Itália

Bola rolando

Os amistosos de pré-temporada são uma maneira de envolver rapidamente os jogadores no trabalho de preparação, evitando o tédio que seria provocado por um trabalho exclusivamente físico, e ainda ajudam os treinadores a fazer os primeiros testes sobre as táticas que pretendem adotar nas competições a seguir.

Neste primeiro momento, mais importante que a análise dos resultados é a observação da adequação dos esquemas e do rendimento individual dos jogadores.

Inter: empate e muitos testes

No empate por 1 a 1 com o América do México, na cidade californiana de Palo Alto, a Internazionale foi bastante exigida. Os mexicanos atuaram como se estivessem em uma partida oficial, o que levou o jogo a ficar mais duro sobretudo no segundo tempo, com expulsões dos dois lados (Esqueda, pelo América, e o jovem Obi, pela Inter).

José Mourinho observou vários esquemas ao longo da partida. Começou sem Ibrahimovic, já com a cabeça em Barcelona, e a princípio testou o time no que deveria ser um 4-3-3, mas, pelas características dos jogadores, funcionou mais como um 4-1-4-1. Cambiasso à frente da defesa, Thiago Motta e Muntari bem adiantados, e apoiados nas pontas por Quaresma e Stankovic. No comando do ataque, Milito. O jovem goleiro Belec ganhou a chance de começar jogando, e na defesa formaram Santon e Chivu nas laterais, Córdoba e Materazzi na zaga.

Com esta formação, a boa notícia foi o rendimento de Thiago Motta. O brasileiro garante volume de jogo e qualidade no passe, e chega bem ao ataque quando a equipe avança em bloco. O outro ex-genoano, Milito, participou bem da partida, chamando a bola e finalizando com perigo em pelo menos duas oportunidades.

Muntari deixou o campo após meia hora, dando lugar a Balotelli, que permitiu a formação de um 4-3-3 de fato, com Quaresma e Milito. No decorrer do segundo tempo, saíram Quaresma e Motta para as entradas de Ibrahimovic e Mancini, o que deixou o time em um 4-4-2 disfarçado de 4-2-4, já que Mancini e Balotelli passaram a cobrir as alas.

Quaresma, enquanto esteve em campo, não deu nenhum sinal de que poderá ser um jogador diferente daquele que decepcionou no ano passado. Disperso na maioria das jogadas, ainda falhou defensivamente ao deixar Silva escapar de sua marcação no escanteio que resultou no gol mexicano.

Com a chegada de Eto’o para o lugar de Ibrahimovic praticamente definida, resta solucionar a questão sobre o esquema definitivo. Será o camaronês adequado para jogar em um 4-4-2 ao lado de Milito? Ou Mourinho se arriscaria novamente em um 4-3-3, com Balotelli completando o trio? A primeira opção parece mais viável, já o time ainda pode ganhar em qualidade com a entrada de Hleb, outro que chegará do Barcelona na transação de Ibra. Na zaga, Lúcio como titular parece uma garantia.

Nesta terça, a Inter enfrenta o Chelsea, marcando o reencontro de Mourinho com o ex-técnico milanista Carlo Ancelotti, com quem trocou várias farpas na última temporada.

Milan: sempre Inzaghi

Dzeko, Adebayor, Luís Fabiano… Todos estes nomes passaram pela pauta do Milan nos últimos dias, enquanto o inesgotável Inzaghi continua balançando as redes. Foi assim mais uma vez no empate por 2 a 2 com o Los Angeles Galaxy, no último domingo, quando ele jogou os 45 minutos finais e marcou o segundo dos rossoneri.

Se Pippo fosse mais jovem e tivesse condição de atuar sempre, os milanistas poderiam nem pensar na contratação de um novo atacante. Mas não é o caso, e Leonardo segue esperando um centroavante para completar seu elenco. O Sevilla segue irredutível em pedir no mínimo € 20 milhões por Luís Fabiano, um valor que o Milan não se mostra disposto a alcançar.

A escalação inicial confirmou a preferência de Leonardo pelo 4-3-3, com dois homens protegendo a defesa (Flamini e Ambrosini) e um terceiro encostando mais nos atacantes (Seedorf). No trio ofensivo, Borriello foi observado como homem de área, com Ronaldinho pela esquerda e o garoto Di Gennaro pela direita. Na defesa, espaço para Oddo e Jankulovski nas laterais, enquanto na zaga Nesta e Thiago Silva ganhavam mais uma oportunidade para buscar entrosamento. No gol, Kalac e Storari jogaram um tempo cada.

Em uma noite marcada por protestos da torcida do Galaxy contra David Beckham, quem agradou o público local foi Ronaldinho, com os habituais lampejos e lances de efeito. Para o Milan, a principal notícia sobre o brasileiro foi o fato de ter atuado os 90 minutos com um ritmo razoável, apesar de o time ainda não ter alcançado a velocidade de jogo que Leonardo exige.

As dificuldades causadas pelo ataque do Galaxy mostraram que, apesar de o Milan ter dois zagueiros de alto nível técnico, será preciso mais tempo para que eles ganhem ritmo de competição. É compreensível, já que Nesta passou toda a última temporada fora, com problemas nas costas, e Thiago Silva jogou apenas amistosos desde janeiro. De qualquer forma, o brasileiro mostrou ser uma arma interessante também no ataque, marcando o primeiro gol de cabeça após a falta cobrada por Di Gennaro.

O Milan segue nos Estados Unidos para participar do torneio amistoso que ainda tem América-MEX, Chelsea e Inter. O time enfrenta os mexicanos nesta quarta-feira.

Juventus: reforços esperam

A expectativa pela Juventus de Diego e Felipe Melo se manterá por mais alguns dias. O meia, ex-Werder Bremen, ainda se recupera de problemas físicos, enquanto o volante da Seleção Brasileira se juntará posteriormente ao trabalho, já que esteve na Copa das Confederações. Assim, nenhum deles esteve no empate por 1 a 1 do último domingo contra o Nancy, marcando as comemorações do centenário do clube francês, onde começou a jogar Michel Platini.

Platini, atual presidente da Uefa e um dos maiores jogadores da Vecchia Signora em todos os tempos, assistiu à partida e viu Ciro Ferrara preparar a Juventus já no esquema que acomodará os dois novos reforços: o 4-3-1-2.

Del Piero fez a função que será de Diego, apoiando um ataque formado por Amauri e pelo jovem Immobile, destaque do último torneio de Viareggio. A vaga de Felipe Melo foi ocupada por Poulsen, que ainda não sabe se permanecerá em bianconero. Completando o meio-campo, Zanetti e Tiago. A zaga, esperando por Cannavaro e Chiellini, teve Grygera e Ariaudo, enquanto as laterais (aparentemente o calcanhar de Aquiles da equipe) ficaram a cargo de Zebina e Salihamidzic.

Immobile deu indicações de que pode ser bem utilizado por Ferrara, fazendo a jogada do gol de Amauri logo aos 8 minutos de jogo. Por outro lado, Zebina falhou no empate dos donos da casa, marcado por Ouaddou pouco antes do intervalo.

No veredito de Ferrara, a marcação juventina não foi firme o suficiente, e o time abusou dos lançamentos quando teve a bola no pé, em vez de colocá-la no chão e valorizar a posse. Dois quesitos em que os reforços cairão bem.

Roma: ao ataque!

O técnico Luciano Spalletti, assim como a torcida da Roma, não está satisfeito com o elenco oferecido pela diretoria, que resiste às pressões pela venda do clube. Trabalhando com o que tem em mãos, Spalletti ousa e arma a equipe em um ousado 4-2-4, contando com o sacrifício dos homens de frente na recomposição da marcação.

No empate por 2 a 2 com o Blackburn, na última quinta-feira, Spalletti apostou em Taddei aberto pela direita e em Guberti, ex-Bari, na esquerda. O ataque teve Totti ao lado do jovem Okaka, enquanto Vucinic aguarda definições sobre seu futuro. A dupla Pizarro-Brighi ficava encarregada de segurar a onda no meio-campo. Ainda sem Juan, o técnico voltou a observar Riise como zagueiro, formando parceria com Mexès, enquanto Cassetti e o português Antunes ocupavam as laterais. No gol, o brasileiro Artur, confirmado na posição enquanto Doni se recupera de cirurgia.

A Roma é o time italiano que tem mais urgência para encontrar sua forma de jogar, já que no fim do mês tem compromisso pela Liga Europa (provavelmente contra os belgas do Gent). Durante o primeiro tempo, o esquema funcionou bem, sobretudo graças à disposição de Pizarro e Brighi, especialmente este último, nos desarmes.

Artur foi outro destaque positivo: sem culpa nos gols, fez boas defesas e ainda brilhou na vitória nos pênaltis pelo troféu que estava em disputa. Em compensação, Riise balançou as redes uma vez, mas voltou a se mostrar inadequado à função de zagueiro: falhou em um dos gols do Blackburn e demonstrou insegurança.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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