Itália

Dança das cadeiras

Uma desconcentração nos acréscimos fez com que a Internazionale cedesse à Juventus o empate em um jogo que havia dominado durante a maior parte do tempo. O placar de 1 a 1, ainda assim, foi suficiente para preservar a vantagem de dez pontos dos nerazzurri e sentenciar o scudetto a seis rodadas do final. A disputa pelas vagas europeias e pela permanência na Serie A promete ser interessante, mas as atenções da mídia estão cada vez mais voltadas para a movimentação dos treinadores para a próxima temporada.

A dança das cadeiras foi aberta oficialmente com o anúncio da saída de Luigi Del Neri da Atalanta, mas seu desenrolar não deve se limitar aos clubes da zona média-baixa da classificação. Entre os grandes, só o que pode ser dito com certeza absoluta é que José Mourinho permanecerá à frente da Inter. De resto, tudo é possível.

O futuro de Carlo Ancelotti no Milan continua sendo um ponto de interrogação. Sua saída no fim da temporada foi considerada praticamente certa, até por este colunista, após a eliminação na Copa Uefa diante do Werder Bremen. Mas o time se recuperou nas últimas rodadas e caminha para um final em ascensão. O terceiro lugar foi colocado como objetivo mínimo, mas é bem possível que os rossoneri terminem em segundo.

O que não muda é o fato de Chelsea e Real Madrid seguirem interessados em Carletto. Os desmentidos de praxe não são suficientes para abafar os rumores, e o fato de Kaká ter falado abertamente no final de um ciclo em Milanello mostra que a permanência do técnico para a próxima temporada pode ser difícil.

Na hipótese da saída de Ancelotti, o nome mais ligado ao Milan é o de Frank Rijkaard, sem clube desde que deixou o Barcelona. Sua contratação seria coerente com a política de Silvio Berlusconi de apostar em nomes identificados com o clube, com passado de jogador rossonero.

Nas últimas semanas, no entanto, ganhou força uma mudança de rota, uma aposta em um treinador em ascensão no futebol italiano. O nome em pauta seria o de Massimiliano Allegri, que fez do Cagliari um dos times mais atraentes da Serie A. Allegri, de 41 anos, tem contrato até 2011 com o clube sardo, mas não seria difícil chegar a um acordo sobre a eventual indenização a ser paga pelo Milan.

A Juventus também tem uma decisão importante a tomar sobre o futuro de Claudio Ranieri, ligado ao clube por um contrato até 2010. A queda de produção da Vecchia Signora é evidente – apenas dois pontos nas últimas três rodadas, matando qualquer possibilidade de título. Até o segundo lugar pode escapar dos bianconeri, que se agarram à Copa da Itália como esperança de terminar a temporada com um troféu. Também pesa contra Ranieri a relutância em apostar com mais convicção nos jovens, como Giovinco.

Há tempos são especulados para a Juve os nomes de Cesare Prandelli, da Fiorentina, e Luciano Spalletti, da Roma, mas outros dois têm subido de cotação graças aos bons resultados nesta temporada.

O primeiro é Gian Piero Gasperini, responsável por colocar o Genoa na zona de classificação para a Liga dos Campeões. A favor de “Gasperson”, contam a identificação local (é nascido em Grugliasco, província de Turim) e o fato de ter se formado como jogador e como treinador na Juventus. Ele trabalhou por nove anos nas categorias de base do clube, entre 1994 e 2003, antes de assumir seu primeiro time profissional.

Correndo por fora aparece Antonio Conte, que como meio-campista vestiu a camisa da Juve de 1992 a 2004. Atualmente Conte dirige o Bari, que está a um passo de assegurar o acesso à Serie A.

Há ainda uma hipótese alternativa, que por enquanto se mantém no terreno da especulação. O possível acerto para a volta de Fabio Cannavaro na próxima temporada seria um indício de que a Juventus trabalha para o retorno de Marcello Lippi após a Copa do Mundo de 2010. Neste caso, Ranieri ficaria até o fim do contrato.

Tanto Spalletti quanto Prandelli são nomes difíceis de alcançar no momento, porque desfrutam de prestígio em seus clubes, mesmo que não consigam vagas na LC para a próxima temporada, e ambos têm contrato até 2011. Resta saber até que ponto um convite da Juventus não balançaria as estruturas destes relacionamentos.

Na Lazio, Delio Rossi está em fim de contrato. Sua saída poderia ser dada como certa, mas as vitórias no dérbi contra a Roma e na difícil visita ao Siena lhe deram novo fôlego. Em caso de classificação para a final da Copa da Itália, passaria a haver mais um argumento para sua permanência. Ainda assim, é mais provável que ele saia do que fique.

Walter Mazzarri, da Sampdoria, e Marco Giampaolo, do Siena, são nomes que agradam à direção biancoceleste, mas ambos têm contratos para a próxima temporada. Del Neri, então, passaria a ser uma opção viável, apesar de seu fracasso na Roma em 2004/05.

O técnico que está de saída da Atalanta também é encarado como possibilidade na Udinese, caso os friulani decidam dispensar Pasquale Marino, protagonista de uma temporada irregular.

Walter Zenga caminha para salvar o Catania pela segunda temporada consecutiva, e tem mais um ano a cumprir de contrato. Se optar por objetivos mais ambiciosos, é um técnico que deve ser cobiçado por outras equipes. Caso a Sampdoria perca Mazzarri, é provável que procure seu ex-goleiro.

Nos times que lutam contra o rebaixamento, é impossível fazer qualquer projeção no momento, já que o futuro dos técnicos é diretamente ligado à permanência na primeira divisão.

Não basta

Esta coluna já se referiu com palavras duras a Mario Balotelli, por causa do caráter provocador e muitas vezes irresponsável do atacante da Internazionale. A opinião sobre ele continua a mesma. Mas nada, absolutamente nada, que ele possa fazer em campo justifica a atitude do bando de ignorantes vestidos de torcedores da Juventus no útlimo sábado no estádio Olímpico de Turim.

“Não há negros italianos”. “Negro de merda, você é só um negro de merda”. “Se você saltar, morre Balotelli”. Estes foram alguns dos coros entoados ao longo da partida. A sentença de uma partida com portões fechados aplicada pelo juiz desportivo Gianpaolo Tosel cita nada menos que dez momentos diferentes do jogo em que o atacante interista sofreu ofensas raciais.

A punição aplicada é um pouco mais severa do que as multas indolores aplicadas em outros casos do gênero, mas ainda são muito pequenas como soluções para erradicar o racismo dos estádios italianos. Talvez somente com a suspensão das partidas e perda de pontos se possa acabar de vez com a manifestação dos imbecis.

A imagem do país, que receberá a final da Liga dos Campeões no próximo mês e é candidato a sediar a Eurocopa em 2016, é irremediavelmente manchada por episódios como esse. Porque não se trata apenas da manifestação racista, mas também da complacência do resto do estádio, que não fez o menor esforço para calar os idiotas. E neste caso, sim, quem cala consente.

O presidente da Inter, Massimo Moratti, disse que teria retirado o time de campo se estivesse no estádio. Só não disse se teria feito o mesmo quando a torcida de seu clube fez ofensas racistas a Marc Zoro, do Messina, durante a temporada 2005/06.

E a Juventus, horas depois de se desculpar publicamente pelo episódio, anuncia que vai recorrer da punição. Com torcedores do gênero, jogar com portões fechados deveria até ser um gesto voluntário.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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