Inglaterra

Por que Wenger fez alerta a Arteta sobre o uso de inteligência artificial?

Para francês, IA é útil na avaliação de dados e cenários, mas não pode ocupar o lugar da sensibilidade e do instinto do treinador

Arsène Wenger fez um alerta a Mikel Arteta sobre o crescente uso de inteligência artificial (IA) no Arsenal. Embora reconheça o avanço tecnológico no futebol moderno, o histórico ex-treinador dos Gunners acredita que depender em excesso dessas ferramentas pode trazer riscos.

O Arsenal chega à pausa para a Data Fifa de novembro liderando a Premier League, quatro pontos à frente do Manchester City. Nos últimos dias, o técnico espanhol reconheceu que a IA faz parte do trabalho interno do clube londrino, ainda que tenha evitado detalhar em quais áreas ela atua. Segundo ele, a tecnologia pode acelerar processos e melhorar a tomada de decisão.

Wenger, no entanto, pondera que essa evolução deve ser acompanhada com cuidado. Para o francês, o futebol ainda é um jogo movido por sensibilidade, leitura de contexto e intuição — elementos que, segundo ele, nenhuma máquina consegue reproduzir por completo.

— Isso pode ajudar a tomar decisões melhores. A IA tem uma qualidade fantástica. Ela consegue absorver milhões de situações diferentes e dar uma resposta em um segundo ou em uma fração de segundo. A IA pode dizer algo e a personalidade de um treinador pode dizer que está errado — iniciou.

— Enquanto o ser humano mantiver o controle, a autoridade e o poder de decisão, qualquer ferramenta científica pode ser usada. Mas o que está acontecendo, e o que é perigoso, é se a ciência dominar as decisões — concluiu Wenger.

O que Arteta disse sobre IA?

Mikel Arteta, técnico do Arsenal
Mikel Arteta, técnico do Arsenal (Foto: Imago)

Arteta foi questionado sobre o tema IA depois que Laura Harvey, treinadora do Seattle Reign, revelou publicamente usar o ChatGPT para obter sugestões táticas no dia a dia. A declaração reacendeu o debate sobre o espaço da tecnologia no futebol de alto nível e abriu margem para comparações entre métodos adotados por diferentes times.

O técnico do Arsenal reconheceu que a inteligência artificial faz parte do trabalho interno do clube na tentativa de conquistar o primeiro título da Premier League em 22 anos, mas destacou que o uso precisa ser cuidadoso.

O espanhol evitou entrar em detalhes sobre como a tecnologia é aplicada nos Gunners, porém admitiu que ela já está presente em processos de análise de desempenho e na identificação de pontos de evolução da equipe. Para ele, a IA pode acelerar diagnósticos e oferecer novas perspectivas.

— É uma ferramenta extremamente poderosa se usada corretamente e com as perguntas certas. Ela já está sendo utilizada em diversas áreas e processos, podendo beneficiar não somente uma equipe, mas também toda a organização — afirmou.

— Isso vai melhorar e nos dará uma boa visão geral, ou pelo menos coisas para pensar. Não sou especialista, mas é uma ferramenta valiosa. Desenvolvemos algumas coisas que, na nossa opinião, podem nos ajudar a nos entendermos melhor e a avaliar o que fazemos e o que podemos melhorar.

Nesse ponto, Arteta fez questão de reforçar que, embora a tecnologia ofereça suporte, o futebol ainda depende de elementos intangíveis — como sensibilidade, leitura emocional e instinto — que não podem ser automatizados ou traduzidos apenas em dados.

— Se for confiável, pode nos ajudar com certeza, mas sempre sem perder a sensibilidade e o sentimento e seguir o instinto. Estamos lidando com seres humanos e esse é um aspecto que, até agora, não conseguimos substituir — finalizou Arteta.

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A temporada do Arsenal até o momento

O Arsenal faz excelente começo de temporada e vem mostrando, jogo a jogo, que seu grande objetivo é voltar a conquistar a Premier League. A equipe comandada por Arteta lidera o certame, com 26 pontos conquistados — oito vitórias, dois empates e uma derrota.

Na Champions League, os Gunners também vão bem. Com 100% de aproveitamento — quatro vitórias em quatro jogos —, o time ocupa a segunda colocação, atrás somente do Bayern de Munique.

A equipe, que também segue viva na Copa da Liga Inglesa — enfrentará o Crystal Palace nas quartas de final — e na Copa da Inglaterra, volta a campo no dia 23 de novembro, quando recebe o Tottenham, no Emirates Stadium, pela 12ª rodada da Premier League.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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