldade na Itália
Jogador ítalo-brasileiro relembrou a passagem pela Europa e criticou atual momento da seleção italiana
A relação de Eder com a Itália vem de um longo tempo. Começa na sua saída do Brasil, aos 16 anos, e passa pela escolha em defender a seleção italiana. O atacante, que anunciou a aposentadoria em 2024 quando defendia o Criciúma, relembrou a dificuldade durante a adaptação no país europeu.
— O primeiro clube a me notar foram Lecce e Fiorentina. Em 2003, fui para a Puglia (região no sul da Itália) por um mês, mas a viagem foi um pesadelo. Eu tinha 16 anos e desembarquei com uma placa que dizia “menor de idade”. A polícia achou que eu estava carregando sabe-se lá o quê. Expliquei com gestos que estava lá por causa do futebol. Saí pelo portão à noite — contou em entrevista a “Gazzetta Dello Sport”.
Traumatizado, o atleta voltou ao Brasil e iniciou sua carreira como profissional no Criciúma, no estado onde nasceu. Mas, dois anos depois, escolheu voltar à Europa para jogar no Empoli.
O ex-jogador revelou a intensa rotina de treinos e como as lesões impactaram a sua saúde mental no início da adaptação. Eder confessou que pensou em desistir da carreira sob o comando de Luigi Cagni, ex-jogador e então treinador do clube italiano.
— Treinos intensos, academia, a ‘dieta da zona’ do [Luigi] Cagni, que ele me impôs com todas as suas boas intenções. Sofri muitas lesões. Liguei para o meu pai chorando e disse que queria ir embora, mas o Empoli cuidou de mim — afirmou.
Após três temporadas no Empoli e a disputa da Série A, onde teve um momento de destaque em 2009/10 — retornando após a passagem pelo Frosinone –, antes de seguir novos rumos.
— Depois da minha estreia na Série A, fui para o Frosinone e marquei 21 gols em um ano e meio, na Série B. Depois, marquei 27 gols e conseguimos o acesso à Série A. Roma, Milan e outros clubes me queriam, mas o Empoli me emprestou primeiro para o Brescia e depois para o Cesena — conta.

A temporada de 2015/16 também foi um momento importante na carreira de Eder. Ao ser emprestado à Internazionale, onde passou três anos, o ex-atacante relembrou a recusa pelo Leicester para permanecer na Itália e o relacionamento com o técnico Luciano Spaletti.
— Eu teria jogado atrás do (Jamie) Vardy (artilheiro e campeão da Premier League em 2016), era um negócio fechado, mas me fizeram mudar de ideia. Claudio Ranieri (então treinador do Leicester) respondeu como um cavalheiro: ‘Se você quer se divertir como uma criança, venha para cá.’ Fui para a Inter e joguei muito pouco. O Leicester ganhou o campeonato. Quanto a Spalletti, nunca tolerei a hipocrisia dele. É um ótimo técnico, mas como pessoa, nem tanto — declarou.
Spalletti treinou a Inter entre 2017 e 2019, período em que trabalhou com Eder. O treinador ainda foi campeão italiano com o Napoli em 2023, assumiu a seleção italiana e hoje comanda a Juventus.
Amadurecimento e seleção italiana
Em 2015, Eder vivia a sua primeira temporada na Internazionale, por empréstimo da Sampdoria, e vivia a expectativa de ser recrutado pela seleção italiana. Segundo o brasileiro, a notícia de que seria visto por Antonio Conte, técnico da Azzuri, aconteceu na véspera da partida contra o Cagliari.
— Antes de um jogo entre Sampdoria e Cagliari em 2015, me disseram que Antonio [Conte] e sua comissão técnica viriam me assistir. ‘Ah, você não vai se borrar de medo e jogar mal?’, perguntou ele em tom de brincadeira. Algumas semanas depois, antes do jogo contra a Inter, fui informado da convocação –, afirma Eder.
— Eu vomitei com o Antonio. Aquecimento, táticas, academia, teste de ioiô, para cima e para baixo. Eu me perguntava: ‘Mas como se faz isso?’ Mas aí nós voamos…–, relembra.
O atacante chegou a ser questionado pelo jornal italiano sobre a possibilidade de ter sido convocado pela seleção brasileira e se optaria por defender a canarinha. Contudo, Eder afirmou que teria escolhido a tetracampeã mundial.

— São apenas rumores. Falava-se em amistosos, mas quando a Itália me ligou, aceitei imediatamente. E se tivesse a mesma oportunidade, teria optado pela Azzurra: devia isso ao país — declarou.
Para além da época em que defendeu a Azzura, Eder comentou o atual momento da seleção italiana e afirmou que considera “um pecado” a dificuldade que a seleção italiana tem encontrado para se classificar para a Copa do Mundo e avaliou os recentes comandos da equipe nacional.
— É um pecado. Eu estive na primeira vez que ficamos de fora, em 2018. Fizemos a primeira transição com o Conte, fizemos uma grande Eurocopa (2016) e depois, quando teve a outra mudança, a Itália regrediu, do Conte para o Ventura. E depois com Mancini e Spaletti começou a criar novamente e está vindo numa crescente. Tem que crescer com o Gattuso e estamos na torcida. A Copa do Mundo com a Itália tem um sabor legal. Uma seleção que é tetracampeão do mundo. E se a Itália se classificar vai ser muito bom — afirmou em entrevista ao “ge”.
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Passagem pelo São Paulo
Eder teve tempo de jogar bastante no futebol brasileiro antes de se aposentar. Em 2021, ele assinou com o São Paulo depois de passar três anos na China. Foram dois anos jogando pelo Tricolor — marcou 11 gols em 75 jogos, além de erguer o troféu de campeão paulista.
O atacante voltou ao Criciúma em 2023, quando conseguiu o acesso à elite do Campeonato Brasileiro, e disputou a primeira divisão em 2024 com a camisa do Tigre. Ele se aposentou ao fim do ano.



