Copa da Itália

Numa intensa noite de futebol, a Inter prevaleceu na prorrogação e venceu o jogaço contra a Juve para ser campeã da Copa da Itália

Foram duas viradas no placar, mas a Inter conseguiu ser melhor em porções maiores do duelo e sobrou na prorrogação graças a Perisic

A Internazionale solta o grito de campeã mais uma vez e amplia sua lista de títulos recentes, mesmo com todas as mudanças vividas na atual temporada. Se o bicampeonato da Serie A permanece como um sonho, nesta quarta-feira os nerazzurri deram um motivo para sua torcida já comemorar, com a conquista da Copa da Itália – um troféu que não era erguido pelo clube desde 2011. A equipe de Simone Inzaghi prevaleceu em 120 minutos intensos de futebol no Estádio Olímpico de Roma, com a vitória por 4 a 2 sobre a Juventus. A Inter abriu a contagem logo cedo no clássico, a Juve buscou uma virada relâmpago no segundo tempo e os interistas voltaram a empatar para forçar a prorrogação. Já no tempo extra, Ivan Perisic sublinhou um pouco mais a fase esplendorosa que vive e marcou dois gols, que valeram o triunfo e a taça. Prêmio merecido ao excelente trabalho de Inzaghi.

A Inter entrou com seu 3-5-2, com destaque à dupla de ataque formada por Edin Dzeko e Lautaro Martínez. No meio, muita qualidade técnica com Nicolò Barella, Marcelo Brozovic e Hakan Çalhanoglu, além do escape pelos lados com Matteo Darmian e Ivan Perisic. Já a Juventus entrou num 4-4-2. Dusan Vlahovic e Paulo Dybala se combinavam na frente. Também era importante o apoio de Federico Bernardeschi e Juan Guillermo Cuadrado pelos lados. Mattia Perín acabava privilegiado na meta.

A Internazionale se soltou durante os primeiros minutos e abriu o placar logo aos seis, com um lindo tento de Nicolò Barella. Na sobra de um escanteio, Marcelo Brozovic abriu com o parceiro de meio-campo. Barella passou por Juan Guillermo Cuadrado e foi cortando da esquerda para o centro. De fora da área, o italiano soltou a sapatada e mandou a bola rente à trave, sem que o goleiro Mattia Perín sequer saltasse. A Juventus sentiu o gol e demorou a entrar no jogo. Melhor para a Inter, que passou a ditar o ritmo e a controlar o duelo. A Velha Senhora chegaria um pouco mais depois dos 15, a partir de bolas paradas, controladas pela defesa nerazzurra. Quando Samir Handanovic precisou trabalhar, fez defesas firmes, inclusive numa batida de Paulo Dybala na área.

A Juventus melhorava nesse momento e teve uma boa chance de empatar aos 24, num ataque rápido. Dusan Vlahovic foi acionado na área e chutou forte. Handanovic deu um tapa no contrapé e operou uma defesaça, desviando a bola para escanteio. A pressão aumentava e as oportunidades da Velha Senhora se sucediam. Federico Bernardeschi voltou a dar trabalho para Handanovic num chute no canto. Na cobrança de escanteio posterior, Matthijs de Ligt cabeceou e de novo o esloveno trabalhou. Quando o arqueiro não teve o que fazer, num tiro de primeira de Dybala, a bola acabou passando rente à trave.

A Inter estava acuada e demorou para responder. Quando teve a chance, Brozovic chutou de longe e mandou por cima. De qualquer forma, o jogo pendia à Juventus, que ganharia mais força ofensiva aos 41. Massimiliano Allegri colocou Álvaro Morata no lugar de Danilo – em uma mudança tática motivada por um problema físico do brasileiro. A reta final do primeiro tempo seria disputada num ritmo um pouco mais lento, com as duas equipes deixando para apostar suas fichas na segunda etapa.

A Juventus voltou para o segundo tempo atropelando. A virada seria muito rápida. Vlahovic reclamaria de um pênalti, mas nada que fizesse falta. Aos cinco minutos, o empate da Velha Senhora surgiu. Numa rebatida, Alex Sandro chutou no bico da grande área. Álvaro Morata desviou e Handanovic foi mal apesar disso, permitindo o tento. Quando a Inter tentou uma resposta, já tomou o segundo, aos sete. Foi um contra-ataque perfeito da Juve. Depois que Morata iniciou a arrancada, Dybala serviu Vlahovic em velocidade e o sérvio foi gelado para cortar a marcação na área, antes de parar em defesaça de Handanovic. A bola permaneceu nos pés do centroavante, que aproveitou o rebote para balançar as redes.

A temperatura do jogo subia bastante. A Inter precisava sair para o jogo e quase empatou de novo aos oito. Matteo Darmian chutou cruzado e Perín espalmou. Handanovic também defendeu mais uma bola, agora sem tanta dificuldade contra Morata. A Inter tentava se mexer, mas sem criatividade, e parava na marcação. Simone Inzaghi então queimou três alterações aos 18 minutos, com as entradas de Denzel Dumfries, Federico Di Marco e Joaquín Correa. Logo seria a vez da Juve trocar, com Manuel Locatelli e Leonardo Bonucci, o que alterava a formação para três zagueiros.

À medida que o relógio se aproximava dos 30, a Inter passou a martelar seus chutes. As tentativas esbarravam nos defensores e repetidamente eram desviadas para escanteio. A insistência renderia seu prêmio aos 33, com um pênalti sobre Lautaro Martínez, derrubado na área por Bonucci. Çalhanoglu cobrou com uma capacidade impressionante, numa pancada direto no ângulo, que ainda triscou a trave. O empate se consumava e a decisão se tornaria uma trocação nos minutos seguintes, com chegadas de ambos os lados. Allegri mudou de novo a formação, com Arthur na vaga de Giorgio Chiellini. Todavia, os times voltaram a tirar o pé nos minutos finais. A Inter controlava mais a bola, sem criar. Alexis Sánchez e Arturo Vidal foram outras novidades no time.

A partida se resolveu para a Inter no primeiro tempo da prorrogação. Os nerazzurri permaneciam com o controle da bola e ganharam um pênalti aos cinco minutos, numa chegada de De Ligt sobre Stefan de Vrij. Depois da revisão no monitor, o árbitro marcou. Perisic cobrou com categoria e mandou a bola no alto da meta, sem que Perín sequer saísse na foto. Num momento em que a Juventus tentou adiantar suas peças, o quarto gol viria aos 12. Dimarco avançou pela esquerda e passou para Perisic. O croata dominou e chutou em direção ao ângulo, tirando do alcance de Perín. Outro lindo tento. O abatimento da Velha Senhora era óbvio. Revoltado, Massimiliano Allegri foi expulso por reclamação. Na reta final do primeiro tempo extra, os juventinos insistiram e pararam na barreira interista.

O segundo tempo da prorrogação seria mais picotado. A Internazionale conseguia administrar a posse de bola em certos momentos e esfriar os adversários. Além disso, a Juventus se mostrava um tanto quanto cansada e sem ideias, com raras ameaças à meta de Handanovic. Se um gol estava bastante difícil, conseguir dois para forçar os pênaltis soava impossível. A festa, então, se antecipou nas arquibancadas do Estádio Olímpico. Acabaria decretada pelo apito final, com um alívio imenso dos interistas. Foram melhores numa noite de muitas reviravoltas, e até por isso a força mental se provou tão importante.

A Inter conquista a Copa da Itália pela oitava vez e se torna a terceira maior vencedora da competição. Além do fim do jejum de 11 anos, é importante a representatividade desse título para o momento do clube. Não é tão reluzente quanto a Serie A passada, mas tem seu valor pela de transição no comando e pela perda de protagonistas. Simone Inzaghi entregou ótimos resultados e conseguiu redesenhar o time com novos heróis – em especial, Perisic, jogando muita bola nesta temporada. Fica o gosto de quero mais para tentar buscar o novo Scudetto na briga com o Milan.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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