Copa da Itália

Cavani, Lavezzi e Hamsik lideravam o Napoli, há 10 anos, a uma marcante conquista da Copa da Itália

Com o seu trio de virtuosos, o Napoli encerrou um jejum de 22 anos e reafirmou sua reconstrução após a falência

O Napoli viveu seu auge sob o talento de Diego Maradona, mas possui outros momentos memoráveis em sua história. O trio formado por Edinson Cavani, Ezequiel Lavezzi e Marek Hamsik, em especial, arranca suspiros dos torcedores napolitanos por representar uma reconstrução do clube. Depois de tempos incertos, de rebaixamento e bancarrota, os celestes se reergueram confiando naqueles três ases. E foram eles os protagonistas do título que, há uma década, encerrou o jejum que se estendia desde Maradona. Foram 22 anos sem taças, até que a Copa da Itália de 2011/12 ocupasse essa lacuna.

A Serie A de 1989/90 marcou o grand finale de Maradona e também o início das penúrias do Napoli. A sequência sem Diego ainda teria alguns bons momentos, com campanhas de meio de tabela e novos ídolos durante a década de 1990. Na virada do século, porém, os celestes se acostumaram com a mediocridade e amargaram dois rebaixamentos à Serie B, até que a falência acontecesse em 2004. O clube precisou se reconstruir a partir da terceira divisão e não demorou a retornar à elite, em 2007, depois de dois acessos em três anos. O investimento de Aurelio de Laurentiis era forte e a montagem da equipe também foi bem feita, logo rendendo bons papéis na Serie A.

Uma prévia sobre aquilo que o Napoli seria capaz de fazer veio em 2010/11. Terceiro colocado na Serie A, o time descolou uma vaga na Champions League. Desfrutava já naquela época de uma espinha dorsal que cresceu bastante desde o retorno à elite. Hamsik e Lavezzi chegaram logo em 2007/08, após o acesso, numa barca de reforços que custou €44 milhões. Outros como Christian Maggio, Morgan de Sanctis e Camilo Zúñiga foram apostas dos anos seguintes, até que Cavani chegasse em 2010/11 para virar vice-artilheiro da Serie A.

A vaga na Champions de 2011/12 garantiu mais um mercado abastado, que incluiu Gökhan Inler, Goran Pandev e Blerim Dzemaili. O time de Walter Mazzarri não fez feio no torneio continental, ao avançar junto com o Bayern de Munique num grupo que teve o Manchester City eliminado, antes de dar muito trabalho ao futuro campeão Chelsea nas oitavas de final. Já na Serie A, o nível de desempenho caiu com a quinta colocação, mas nada que desqualificasse o momento dos celestes. Porque, afinal, a Copa da Itália surgiria como grande recompensa.

O Napoli entrou diretamente nas oitavas de final e começou a campanha eliminando o Cesena. Vitória por 2 a 1, de virada no San Paolo, com gols de Cavani e Pandev. Desafio maior viria nas quartas, contra a então campeã Inter, ainda com vários remanescentes do time que faturou a Champions. Cavani resolveu de novo, com ambos os tentos no triunfo por 2 a 0. Já na semifinal, o Siena deu trabalho. Os bianconeri fizeram 2 a 1 na ida, com os napolitanos descontando com um gol contra aos 41 do segundo tempo. Fez diferença, já que os 2 a 0 em Nápoles selaram a classificação para a final. Cavani anotou mais um, enquanto o outro também foi contra.

Na decisão, o Napoli era o azarão. A Juventus vinha de uma campanha invicta na Serie A. Antonio Conte dirigia um time que ganhava força com Andrea Pirlo, Andrea Barzagli, Leonardo Bonucci, Claudio Marchisio e Arturo Vidal. Seria ainda uma partida especial para Alessandro Del Piero, em grande fase naquelas semanas, que disputaria seu último jogo com a camisa bianconera. Mas não que os celestes devessem ser menosprezados. Walter Mazzarri escalou seu 3-4-3 com Morgan De Sanctis no gol, além da defesa formada por Salvatore Aronica, Hugo Campagnaro e Paolo Cannavaro. O meio tinha Gökhan Inler e Blerim Dzemaili centralizados, além de Christian Maggio e Camilo Zúñiga nas alas. Mais à frente, Ezequiel Lavezzi e Marek Hamsik davam apoio a Edinson Cavani. Escalação de campeão.

Diante de 70 mil no Estádio Olímpico de Roma, o Napoli venceu por 2 a 0. Contou com seus protagonistas. Os celestes já foram mais perigosos na primeira etapa, mas sem passar por Marco Storari. Na segunda etapa, então, os gols vieram. O primeiro saiu aos 18, num pênalti cometido por Storari sobre Lavezzi. Cavani cobrou e estufou o barbante. A Juve pressionou e desperdiçou chances incríveis, parando em De Sanctis. O gol do título aconteceu aos 38, num contragolpe. Hamsik recebeu o passe de Pandev e bateu rasteiro. Deitou no gramado, às lágrimas, durante a comemoração. A taça iria para as mãos do capitão Paolo Cannavaro. Enquanto isso, a Velha Senhora amargava sua única derrota em toda a temporada.

Aquele Napoli ainda fez outras boas campanhas nas temporadas seguintes, mesmo que o PSG logo tenha levado Lavezzi e Cavani. A idolatria, porém, se basta com um grande momento. E a representatividade daquela Copa da Itália permanece mesmo dez anos depois. Foi o caminho encontrado para colocar aquele trio excepcional no alto do pódio, depois de períodos penosos aos napolitanos.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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