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Willian tem a segunda chance que precisava exibir para seu talento

Willian viveu o melhor momento da carreira há pouco mais de seis meses. O meia brasileiro foi o protagonista do Shakhtar Donetsk na ótima campanha da equipe na primeira fase da Liga dos Campeões e acabou apontado pela Uefa como o melhor daquela etapa da competição. Somado sucesso com o senso de oportunidade, o camisa 10 solicitou sua transferência. Acabou no Anzhi, único disposto a pagar o valor da rescisão do contrato, em um negócio que também contou com um pouco de má vontade dos ucranianos.

Em suas entrevistas após o acerto, Willian não lamentou a mudança. No entanto, o negócio parecia bastante desvantajoso ao meia em curto prazo. Ele sairia do radar da seleção brasileira e dos holofotes da Liga dos Campeões, enquanto adiava a transferência para um grande centro do futebol europeu, algo que parecia iminente. A melhora significativa vinha no salário e nas perspectivas para o futuro, com Willian em uma liga melhor e em um clube teoricamente em ascensão, diante dos altos investimentos de Suleyman Kerimov.

Bastou que o Anzhi tivesse uma sequência de resultados ruins para que o magnata cansasse de seu brinquedo e promovesse um desmanche na equipe. Seis meses depois da contratação por € 35 milhões, Willian foi colocado na lista de transferíveis do clube russo. A chance de defender um clube de renome na Europa, que provavelmente só teria dentro de dois anos ou mais, caso Kerimov não mudasse de ideia sobre sua fortuna e algum clube estivesse disposto a bancar a suposta valorização do jogador.

O negócio não será tão simples

O problema é que o Anzhi não pedirá pouco pela venda de Willian. Os russos devem buscar os mesmos € 35 milhões gastos com o meia, um valor que a maioria se recusou a pagar há seis meses. Ao menos o salário de Willian não é tão alto para os padrões das principais ligas do continente, estimado em € 2,5 milhões anuais. Ainda assim, algum clube terá todo esse dinheiro para gastar de supetão, nas próximas três semanas?

O momento em que Willian foi disponibilizado no mercado não é favorável. A maioria dos clubes com dinheiro já gastou o que podia nesta janela de transferências. Não à toa, as especulações mais fortes envolvem o Manchester City, interessado anteriormente no meia e cujos milhões de seu xeique parecem infinitos, bem como Liverpool e Tottenham, com perspectivas de lucrarem alto até o fim da janela, caso as transações de Luis Suárez e Gareth Bale sejam concluídas.

Pelas circunstâncias que se desenham, o Tottenham surge como destino ideal a Willian. O meia atua na mesma posição que Bale, embora o estilo de jogo dos dois seja distinto – o brasileiro é melhor armando do que concluindo, além de ser menos intenso que o galês. Pensando no mercado atual é difícil imaginar outro substituto tão credenciado. Se os londrinos aceitassem os € 100 milhões oferecidos pelo Real Madrid, poderiam fechar o negócio com o Anzhi e ainda guardar € 65 milhões.

Aos 25 anos, Willian tem ótimas perspectivas. Bem melhores do que se cumprisse as quatro temporadas restantes de contrato com o Anzhi. A um ano da Copa do Mundo, a venda também seria excelente diante das perspectivas de convocação à seleção, algo que não acontece desde novembro de 2011. Felipão já tinha indicado observar o atleta na Rússia e a situação deverá ser facilitada na Inglaterra ou outro grande centro. Willian tem talento de sobra. E agora tem uma segunda chance para não deixá-lo escondido.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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