Inglaterra

Wenger expressa arrependimento por não ter saído antes do Arsenal: “Minha falha fatal foi amar demais onde estava”

O técnico questiona se algo "foi quebrado" depois da temporada invicta e explica por que nunca retornou ao Emirates para ver o Arsenal jogar

Em um novo documentário focado na conquista invicta do Arsenal na Premier League 2003/04, mas que passa por todo o reinado de Arsène Wenger à frente do clube londrino, o treinador expressou arrependimento por não ter saído antes do Arsenal e questiona se algo “foi quebrado” depois daquele campeonato que o seu time terminou campeão e sem derrotas em 38 rodadas.

Wenger chegou ao Arsenal como um técnico visionário que revolucionou métodos de treinamento e nutrição. Rivalizou cabeça a cabeça com Alex Ferguson, atingindo o ápice com os Invencíveis. Aquele, porém, foi o último título inglês do Arsenal, deixado para trás pelo dinheiro de Roman Abramovich (e depois dos Emirados Árabes), financeiramente limitado pela construção do Emirates e com sinais fortes de que a abordagem do francês havia ficado ultrapassada.

Essa é a história do documentário “Arsène Wenger: Invencível”, que começa na infância do francês e termina nos estágios finais da sua carreira, quando sofria pressão constante de parte da torcida para ir embora, mesmo mantendo o Arsenal na Champions League todos os anos e com três conquistas da Copa da Inglaterra em suas últimas temporadas.

Desde que deixou o Arsenal, em 2018, Wenger se tornou chefe de desenvolvimento global da Fifa e tem liderado o projeto que busca transformar a Copa do Mundo em um campeonato bienal.

“Eu me identificava completamente com o clube. Esse foi o erro que eu cometi. Minha falha fatal foi amar demais onde eu estou… onde eu estava. Eu me arrependo disso. Eu deveria ter ido para outro lugar. Às vezes eu me pergunto: algo se quebrou depois da temporada invicta?”, disse Wenger no filme, segundo o Telegraph. “2007 foi um ponto decisivo. Foi a primeira vez que eu senti tensões dentro da diretoria. Estava dividido entre ser leal ao clube e ser leal a David (Dein, vice-presidente do Arsenal)”.

“Eu ainda me pergunto se fiz a coisa certa porque a vida nunca mais foi a mesma depois. Eu pensei: ‘Agora tenho que terminar esse projeto'”, afirmou Wenger, que nunca escondeu as dificuldades de ter que competir na Premier League com um orçamento de transferências reduzido por causa dos boletos do novo estádio e valoriza as classificações consecutivas à Champions League naquele período como um dos grandes feitos da sua carreira. “Começamos o projeto em £ 200 milhões, o que poderíamos pagar, basicamente, e terminamos com £ 428 milhões. Antes, perdíamos (os melhores jogadores) com mais de 30 anos. Depois, passamos a perdê-los depois dos 25”, explicou.

E quais foram as oportunidades que Wenger deixou passar? “Eu poderia ter ido para a seleção francesa. Para a seleção inglesa duas ou três vezes. Eu poderia ter ido duas vezes para o Real Madrid. Poderia ter ido para a Juventus, para o Paris Saint-Germain, até para o Manchester United”, contou.

Falando em Manchester United, uma das vozes que defende Wenger no documentário é a de Alex Ferguson. O escocês afirmou que parte da torcida do Arsenal deveria “se envergonhar” pelo tratamento dado a ele durante um período em que o clube mal gastava no mercado de transferências por causa da dívida do estádio. “Acho que Arsène e eu somos dinossauros, mas não fomos tão mal. Eu ganhei a liga 13 vezes, mas nunca passei uma temporada invicto. Esse feito se destaca, se destaca acima de qualquer outra coisa”, disse.

Desde que deixou de ser técnico do Arsenal, Wenger nunca retornou para visitar a casa que ajudou a construir. Em maio do ano passado, disse que tomou a decisão de “deixar o Arsenal completamente” e por isso nunca foi ao Emirates simplesmente para ver um jogo. No documentário, acrescentou que não há nenhuma razão especial para fazer essa visita. “Todo o resto é puramente emocional, e isso é menos importante. É o fim da sua vida – pelo menos de uma vida -, como um funeral. O fim de uma história de amor é sempre triste”, encerrou.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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