Europa

Estagnado: o que Willian perdeu ao seguir para o Anzhi?

Especulado por grandes clubes europeus, Willian protagonizou a maior transferência do último dia de mercado. Porém, o meia que vinha causando estragos na Liga dos Campeões se manterá longe da badalação por algum tempo. O Shakhtar Donetsk liberou o brasileiro ao Anzhi, depois que os russos pagaram € 35 milhões pela rescisão de contrato.

O Shakhtar já tinha indicado portas abertas para a venda de Willian no início da temporada, quando acertou a contratação de Taison por € 15,2 milhões. Destaque do Metalist Kharkiv, o ex-colorado atua exatamente na mesma posição do ex-corintiano, aberto pela ponta esquerda no 4-2-3-1. Além disso, a ausência de Willian em torneio amistoso contra o Zenit, nesta semana, dava outro sinal do fim da história do meia no clube. Apenas o desfecho é que causou surpresa.

A troca, em si, valeu a pena?

Comparando Shakhtar Donetsk e Anzhi, a troca de Willian tende a ser desvantajosa apenas em curto prazo. Apontado pela Uefa como melhor jogador da primeira fase da Liga dos Campeões, o meia deixa as oitavas de final da competição, onde os ucranianos deveriam fazer jogo parelho contra o Borussia Dortmund. Agora, disputará a Liga Europa, na qual o Anzhi espera uma ascensão para legitimar as fortunas de Suleyman Kerimov.

Em Donetsk, Willian era o craque de um time forte, bem montado por Mircea Lucescu, e mantinha a hegemonia no Campeonato Ucraniano. Já em Makhachkala, o brasileiro encontrará uma equipe ainda em processo evolutivo, atualmente sob o comando de Guus Hiddink e estrelada por Samuel Eto’o. Não terá vida tão fácil no Campeonato Russo, mas ao menos encontrará um campeonato de maior nível técnico e ainda com boas perspectivas de se classificar à LC.

Chelsea, Man City, Tottenham…

As maiores lamentações de Willian devem acontecer quando se imaginam os rumos que a carreira poderia seguir. Contando que o Anzhi faça valer o investimento de Kerimov, o meio-campista segue no mesmo degrau que já estava no Shakhtar: em uma liga secundária e com alguma visibilidade nas competições continentais. O salário, que poderia ser uma justificativa, não é tão alto assim, estimado em € 2,5 milhões anuais – equivalente ao que Oscar ganha no Chelsea, mas bem abaixo das estrelas do time.

Em compensação, Willian poderia almejar a ascensão em um grande centro europeu. A Inglaterra soava como destino certo ao brasileiro, com Chelsea, Manchester City e Tottenham admitindo o interesse no jogador. Contudo, o Shakhtar deu um banho de água fria nestas pretensões. Recebendo propostas abaixo do esperado, os ucranianos não criaram empecilhos quando o Anzhi decidiu bancar o valor pedido.

Confirmando o negócio, Mircea Lucescu indicou os motivos da saída: “É sua decisão e nós temos que respeitá-la. Há um clube que está querendo pagar a cláusula de rescisão do seu contrato e Willian decidiu aceitar. Para dizer a você francamente, eu tentei convencê-lo a ficar porque eu acho que a sua decisão é precipitada e não foi muito pensada. Eu disse a ele que ele teria conquistado mais coisas conosco. Eu acho que ele estava muito pressionado pelo seu empresário e seus familiares, que queriam tudo de uma vez”.

As perspectivas para o futuro

Aos 24 anos, Willian permanecerá estagnado por mais algumas temporadas. Seu contrato com o Anzhi vai até o final da temporada 2016/17, às vésperas de completar 29 anos. E, a não ser que consiga causar tanta repercussão quanto nos últimos meses, é difícil imaginar que outro clube possa tirá-lo de Makhachkala logo no início de sua passagem, superando o investimento de € 35 milhões.

Já na seleção brasileira, suas oportunidades deverão ser bem mais escassas do que se tivesse em um grande centro. Mesmo arrebentando no Shakhtar, Willian foi chamado por Mano Menezes pela última vez em novembro de 2011, quando só entrou no segundo tempo. Se for lembrado por Felipão, o meia terá mostrar serviço para emendar uma sequência de convocações.

Talento, ninguém nega, Willian tem de sobra. Somente nesta temporada, são sete gols e 12 assistências em 22 partidas com o Shakhtar. O meio-campista tem grandes chances de vingar no Anzhi e pode até mesmo elevar o patamar do clube no continente. De qualquer forma, fica o desapontamento por não vê-lo assumindo papel de maior destaque em um grande clube europeu – o que já era bastante palpável.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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