Corte por desrespeitar o técnico será o fim da linha para Pellè na seleção italiana?
Graziano Pellè foi substituído por Ciro Immobile, aos 15 minutos do segundo tempo do empate por 1 a 1 da Itália contra a Espanha, na última quinta-feira, e, na saída de campo, ignorou o técnico Gian Piero Ventura, que havia estendido a mão para cumprimentá-lo. Essa atitude pouco respeitosa do atacante de 31 anos causou o seu corte da seleção e coloca sua carreira internacional em xeque.
LEIA MAIS: Itália reagiu bem para arrancar empate com a Espanha e deixa a impressão que pode jogar mais
Pellè já tem idade avançada e, convenhamos, nunca foi nenhum grande jogador. Por clubes, teve temporadas goleadoras pelo Feyenoord, na Holanda, e duas razoáveis pelo Southampton, na Premier League. Tem 20 jogos pela seleção italiana e nove gols, mas alguns deles foram importantes. Caso dos dois que marcou nos minutos finais das partidas da Eurocopa contra Bélgica e Espanha. Foi também responsável pelos gols da vitória contra Malta e Noruega, nas Eliminatórias.
Conseguiu ganhar confiança o suficiente para continuar na equipe sob o comando do novo técnico Ventura, mesmo depois da sua transferência para o Shandong Luneng, da China. O antecessor Antonio Conte, por exemplo, cortou os muito mais talentosos Pirlo e Giovinco da Eurocopa porque, segundo ele, quem decide jogar na Major League Soccer “precisa pagar as consequências, em termos futebolísticos”.
Existem, também, outras opções para a posição de centroavante da Itália, como o próprio Immobile e Andrea Belotti, do Torino, autor de cinco gols em cinco partidas disputadas na atual temporada do Campeonato Italiano. Até mesmo Mario Balotelli parece estar recuperando-se no Nice: marcou cinco vezes em três rodadas da Ligue 1. Soma-se a esse panorama um caso de indisciplina e será que Ventura continuará dando chances a Pellè?
“O técnico da seleção italiana Gian Piero Ventura, com total apoio da Federação Italiana, decidiu cortar Graziano Pellè da seleção italiana para a partida contra a Macedônia, no domingo, 9 de outubro, por causa do comportamento desrespeitoso do jogador quando foi substituído durante a partida de ontem (quinta-feira) contra a Espanha”, afirmou a federação, em nota oficial. “Representar o time nacional envolve compartilhar valores e exibir atitudes condizentes com o status da camisa Azzurra. Isso começa com a maneira como o jogador lida com a equipe técnica, seus companheiros e torcedores”.
Antes mesmo de ser cortado, Pellè já havia pedido desculpas em uma publicação no seu Instagram. “Infelizmente, aconteceu de novo: eu estraguei tudo”, disse. “Foi um comportamento inaceitável. Primeiro, contra o treinador, mas também contra meus companheiros de equipe, que sempre me mostraram ter grandes valores neste fantástico grupo italiano ao qual pertencemos. Como todo grande erro, eu aceito as consequências. E é correto que eu assuma a responsabilidade. Preciso pedir desculpas de coração para todos”.
Pelo menos nas declarações públicas, ninguém parece guardar rancor contra Pellè. “Ele estava bravo, acho que não foi tanto com a substituição quanto com o jeito como estávamos jogando até aquele momento”, ponderou Ventura. Buffon, líder do vestiário, foi na mesma linha. “Se ele pedir desculpas pelo seu comportamento, ficaremos felizes em abraçá-lo. Foi errado, mas essas coisas acontecem em partidas tão tensas”, disse.
O fato de ter pedido desculpas sem ressalvas pode ajudar a salvar a carreira de Pellè na seleção italiana, embora, mesmo sem o caso de indisciplina, fosse natural que ele perdesse espaço com o tempo. Agora, precisava complicar as coisas por algo tão bobo quanto uma substituição?



