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Wimbledon dá lição aos grandes e cobra preço de quarta divisão para duelo com o Liverpool

O Wimbledon está apenas na quarta divisão inglesa, o que faz de seu encontro com o Liverpool, no dia 3 de janeiro, pela Copa da Inglaterra, uma oportunidade rara de enfrentar uma das equipes mais fortes e tradicionais do país. Motivo suficiente para cobrar aquela pequena fortuna nos ingressos e capitalizar bastante, não é mesmo? Bom, não para o time londrino. Apesar do caráter único do duelo, a diretoria do clube decidiu manter o preço fixo entre £ 4 e £ 24 para as entradas, mesmos valores que cobra quando a equipe tem um Morecambe ou um Cheltenham da vida pela frente.

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Com uma capacidade de apenas 4720 pessoas no Estádio Kingsmeadow e uma torcida apaixonada, o time bem que poderia procurar o caminho mais lucrativo financeiramente, mas isso iria um pouco contra a própria identidade da agremiação. O AFC Wimbledon é um time criado por torcedores do Wimbledon original, insatisfeitos com a mudança do clube para Milton Keynes, onde, desde 2004, joga com o nome de MK Dons. Com alguma dificuldade, mas muita perseverança, a equipe tem subido na pirâmide de divisões inglesa e, 12 anos após seu surgimento, já figura no quarto escalão.

Com a manutenção do preço dos ingressos no nível das partidas de quarta divisão, o Wimbledon deverá arrecadar cerca de £ 60 mil, sendo que ainda tem que repassar parte desse montante para a FA e para o próprio Liverpool. Por outro lado, já tem garantidos £ 144 mil de direitos de televisão, já que a partida é uma das selecionadas para serem transmitidas na TV.

Em um tempo em que os preços exorbitantes, sobretudo da Premier League, têm revoltado torcedores, a atitude do Wimbledon é bastante elogiável. E ganha ainda mais simbologia quando o confronto é justamente contra o Liverpool, cuja torcida tem sido uma das que mais levantaram sua voz em insatisfação com o processo de elitização do futebol inglês. Só nessa temporada, o Anfield já foi palco de pelo menos três protestos dos torcedores, como no duelo com o Stoke, com a levantada de uma faixa criativa, que reapareceu na rodada passada, contra o Sunderland.

É natural que, quanto maior o clube, maior seja a distância entre seu comando e os torcedores, e que times como o Wimbledon tenham contato próximo com suas torcida – sobretudo se foi ela própria quem o criou, de alguma forma. Ainda assim, a lição dada pela pequena equipe, de ter como prioridade a experiência de quem o sustenta, em vez da pura racionalização do lucro, pode servir para equipes do primeiro escalão.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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