Copa da Itália
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Como foram as outras dez finais da Copa da Itália disputadas pela Fiorentina em sua história

A Fiorentina tem uma longa tradição em finais da Copa da Itália, com seis títulos e a consagração de importantes ídolos

A Fiorentina possui uma história respeitável na Copa da Itália. Nesta quarta-feira, os violetas disputarão sua final de número 11. Apenas Juventus, Roma e Internazionale jogaram mais vezes a finalíssima do torneio que a Viola. Além disso, com seis troféus, o clube de Florença está na quinta colocação entre os maiores vencedores – só abaixo de Juve, Roma, Inter e Lazio. A lista de glórias da Fiorentina na Coppa começa ainda na década de 1940 e permeia diversos momentos importantes da história do clube, assim como ídolos notáveis – a exemplo de Kurt Hamrin, Giancarlo Antognoni e Gabriel Batistuta. Abaixo, relembramos tal caminhada até mais uma final:

1939/40: Fiorentina 1×0 Genoa

A Fiorentina levou seu primeiro troféu na Copa da Itália ainda em 1940, na quinta edição do torneio a partir de sua organização regular. Foi uma campanha respeitável da Viola, que deixou pelo caminho adversários como Milan, Lazio e Juventus. Já a decisão aconteceu em casa, no atual Estádio Artemio Franchi. A Fiorentina garantiu a vitória por 1 a 0 para cima do Genoa, que possuía um elenco de nomes mais badalados na seleção local. Herói nas fases finais da campanha, Mario Celoria marcou o gol do título, embora o goleiro e capitão Luigi Griffanti também tenha sido decisivo por suas defesas. Entre os demais destaques da Viola estavam o defensor Giuseppe Bigogno e o atacante Romeo Menti. Já o técnico Giuseppe Galluzzi foi importante, além do mais, pela evolução tática que proporcionou naqueles tempos.

1958: Lazio 1×0 Fiorentina

A Fiorentina voltou à decisão da Copa da Itália num dos períodos mais importantes da história do clube, na virada dos anos 1950 para os 1960. A Viola vinha do Scudetto em 1955/56 e seria vice nas quatro temporadas seguintes. Também chegou à final da Copa dos Campeões em 1957, derrotada pelo Real Madrid. Aquela Copa da Itália representou mais um vice. Os violetas deixaram Padova e Bologna pelo caminho, mas não resistiram à Lazio na final. Maurilio Prini anotou o gol do título dos biancocelesti por 1 a 0, diante de 60 mil no Estádio Olímpico. E a ironia dolorosa é que, como a decisão só ocorreu em setembro de 1958, os laziali já eram dirigidos por Fulvio Bernardini, responsável pelo Scudetto da Fiorentina. Nomes cultuados como Giuliano Sarti, Sergio Cervato, Armando Segato, Miguel Montuori, Kurt Hamrin, Sergio Castelletti, Enzo Robotti e Giuseppe Chiappella faziam parte daquela equipe – todos membros do Hall da Fama da Viola. Julinho Botelho tinha saído pouco antes da final e não constou no momento principal.

1959/60: Juventus 3×2 Fiorentina

Mais um vice seria amargado pela Fiorentina em 1960. A equipe era dirigida pelo húngaro Lajos Czeizler. Já a forte base se mantinha com Sarti, Castelletti, Hamrin e Montuori, além da adição de Rino Marchesi no meio e do atacante brasileiro Dino da Costa. A Fiorentina superou nas fases classificatórias Como, Internazionale e Torino – este, num eletrizante 5 a 3 em plena semifinal. Todavia, o título seria da Juventus estrelada pelo trio John Charles, Omar Sívori e Giampiero Boniperti. A Velha Senhora ganhou num 3 a 2 heroico dentro de San Siro. John Charles abriu o placar aos dez minutos, mas Montuori e Dino da Costa viraram à Fiorentina no início do segundo tempo, antes que Sívori fosse expulso. O goleiro Giuseppe Vavassori fazia grande atuação para evitar que os violetas ampliassem a contagem. John Charles buscou o empate aos 28 do segundo tempo e, na prorrogação, com um a menos, os juventinos buscaram a taça com um gol contra de Alberto Orzan. Ao menos, a final teve consequências positivas à Fiorentina: como a Juve também ganhou o Scudetto, a Viola herdou a vaga na edição inaugural da Recopa Europeia. Foi campeã continental em 1961, em decisão vencida contra o Rangers.

1960/61: Fiorentina 2×0 Lazio

A volta por cima da Fiorentina na Copa da Itália, enfim, aconteceu em 1960/61. A Viola voltou a erguer a taça depois de mais de duas décadas, e com uma série de revanches. Depois de um insano 6 a 4 contra a Roma nas quartas de final, a equipe de Florença despachou a Juventus na semifinal por 3 a 1 e encarou a Lazio na decisão. Dentro do Estádio Communale de Florença, o atual Artemio Franchi, a Fiorentina anotou 2 a 0 para cima dos biancocelesti e levou o caneco. Gianfranco Petris abriu o placar logo aos quatro minutos, enquanto Luigi Milan ampliou a dez minutos do fim. Kurt Hamrin e Dino da Costa seguiam como referências estrangeiras, numa equipe na qual ainda estavam presentes nomes como Castelletti e Marchesi. Já no gol, uma novidade era o ascendente Enrico Albertosi. O técnico era ninguém menos que Nándor Hidegkuti, lenda nos tempos de atacante da seleção húngara, vice-campeão mundial em 1954. Além do título da Recopa Europeia faturado semanas antes, a Fiorentina seria vice do mesmo torneio na temporada seguinte, em decisão perdida contra o Atlético de Madrid.

1965/66: Fiorentina 2×1 Catanzaro

Na sequência da década de 1960, a Fiorentina não repetiu a mesma força dos anos anteriores, mas se mantinha entre os primeiros colocados da Serie A. E conseguiu adicionar outra taça ao seu museu em 1965/66, com o terceiro título na Copa da Itália. A campanha deixou pelo caminho Genoa, Palermo, Catania e Milan, até que a fortíssima Internazionale de Helenio Herrera fosse a vítima na semifinal. A decisão aconteceu contra o surpreendente Catanzaro, da segundona, algoz da Juventus na fase anterior. A Fiorentina ganhou por 2 a 1 no Estádio Olímpico, mas com suor. Hamrin abriu o placar e Giuseppe Marchioro empatou no início do segundo tempo. O gol decisivo só saiu no fim do segundo tempo da prorrogação, com Mario Bertini. Hamrin e Albertosi eram os remanescentes da glória anterior. Giancarlo De Sisti, Giuseppe Brizi, Ugo Ferrante, Mario Bertini, Claudio Merlo e Luciano Chiarugi davam mais força à equipe, todos no Hall da Fama do clube. O comando técnico também era de um velho conhecido, Giuseppe Chiappella. Três temporadas depois, os violetas conquistaram o Scudetto, num time que manteve a espinha dorsal e ainda contava com Amarildo no ataque.

1974/75: Fiorentina 3×2 Milan

A Fiorentina ainda compunha o pelotão de frente da Serie A, mas ficou seis anos sem troféus quando reconquistou a Copa da Itália em 1975. A campanha da Viola teve seu ponto forte no quadrangular semifinal, em que o time superou Torino, Roma e Napoli. Já a decisão teve vitória sobre o Milan, por 3 a 2, no Estádio Olímpico. Não foi o reencontro com nomes como Albertosi e Chiarugi do outro lado que incomodou os violetas. A partida movimentada começou com um gol contra de Gianfranco Casarsa para a Fiorentina, pouco antes que Alberto Bigon empatasse ao Milan. No segundo tempo, Vincenzo Guerini retomou a vantagem aos nove, mas Chiarugi fez valer a Lei do Ex e empatou de novo aos 20. O gol do título saiu dois minutos depois, graças a Paolo Rosi. Claudio Merlo era o elo com o time da Fiorentina campeão em 1966. Entre as novas estrelas estavam o goleiro Franco Superchi, o defensor Moreno Roggi e principalmente o meia Giancarlo Antognoni, grande lenda em Florença. Aquela Coppa tem um valor especial por ser exatamente a única taça de Antognoni em suas 15 temporadas pelo clube, recordista em jogos. O técnico era Mario Mazzoni, que suplantou Nereo Rocco na reta final da temporada.

1995/96: Fiorentina 2×0 Atalanta

A Fiorentina teve momentos importantes nos anos 1980, com um vice da Serie A muito contestado em 1981/82. Tempos depois, ainda chegou ao vice da Copa da Uefa em 1989/90, na dolorosa despedida de Roberto Baggio rumo à Juventus, algoz na final. Porém, foi só depois da passagem pela Serie B em 1993/94 que os violetas retornaram ao topo da Copa da Itália. O troféu seria inclusive um símbolo do período de reconstrução. Ascoli, Lecce, Palermo e Milan foram superados pela Viola em sua trajetória até a decisão, realizada em duas partidas na época. A Atalanta de Emiliano Mondonico não era a oponente mais intimidadora, também recém-promovida da segunda divisão, e a Fiorentina ganhou os dois jogos. Primeiro, Gabriel Batistuta garantiu o triunfo por 1 a 0 em Florença. Foi um lindo chute por cobertura do matador. Já em Bérgamo, os 2 a 0 tiveram gols de Lorenzo Amoruso e de novo Batigol, artilheiro daquela Coppa com oito tentos. Batistuta era a estrela óbvia da Viola. Francesco Toldo e Rui Costa eram outros dois grandes ídolos, enquanto Pasquale Padalino, Stefan Schwarz, Francesco Baiano e Massimo Orlando também merecem menção. O técnico era Claudio Ranieri, responsável pelo reerguimento em Florença. Na temporada seguinte, a conquista da Supercopa sobre o Milan também foi emblemática.

1998/99: Parma 2×2 Fiorentina

A temporada 1998/99 é mais lembrada pela campanha da Fiorentina na Serie A, em que liderou até o início do segundo turno e sofreu uma derrocada na reta final, acabando na terceira colocação. Porém, outro amargor sentido pela Viola foi o vice na Copa da Itália. A equipe não teve tantos desafios assim nas fases de classificação, contra Padova, Lecce, Atalanta e Bologna. O jogo mais duro ocorreu na decisão, contra um Parma fortíssimo. Mesmo assim, a taça só escapou dos violetas pelos gols fora. O jogo no Ennio Tardini teve empate por 1 a 1, com gol de Hernán Crespo para os gialloblù e o empate de Batistuta num rebote de Gianluigi Buffon. Já em Florença, os 2 a 2 deram a troféu ao Parma. Crespo abriu a contagem de letra, enquanto Tomás Repka (com assistência de Edmundo) e Sandro Cois até viraram para a Viola. Contudo, Paolo Vanoli anotou o gol do título dos visitantes a 20 minutos do fim. A Fiorentina tinha no banco de reservas Giovanni Trapattoni, um dos treinadores mais vitoriosos da história do futebol italiano, que liderou bons times em Florença. Era também a equipe do trio Batistuta, Edmundo e Rui Costa. A lista de coadjuvantes incluía Toldo, Repka, Moreno Torricelli, Jörg Heinrich e Luis Olivera.

2000/01: Fiorentina 1×1 Parma

A Fiorentina não demorou a dar sua volta por cima na Copa da Itália. A Viola reconquistou o título pela sexta vez em 2001, e com revanche contra o Parma na final, mesmo que o investimento da Parmalat se reduzisse nos gialloblù. Salernitana, Brescia e Milan foram os oponentes superados pela Viola em sua caminhada até a final. Já no Ennio Tardini, a vitória da Fiorentina por 1 a 0 logo na ida seria importantíssima para selar a taça posteriormente. O gol, de maneira irônica, foi anotado por Paolo Vanoli – o carrasco de dois anos antes, que agora vestia violeta e decidiu aos 42 do segundo tempo com uma cabeçada fatal. Já no Artemio Franchi, prevaleceu o empate por 1 a 1, suficiente aos anfitriões. Savo Milosevic anotou primeiro aos gialloblù, mas a conquista da Viola acabou garantida por Nuno Gomes, com uma linda assistência de Enrico Chiesa na infiltração. Se por um lado Batistuta e Edmundo não estavam mais em Florença, o time mantinha Rui Costa e Toldo como lideranças. Já entre os reforços que pintaram estavam Enrico Chiesa, Angelo Di Livio, Nuno Gomes, Predrag Mijatovic, Leandro Amaral e Amaral. O técnico era Roberto Mancini, que acabava de pendurar as chuteiras para iniciar sua trajetória na casamata. Substituiu Fatih Terim, que não deu certo na tentativa de ocupar o cargo de Trapattoni e perdeu o emprego no meio da temporada.

2013/14: Napoli 3×1 Fiorentina

Ainda nos anos 2000, a Fiorentina entrou em processo falimentar e precisou reiniciar sua trajetória na quarta divisão do Campeonato Italiano. Assim, o hiato nas finais da Copa da Itália era compreensível e se estendeu por 13 anos. A nova decisão aconteceu em 2013/14, num momento em que a Viola já tinha se acostumado a figurar entre os primeiros colocados da Serie A, batendo cartão nas copas europeias. A Viola eliminou Chievo, Siena e Udinese até alcançar a decisão no Estádio Olímpico de Roma, diante de 60 mil torcedores. O Napoli, porém, se impôs sem tantos problemas – e tinha realmente uma equipe mais forte, dirigida por Rafa Benítez. Lorenzo Insigne anotou dois gols antes dos 20 minutos, enquanto Juan Manuel Vargas descontou para a Fiorentina, a partir de um lindo passe de Josip Ilicic. No segundo tempo, nem a expulsão de Gökhan Inler auxiliou os violetas e o time esbarrava em Pepe Reina. Nos acréscimos, Dries Mertens fechou o placar e consagrou a vitória napolitana. A escalação da Fiorentina reunia figuras como Neto, Stefan Savic, David Pizarro, Alberto Aquilani, Borja Valero, Joaquín e Josip Ilicic. Mario Gómez era um desfalque sentido por lesão, enquanto Giuseppe Rossi ficou só no banco. Vincenzo Montella comandava a equipe.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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