Inglaterra

Winks se espelhava em Modric na base do Tottenham. Anos depois, brilhou contra o ídolo no Bernabéu

Enfrentar o meio de campo do Real Madrid não é das missões mais simples. Deve ser um tanto quanto incômodo saber que você ficará à mercê da genialidade de Luka Modric e Toni Kroos. Harry Winks, porém, não sentiu o peso do fardo nesta terça-feira. Apesar da posse de bola massiva dos merengues, o volante de 21 anos teve papel fundamental no excelente trabalho defensivo do Tottenham no Santiago Bernabéu. A pouca experiência ou a falta de sequência não foram impeditivos para Mauricio Pochettino apostar no jovem, formado nas categorias de base. E ele terminou o jogo da Liga dos Campeões como um dos melhores em campo, auxiliando a sua equipe a voltar para casa com o empate por 1 a 1 – que, não fossem os goleiros, poderia ter terminado com vitória a qualquer dos lados.

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Após o jogo, Winks falou sobre a sua tarefa no Bernabéu. E afirmou que ela tinha um valor ainda mais especial, com o seu ídolo do outro lado. Torcedor do Tottenham desde a infância, Winks tinha cinco anos quando começou a frequentar as categorias de base do clube. Aos oito, os Spurs contrataram Modric junto ao Dinamo Zagreb. Então, o garoto teve em quem se espelhar durante a sua formação, acompanhando-o de perto até 2012, quando o croata se transferiu para o Real Madrid.

“Quando eu estava nas categorias de base, sempre observava Modric nos jogos em White Hart Lane. Eu continuo admirando seu futebol, ele é um jogador fantástico, um dos melhores do mundo. Jogar contra ele foi especial. Ele e Kroos servem de inspiração para mim, então, quando você vai a campo, é fácil ficar um pouco intimidado com isso. Mas eu sempre tentei não focar nisso, tratar como outro jogo qualquer e lidar com eles como faria com qualquer outro jogador. Ao estar em campo com eles, você percebe a qualidade e quão bons eles são”, declarou Winks.

Neto de espanhóis, Winks já declarou seu apreço por La Liga e teve seu nome especulado na Roja, embora reafirme seu sentimento como inglês. O jovem passou por todas as categorias de base da seleção desde o sub-17, estreando pelo time principal da Inglaterra nesta Data Fifa, contra a Lituânia. Além disso, o jogo diante do Real Madrid trazia outras lembranças a Winks. No último encontro entre os dois clubes em White Hart Lane, o adolescente – então com 15 anos – havia carregado a bandeira da Uefa para dentro do campo. Seis temporadas depois, seu lugar foi bem distinto, disputando bolas com muitos daqueles que admirou em 2011.

Também na saída de jogo, Winks recebeu os elogios de Danny Rose. Um enorme incentivo para a sequência de sua carreira: “Estou maravilhado com o time, em particular com Harry Winks. Ele provavelmente foi nosso melhor jogador e merece tudo isso. Ao longo dos últimos anos, ele se saiu muito bem e este é o resultado. Nós estamos orgulhosos por cada um, o técnico está orgulhoso por nós”.

Winks soma 27 partidas pela Premier League, apenas cinco como titular. Já nesta temporada, somando todas as competições, ele entrou em campo nove vezes, cinco desde os primeiros minutos. Cada vez mais, se firma como uma solução caseira de Pochettino. E que pode corresponder nas situações de maior pressão.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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