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Wolverhampton resgata seu passado para ruir de vez a semana (e talvez a temporada) do Liverpool

Houve uma época em que o Wolverhampton era temido. Não por acaso: ganhou três vezes o Campeonato Inglês nos anos cinquenta e, quando bateu o Honvéd de Puskás, foi responsável por resgatar um pouco do orgulho de seus compatriotas, fundadores do futebol, cuja seleção havia sofrido duas pesadas derrotas recentes – para os Estados Unidos, na Copa de 1950, e para a Hungria, em Wembley. A vitória sobre os húngaros motivou os jornais a proclamá-lo “campeão do mundo”, levantando a ideia de que seria necessário um torneio que ultrapassasse as fronteiras dos países para tirar isso a limpo. Foi a semente da Copa dos Campeões. No entanto, rebaixado da primeira divisão inglesa em 2012, faz tempo que o Wolverhampton não incomoda ninguém. Até resgatar um pouco do seu passado glorioso e eliminar o Liverpool da Copa da Inglaterra, em Anfield, neste sábado.

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Desde o rebaixamento, foi apenas a segunda vez que o Wolverhampton cruzou com os grandes, e a experiência anterior não foi muito boa: em setembro de 2012, levou 6 a 0 do Chelsea, na terceira rodada da Copa da Liga Inglesa. A última boa campanha na Copa da Inglaterra, que venceu quatro vezes, foi na temporada 2002/03, justamente quando conseguiu o acesso para disputar a Premier League pela primeira vez, depois de 19 anos relegado às divisões inferiores. Chegou às quartas de final, com direito a eliminar, na terceira rodada, um Newcastle que tinha Alan Sherer, disputava competições europeias e terminou o Campeonato Inglês em terceiro. Agora, chega à quinta rodada da FA Cup pela primeira vez desde 2008 e, no processo, coloca a pá de cal em uma semana que deu golpes críticos na temporada do Liverpool.

O time de Jürgen Klopp já vinha claudicante. Deixou a vitória contra o Sunderland escapar nos minutos finais, mas havia a desculpa de a partida ter sido disputada apenas dois dias depois de uma dura vitória sobre o Manchester City. Empatou com o Plymouth, da quarta divisão, um tropeço chato e não tão raro assim para os grandes que, como o Liverpool, usam jovens e reservas nas primeiras rodadas da Copa da Inglaterra. Ficou no 1 a 1 com o Manchester United, em Old Trafford, resultado normal. E venceu o Plymouth, no replay, por apenas 1 a 0, a única vitória do clube desde aquela contra o City. Uma sequência de cinco resultados – e, principalmente, desempenho – ruins que tinha justificativas aceitáveis. O que vem a seguir, porém, não tem qualquer desculpa.

Três jogos em casa e três derrotas. Coutinho, que era ausência por lesão, jogou os três. Os adversários variaram do fraco ao razoável, e o Liverpool perdeu de todos. Foi derrotado pelo Swansea, 17º colocado da Premier League, e ficou a dez pontos da liderança, praticamente sem chances de ser campeão inglês pela primeira vez desde 1990; não conseguiu reverter a derrota por 1 a 0 no jogo de ida da semifinal da Copa da Liga Inglesa e ainda levou um gol do Southampton no contra-ataque, nos últimos minutos; e, neste sábado, foi eliminado precocemente da Copa da Inglaterra para o Wolverhampton que, com toda sua história, ainda é o 18º colocado da segunda divisão.

E o Wolverhampton nem suou. Abriu o placar no primeiro minuto de jogo, expondo mais uma vez a fragilidade da defesa do Liverpool na bola área e diante de um Loris Karius que parece incapaz de sair do gol nesse tipo de jogada. Ampliou para 2 a 0 em contra-ataque, enquanto Joe Gomez tentava desentortar o seu corpo, enganado pelo passe em profundidade de Hélder Costa, autor de duas assistências neste sábado, e Connor Randall pedia impedimento. Klopp colocou, em vão, Coutinho, Sturridge e Emre Can em campo para tentar a virada, e conseguiu apenas descontar, com Origi, já aos 41 minutos do segundo tempo.

As duas chances mais reais de título do Liverpool na temporada – as duas copas nacionais – voaram pela janela em questão de quatro dias. Um pouco antes, a derrota para o Swansea havia aproximado do impossível a possibilidade de o time ser campeão da Premier League. O próximo jogo é a famosa faca de dois gumes: pode mostrar força, vencer o líder Chelsea e tentar salvar o pouco que resta da temporada ou aprofundar-se ainda mais na crise. De um jeito ou de outro, é sem dúvida o pior momento do reinado de Klopp em Anfield.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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