Itália

Bem mais próximos

O Milan apresentou o melhor futebol da primeira rodada da Serie A, goleando inapelavelmente o Lecce por 4 a 0, em San Siro. A fragilidade do adversário, recém-promovido e com muito trabalho a fazer para evitar um retorno imediato à segunda divisão, não permite tirar grandes conclusões sobre as forças do time agora dirigido por Massimiliano Allegri. De qualquer maneira, o outro fato importante do fim de semana é garantia de um salto de qualidade dos rossoneri.

Zlatan Ibrahimovic é um dos maiores jogadores da história recente do futebol italiano. Foi campeão, tapetões à parte, nas cinco temporadas que disputou da Serie A. É um dos poucos capazes de decidir jogos – e campeonatos – sozinho, como bem demonstrou sob Mancini e Mourinho na Inter. Será a referência de um tridente respeitável, ao lado de Ronaldinho e Pato.

A partida contra o Lecce serviu para Ronaldinho mostrar que os quilos acumulados durante as férias já foram descartados, e sobretudo que sua vontade de brilhar nos grandes palcos da Europa não arrefeceu, como poderia se imaginar em função de suas conversas com clubes brasileiros nos últimos meses. Suas jogadas de efeito serviram para o time, e não apenas para os videoclipes, e a disposição em ajudar no trabalho sem a bola foi maior do que a vista na última temporada.

Pato, por sua vez, começou com dois gols de quem conhece o ofício, repetindo a estreia da temporada passada, contra o Siena. Para o jovem brasileiro, o maior desafio será se manter livre das lesões que o impediram de ter continuidade no último campeonato. Com a mobilidade de Ibrahimovic, os dois poderão abrir espaços mutuamente, permitindo que a cria do Internacional jogue mais próximo do gol adversário.

O meio-campo ganhou uma nova opção com Boateng, que mostrou vitalidade e, caso mantenha o temperamento sob controle, pode ser uma peça fundamental para ajudar no revezamento, importante pela idade avançada de seus colegas. A princípio, o setor seguirá composto por Ambrosini, Pirlo e Seedorf. Gattuso ficaria relegado a sexta opção, considerando ainda Flamini, mas parece mais ciente de seu papel limitado e não deve criar caso.

Com o miolo defensivo garantido por Nesta e Thiago Silva, o calcanhar de Aquiles continua nas laterais. Bonera e o recém-chegado Papastathopoulos podem atuar pela direita, mas nenhum deles é natural da posição, a exemplo de Abate. Antonini, na esquerda, é um jogador nota 6. Zambrotta e Jankulovski são jogadores na descendente. No gol, Abbiati não é um fenômeno, mas é confiável, agora com a sombra de Amelia.

E Robinho?

Há, porém, o fato novo do fechamento da janela: a chegada de Robinho. O brasileiro, que ainda não conseguiu mostrar o futebol que se esperava dele – e que mostra em alguns momentos na Seleção Brasileira – nos clubes europeus que defendeu, tem a terceira chance de vingar no continente. A questão é se chegaria para ser titular. É incabível imaginar Ronaldinho, Pato ou Ibrahimovic saindo do time.

Uma solução proposta seria o 4-2-3-1, com Ibrahimovic à frente e uma linha formada por Pato, Ronaldinho e Robinho. No papel, muito bonita. Mas no trabalho sem a bola, impraticável. Especialmente porque um dos volantes, Pirlo, é pouco marcador. Difícil imaginar que o armador vá para o banco.

O mais lógico seria Robinho sentar no banco e entrar no decorrer das partidas. Ou, obviamente, quando um dos titulares não puder atuar. O problema é se o treinador ceder a uma possível (provável?) pressão de Berlusconi para escalar o trio brasileiro ao lado de Ibrahimovic.

De um jeito ou de outro, o desafio de Allegri será dar equilíbrio a um time que, por sua formação será naturalmente voltado ao ataque. Assim, será possível deitar e rolar em jogos contra times frágeis como o Lecce, mas ter chances também nos grandes jogos – inclusive nos dérbis contra a Internazionale, que Ibrahimovic deve aguardar com naturalidade.

A principal dúvida criada pela contratação do sueco é justamente essa: o Milan será capaz de dar um passo suficiente para reduzir de forma considerável sua desvantagem em relação aos nerazzurri, evidente nas últimas campanhas? Talvez a diminuição da distância se dê não apenas por mérito milanista.

Por mais que seja cedo para alarmismos, é impossível não ficar com a pulga atrás da orelha depois das duas últimas atuações da equipe de Rafa Benítez – a derrota por 2 a 0 para o Atlético de Madrid, pela Supercopa europeia, e o empate por 0 a 0 com o Bologna, pela primeira rodada da Serie A. O elenco da Inter é disparado o melhor da Itália, mas só isso pode não bastar se desempenhos semelhantes se repetirem.

Que alguns jogadores ainda não recuperaram a forma alcançada na temporada mais vitoriosa da história do clube, parece evidente. Sobretudo Diego Milito, que parece bastante atrasado na preparação. No entanto, apesar de as peças serem as mesmas, Benítez parece disposto a dar sua filosofia de jogo ao time. Seja ou não fruto de sua vaidade e briga de egos com Mourinho, o espanhol mudou pontos importantes, como o posicionamento da defesa, agora mais distante da própria área.

Além das questões táticas, o time não pareceu tão faminto em campo, com a mesma raiva de antes. Um fato mais preocupante que o resultado em si, já que as três últimas campanhas na Serie A começaram com empates e terminaram em título. Talvez uma ascensão do rival seja o fato necessário para despertar nos nerazzurri o desejo de manter o domínio na Serie A e buscar um inédito hexacampeonato. Um título que, até que provem o contrário, está mais para ser perdido pela Inter do que ganho por outros.

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Equipe Trivela

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