Copa da Itália

Juventus e Inter farão um clássico na final da Copa da Itália que não ocorre há 57 anos

Mesmo com a importância dos dois clubes, os clássicos na decisão são raros e só aconteceram duas vezes

Juventus e Internazionale somam, juntas, 32 finais de Copa da Itália. Porém, os confrontos entre os rivais na decisão são relativamente raros e aconteceram apenas duas vezes no passado. Ambos ocorreram na virada dos anos 1950 para os 1960, e os bianconeri levaram a melhor em ambas as ocasiões. Diante de uma espera que dura 57 anos, a finalíssima desta quarta-feira ganha um peso extra. Será o primeiro Juve x Inter valendo a taça desde 1965. Motivo a mais para que os dois gigantes ofereçam um grande espetáculo no Estádio Olímpico de Roma, num troféu que pode ser o alívio da temporada dos bianconeri ou pode até motivar uma dobradinha nacional dos nerazzurri.

A primeira decisão entre Juventus e Internazionale ocorreu em 1959, num momento em que a Copa da Itália se restabelecia após 15 anos de hiato. A Velha Senhora era a favorita naquele momento, em período no qual o clube dominou o Campeonato Italiano. Justamente na temporada em que os bianconeri não levaram a Serie A, entre um título anterior e dois posteriores, a Coppa ocupou a lacuna. Já a Inter seguia entre os tradicionais postulantes às primeiras colocações, mas atravessava uma entressafra. Não era exatamente o time a ser batido.

Dirigida por Carlo Parola, a Juventus contava com seu triunvirato no ataque. Omar Sívori, Giampiero Boniperti e John Charles formavam uma trinca de craques. Outros nomes como Benito Sarti, Sergio Cervato e Umberto Colombo também eram importantes do período. Sob as ordens de Aldo Campatelli, a Inter contava com seus gigantes. Mario Corso e Aristide Guarneri virariam lendas depois, mas já estavam na equipe. A estrela da época era o artilheiro Antonio Angelillo.

A Juventus cumpriu seu favoritismo com a goleada por 4 a 1, em pleno San Siro, em decisão única. O primeiro tempo já pendeu à Velha Senhora. John Charles abriu o placar aos sete minutos, numa de suas cabeçadas fatais. O segundo veio aos 27, numa falta violentíssima cobrada por Cervato, entrando direto no ângulo. A Inter descontou aos 36, num leve toque de Mauro Bicicli na saída do goleiro Carlo Mattrel. De qualquer forma, a Juve sacramentou o resultado na segunda etapa. Sívori deixou o seu num lindo lance individual aos 18, limpando a marcação com dribles, antes de bater no canto. O argentino também sofreu um pênalti, para Cervato fechar a contagem aos 34. O capitão Boniperti ergueu o troféu.

O reencontro aconteceu em 1965, num momento já distinto dos times. A Juventus não era mais a potência de outrora, com o desmanche de seu trio de virtuosos. Quem mandava na Itália na época era a Internazionale, campeã da Serie A em duas das últimas três temporadas. Aliás, o poderio dos nerazzurri ia muito além das fronteiras, com o time já coroado como bicampeão continental àquela altura. O favoritismo óbvio para o encontro no Estádio Olímpico era dos interistas.

O célebre Helenio Herrera permanecia na condução da Inter. O timaço reunia nomes como Sandro Mazzola, Armando Picchi, Giacinto Facchetti, Tarcisio Burgnich e Giuliano Sarti. Um trio estrangeiro era formado por Luis Suárez, Jair da Costa e Joaquín Peiró. Guarneri e Corso eram os remanescentes de 1959. Já na Juventus de Heriberto Herrera, somente Ernesto Castano permanecia em relação ao título anterior. Como a final ocorreu em agosto de 1965, Sívori já tinha saído para o Napoli. Chinesinho e Luis Del Sol eram os talentos internacionais, enquanto Sandro Salvadore e Giampaolo Menichelli eram as estrelas entre os italianos.

Se não deu para a Juventus golear desta vez, a vitória por 1 a 0 sobre o esquadrão da Inter já valia muito, até pelas claras limitações dos bianconeri. O gol saiu logo aos 15 minutos. O goleiro Sarti soltou uma bola fácil dentro da área e permitiu que Menichelli aproveitasse o rebote, sem muitas dificuldades. Seria uma partida com sua dose de confusão, diante das expulsões de Del Sol e Burgnich aos 30 do segundo tempo. Porém, os nerazzurri não conseguiram uma reviravolta que sublinhasse sua força na época.

Maior vencedora da Copa da Itália, a Juventus soma 14 títulos, cinco deles desde 2015. Já a Inter pode desempatar com a Lazio como terceira maior vencedora, em busca de seu oitavo troféu. O sétimo veio em 2010, num intervalo de 12 anos sem os nerazzurri em finais. Também poderão tentar a revanche que não aconteceu contra os bianconeri desde 1965.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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