Inglaterra

Wigan perde 12 pontos por entrar em recuperação judicial e amarga seu quarto rebaixamento em oito anos

O Wigan está rebaixado à League One, a terceira divisão do Campeonato Inglês. O rebaixamento foi confirmado depois do recurso do clube contra a punição da perda de 12 pontos por entrar em recuperação judicial, por alegar “força maior” ao citar a pandemia. O argumento não foi aceito. Com a decisão, o Barnsley se mantém na Championship, a segunda divisão.

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Os Latics, como o Wigan é conhecido, entraram em recuperação judicial no dia 1º de julho quando os seus donos de Hong Kong admitiram que não poderiam apoiar o clube financeiramente. Como entrou em recuperação judicial no dia 1º de julho, o clube recebeu a punição ainda na temporada 2019/20, que estava em disputada naquele momento. Sem a punição, o clube terminou a Championship em 13º lugar. Com a dedução dos pontos, porém, os Latics caem para o penúltimo lugar.

“O Wigan apresentou um caso forte e naturalmente está decepcionado com a decisão. O time irá se preparar para a campanha na próxima temporada da League One”, diz comunicado do clube em seu site. O assistente técnico Leam Richardson irá assumir o comando da equipe, depois do técnico Paul Cook ter pedido demissão.

“A decisão do painel de arbitragem é fina e juridicamente vinculativa. A EFL continuará a fornecer seu total apoio aos assuntos em andamento com o objetivo de alcançar um futuro a longo prazo para o clube”, diz um comunicado da English Football League, a EFL.

A reta final do Wigan na segunda divisão inglesa foi de uma recuperação espetacular. Nos seus últimos 15 jogos, ganhou oito, empatou seis e perdeu apenas um jogo. Com isso, tinha conseguido escapar do rebaixamento. A perda dos pontos joga o time para 23ª posição, penúltimo, e, portanto, cai para a League One.

Este é o quarto rebaixamento nos últimos oito anos. A começar pelo rebaixamento da Premier League em 2012/13, que encerrou uma sequência de oito temporada seguidas na primeira divisão. Em 2014/15, o clube caiu mais uma vez, desta vez da Championship para a League One. Ficou só uma temporada na terceira divisão e subiu novamente para a segunda divisão.

O time foi imediatamente rebaixado para a terceira divisão ao terminar em 23º. Mais uma vez, foi campeão da League One e subiu de volta à primeira divisão. Conseguiu sobreviver no seu primeiro ano na segunda divisão e terminou em 18º na temporada 2018/19. Agora, em 2019/20, acaba rebaixado mais uma vez e terá que mais uma vez mostrar força para subir.

É mais um exemplo de uma compra de clube feita de forma pouco fiscalizada por um grupo irresponsável. O Nex Leader Fund se tornou dono do Wigan no dia 4 de junho, o que parecia ser uma salvação para a situação do clube. Só que não demorou nem um mês e os Latics entraram em recuperação judicial. O clube recorreu e, enquanto isso, tentava criar uma distância de 12 pontos na campanha que ainda acontecia na segunda divisão.

No dia 14 de julho, venceu o Hull City por 8 a 0, uma vitória recorde que os colocava 12 pontos acima da zona do rebaixamento. Só que no dia 18 de julho, empatou com o Charlton, que também brigava contra o rebaixamento. No dia 22 de julho, mais um empate, desta vez com o Fulham, que briga apelo acesso – e acabou conseguindo nos playoffs. A distância para a zona do rebaixamento não era grande o suficiente para escapar em caso de punição confirmada, como aconteceu neste dia 4 de agosto. Antes, no dia 1º de agosto, o técnico Cook pediu demissão.

O Sheffield Wednesday também foi punido com a perda de 12 pontos, mas só para a temporada 2020/21. Segundo a EFL, são dois casos diferentes. O caso do Wednesday é uma punição disciplinar por ter excedido os gastos permitidos. O Wigan é uma situação mais grave, porque o clube entrou em recuperação judicial, o que o regulamento prevê com perda de 12 pontos já na temporada vigente.

A EFL precisa urgentemente rever a sua forma de analisar as compras de clubes nas ligas que administra (da segunda à quarta divisão). Continua sendo muito comum a compra de clubes sem muito critério e sem garantias que o comprador pode manter o fluxo financeiro em um clube de futebol. Este é um ponto básico para o funcionamento das ligas. Ninguém se beneficia com clube entrando em recuperação judicial, inclusive causando problemas em termos esportivos. A EFL é muito leniente. Isso precisa mudar, porque se não, casos como o Wigan continuarão a acontecer.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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