Copa da Itália

A reinvenção de Perisic é um dos grandes méritos desta Inter e a final da Copa da Itália deixa isso gravado na história

Decisivo semana após semana, Perisic resolveu para a Inter a prorrogação da final da Coppa contra a Juve

Quando Ivan Perisic voltou à Internazionale, em 2020, seu nome já estava consolidado entre os maiores jogadores croatas das últimas décadas. O ponta viveu momentos marcantes especialmente na Alemanha (por Dortmund, Wolfsburg e Bayern), além de ter sido decisivo para que a Croácia disputasse a final da Copa de 2018. Sua primeira passagem por Milão tinha sido boa o suficiente, mas existiam dúvidas se o veterano seria aproveitado por Antonio Conte. As interrogações ficaram para trás com a reinvenção de Perisic como ala. E o desempenho do ponta se alavanca ainda mais com Simone Inzaghi. A atual temporada talvez seja a melhor da carreira do jogador de 33 anos. Prova disso veio com o protagonismo na conquista da Copa da Itália, com dois gols nos 4 a 2 para cima da Juventus.

Perisic sempre se caracterizou como um ponta incisivo e habilidoso, bem como capacitado para marcar muitos gols. Foi assim que o croata ofereceu seu melhor aos clubes e à seleção. A própria Inter se aproveitou disso, já que as temporadas mais prolíficas de Perisic aconteceram pelos nerazzurri, entre 2016/17 e 2017/18. O atacante seguia rendendo bem até Conte chegar. Todavia, o treinador não gostou do rendimento do veterano na pré-temporada e admitiu publicamente sua frustração na tentativa de deslocá-lo em seu sistema. Em agosto de 2019, o empréstimo ao Bayern parecia encerrar a história do croata em Milão.

A estadia de Perisic na Alemanha fez muito bem ao seu futebol. O ponta retornou ao país onde viveu grandes momentos e seria importante ao Bayern. Foi uma segura peça na rotação do ataque e até participou de vários jogos como titular na conquista da Champions League, em especial na reta final. Apesar disso, os bávaros não entraram em acordo com a Inter pela compra permanente. Perisic retornou ao San Siro e, com contrato, teria que trabalhar com Conte.

Neste momento, Perisic apresentou também sua dedicação e conseguiu uma melhor transição como ala. Começou a temporada nessa condição e representou uma importante arma à Inter. Não era tão participativo quando Achraf Hakimi do outro lado, mas fechou a temporada do Scudetto como uma grata surpresa – sobretudo pelo empenho defensivo. Além do esforço para desarmar os adversários, também marcou gols, deu assistências e acumulou boas atuações para se tornar titular absoluto no setor. A história do croata em Milão tinha seu recomeço.

Já na atual temporada, de mudanças na Inter, Perisic subiu na escala de responsabilidades. Simone Inzaghi manteve o moral do ala esquerdo e ele passaria a ser mais acionado para decidir partidas. Seu rendimento é altíssimo e, sem Hakimi, a equipe passou a pender mais para o lado esquerdo. O camisa 14 foi decisivo em diversas partidas da campanha na Serie A, inclusive em jogos grandes. Já nas últimas semanas, deslanchou de vez pelos gols e assistências. É um dos mais capacitados a desequilibrar e passou a chamar mais o jogo para si num momento em que o desempenho dos interistas se tornou mais inconstante.

A final da Copa da Itália, enfim, também desembocaria numa montanha-russa para a Internazionale. O time abriu o placar cedo, cedeu a virada para a Juventus e precisou buscar o novo empate para forçar a prorrogação. Especialmente a partir da entrada de Federico Dimarco, que passou a auxiliá-lo e a soltá-lo, Perisic de novo foi o homem que fez a diferença para os nerazzurri – justo durante o primeiro tempo extra. Primeiro cobrou um pênalti com maestria. Depois, sacramentou o resultado em 4 a 2, com uma pintura em chute colocado. Nem foi sua melhor atuação no geral durante as últimas semanas, um pouco menos participativo ao longo dos 90 minutos regulamentares. Todavia, seria a mais decisiva, e valendo taça.

Perisic recebeu o prêmio de melhor em campo na final, merecidamente. E saiu sem esconder sua insatisfação com a diretoria da Inter. O clube demorou para procurar o croata e negociar sua renovação contratual. Pior, ainda ofereceu um salário menor. A idade pode até sugerir essa redução, mas o futebol do camisa 14 pede um aumento. É ver se irão considerar isso e ter um mínimo de bom senso. Caso contrário, o veterano de 33 anos será um excelente nome solto no mercado de transferências.

Não é exagero dizer que Perisic segue com espaço na maioria absoluta dos clubes europeus. A maneira como se encaixou no poderoso Bayern de Hansi Flick é uma prova. Pode nem chegar para ser titular. Todavia, é um cara de elenco e que sempre corresponde quando vai a serviço. A própria Inter mostra como ele segue com gás para resolver partidas grandes. Aconteça o que acontecer, sua temporada estupenda já fica marcada pela forma como definiu a conquista da Copa da Itália.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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