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West Ham promete banir para sempre torcedores que cantaram músicas antissemitas

O caso de racismo dos torcedores do Chelsea em Paris acendeu a discussão sobre a maneira como minorias são tratadas pelos grupos mais extremos das torcidas inglesas. Desta vez, quem está sob o radar são alguns fãs do West Ham, flagrados em vídeo cantando músicas antissemitas a caminho do White Hart Lane, onde o time disputou o clássico contra o Tottenham, clube de origem judaica, neste fim de semana. Diante da repercussão do incidente na França, algumas instituições buscam punição também aos Hammers capturados no vídeo, e o clube já prometeu tentar identificá-los e bani-los para sempre de seus jogos.

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A indignação justificada com os cantos dos Blues colocou os holofotes sobre os discursos de ódio nas arquibancadas inglesas. A hora é de fortalecimento das medidas enérgicas contra a discriminação no esporte, e o fato de que o caso subsequente envolva o West Ham, uma equipe com histórico de não deixar comportamentos execráveis de seus torcedores passarem batidos, caiu como uma luva para o momento.

Em declarações publicadas pelo jornal Guardian, um porta-voz do clube do leste de Londres pediu para que os torcedores colaborassem na identificação dos homens que aparecem no vídeo e afirmou que, quando identificados, serão punidos sem hesitação.

“O clube enviou e-mails a cada torcedor que havia comprado ingresso para o jogo de domingo, para lembrá-los de que eles estariam agindo como embaixadores do West Ham. Se descobrirem que qualquer indivíduo tenha se comportado de maneira inapropriada, a política simples de tolerância zero do clube dita que ele receberá a ação mais forte possível, incluindo a opção de uma expulsão vitalícia do Boleyn Ground (estádio dos Hammers). Se alguém tiver qualquer informação sobre tal comportamento, nós pedimos que reportem ao clube, à Kick It Out ou à polícia, para que possa ser investigado minuciosamente”, solicitou a fonte de dentro do clube.

A comunidade judaica também se pronunciou, através de Simon Johnson, diretor executivo do Conselho de Liderança Judaica: “Qualquer forma de antissemitismo é racismo e, portanto, eu apoio a Kick It Out em sua exigência para que essa questão seja investigada com o mesmo vigor e determinação com que foram investigados os incidentes da semana passada com os torcedores do Chelsea”.

Por fim, Herman Ouseley, presidente da Kick It Out, organização que combate a discriminação dentro do futebol inglês, se posicionou de forma assertiva, tocando em diversos pontos em seu extenso comunicado. “Mais uma vez, o final de semana ficou marcado por um número de incidentes abusivos, demonstrando os altos níveis de preconceito e discriminação dentro do futebol e da sociedade britânica. A realidade é que isso mal alcança a superfície do que é um problema amplo, que continua a manchar o esporte por todo o país e a imagem do futebol inglês no exterior. Recebemos várias denúncias na tarde de ontem (22 de fevereiro) trazendo à nossa atenção o vídeo”, informou.

“O que teria acontecido se não tivéssemos visto essas imagens ou se nada fosse denunciado? Precisamos dar às pessoas a confiança para desafiar comportamentos abusivos e discriminatórios, e isso só pode ser reforçado com ações por parte da polícia e dentro do futebol, pelos clubes e autoridades”, cobrou.

Muitos casos devem ter recebido vista grossa até agora, e o número de punições ainda está longe do ideal, mas não dá para negar que o West Ham está entre os clubes menos tolerantes com discursos de ódio na Inglaterra. Pouco após o incidente do Chelsea em Paris, um ranking com os times que mais baniram torcedores por comportamentos discriminatórios mostrava os Hammers em primeiro, com 19 punições nos últimos dez anos. Um número que revela que a faceta racista de seus torcedores é forte, mas a reação do clube, também. No fim de 2012, por exemplo, dois torcedores foram punidos justamente por antissemitismo contra a torcida do Tottenham, em outro clássico realizado também no White Hart Lane.

Que as posturas tomadas por Chelsea e agora West Ham neste intervalo de alguns poucos dias encorajem o restante das equipes a seguir esse caminho. Expor, constranger e, sobretudo, punir os agressores são passos necessários para tornar os estádios mais convidativos para qualquer torcedor, independentemente de sua origem, cor de pele, preferência sexual ou religião. O exemplo está dado.

Confira o vídeo com os cantos antissemitas dos Hammers:

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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