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Itália reagiu bem para arrancar empate com a Espanha e deixa a impressão que pode jogar mais

O futebol ainda não foi o que se espera de um time que quer ser protagonista, mas a Itália mostrou algo que tem sido uma marca do time desde o comando de Antonio Conte: brio. O empate por 1 a 1 com a Espanha em Turim, nesta quinta-feira, serviu para o técnico Giampiero Ventura ver que será necessário fazer mudanças no time – como as que fez no segundo tempo para que o time jogasse mais.

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Depois de ser dominada no primeiro tempo, a Azzurra fez um segundo tempo melhor. O toque de bola espanhol, com paciência e tranquilidade e sempre no campo de ataque, foi a marca do primeiro tempo. Foi o time do técnico Julen Lopetegui quem teve as melhores chances da primeira etapa. A melhor delas com Iniesta, em uma bela jogada tramada com David Silva.

Apesar do domínio territorial, a defesa italiana deu poucos espaços. Foram 13 chutes da Espanha em todo jogo, mas só três deles foram no alvo. No ataque, porém, o desempenho da Itália não foi eficiente como na defesa: sete chutes a gol, só um acertou o alvo – justamente o pênalti que deu o empate à equipe mandante.

O gol da Espanha saiu no segundo tempo, quando o time não jogou tão bem, graças a algo muito incomum: uma falha do goleiro Gianluigi Buffon. Em um lançamento longo para Vitolo, ele chegou bem à bola, antes do atacante, mas furou. A bola ficou limpa para o espanhol tocar para as redes, sem ninguém na frente. Eram 10 minutos do primeiro tempo.

As mudanças que mexeram com o jogo firam depois disso. Ventura tirou de campo Graziano Pellè, que fazia partida apagada, e colocou em campo Ciro Immobile, atacante que começou bem a temporada pela Lazio. Vale lembrar que Pellè foi para a China no meio do ano, após a Eurocopa. O atacante saiu de campo bravo e sequer cumprimentou o técnico. Tolice. Não estava jogando bem e a opção por Immobile era óbvia até.

Mesmo sem fazer uma grande partida, Immobile já deu mais mobilidade ao time. Algo que melhorou de vez quando o técnico tirou Marco Parolo, companheiro de Immobile na Lazio, e colocou em campo outro atacante, Andrea Belotti. A Itália ficou mais perigosa no ataque e teve até um gol bem anulado, marcado justamente por Belotti.

O empate só chegou aos 37 minutos do segundo tempo. Eder recebeu um cruzamento da direita e foi derrubado por Sergio Ramos na área. O árbitro, Felix Brych, apontou a marca do pênalti, para revolta dos espanhóis. Daniele De Rossi cobrou com tranquilidade e categoria para marcar o gol de empate.

A essa altura do jogo, a Itália poderia já ter empatado antes e podia até virar depois do gol de empate. Com isso, a Itália mantém a sua marca de nunca ter perdido em casa em Eliminatórias.

“Foi difícil, sobretudo no primeiro tempo. A Espanha sempre controlou a bola, mas no primeiro tempo nós estávamos muito atrás e os deixamos terem muita posse de bola. Nós fomos muito fracos no desarme e continuamos devolvendo a bola”, disse De Rossi à Rai Sport, após o jogo.

“O primeiro tempo foi ruim. O segundo foi melhor e nós tivemos uma boa reação, oq eu está no nosso DNA. O empate não foi o melhor resultado, mas eu acho que o grupo foi bem na Eurocopa 2016 e ainda está forte”, analisou. “Quando você sofre o gol, é normal que a atitude tenha que mudar. Antes do gol e não estamos pressionando o bastante”, disse.

De Rossi comentou ainda sobre o erro de Buffon, que levou ao gol da Espanha. “O melhor goleiro da história também pode cometer erros, se não fosse assim, ele seria uma máquina. Eu preferia que ele tivesse errado pela Juventus ao invés de pela Itália, mas você não pode ter tudo”, brincou o meio-campista, ídolo da Roma.

A análise do técnico Ventura foi parecida. “Nós pagamos o preço por um pouco de tensão, já que toda vez que nós recuperávamos a posse de bola no primeiro tempo nós a devolvíamos dois segundos depois. Nós espantamos a ansiedade, começamos a pressionar, ir um contra um e tivemos chances para vencer o jogo”, afirmou Ventura à Rai Sport.

“Nós sabíamos que a Espanha manteria a posse de bola, mas é igualmente verdade que o gol foi um golpe de sorte e Buffon não precisou fazer nenhuma defesa de verdade”, afirmou ainda o técnico. “Eu acho que foi um bom resultado, considerando a condição da Espanha e as nossas muitas lesões. Foi um grande jogo de Andrea Belotti e Ciro Immobile vindo do banco”, analisou o técnico, deixando a situação de Pellè ainda mais complicada.

Para Ventura, o jogo com a Espanha mostrou que a Itália pode melhorar mais e ser protagonista, que é o objetivo. “A Espanha sempre foi considerada favorita, mas esta partida nos mostrou mais do que isso. Nós percebemos que se nós quisermos, nós podemos. Se nós nos esforçarmos muito, muito mais do que fizemos hoje, podemos ser protagonistas. Eu estou feliz que este empate irá forçar muitos a refletir sobre a situação”, disse o ex-treinador do Torino.

O próximo jogo da Itália nas Eliminatórias é contra a Macedônia, no domingo, também às 15h45 (horário de Brasília). Já a Espanha vai até a Albânia enfrentar a seleção da casa, no mesmo dia e horário. Após esta rodada, curiosamente a Albânia assumiu a liderança do grupo, já que venceu Liechtenstein por 2 a 0 fora de casa. O time tem seis pontos, com duas vitórias em dois jogos. Espanha e Itália, que venceram no primeiro jogo, ficam com quatro.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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