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Wenger: “A inflação do mercado atual pode sufocar os clubes ingleses a longo prazo”

O Arsenal vem de diversas decepções no mercado de transferências. Até o momento, os Gunners apresentaram apenas três reforços para a temporada que se inicia, e o único que desponta para o time titular é o volante Granit Xhaka. Por outro lado, o clube acabou marcado pela desistência de Jamie Vardy, assim como pela compra de Riyad Mahrez que não vingou. Enquanto isso, seus concorrentes na Premier League despejam dinheiro: oito clubes da elite já quebraram seus recordes de contratações mais caras, incluindo o Manchester United, que também arrebatou a marca histórica com Paul Pogba.

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Apesar da enxurrada de críticas, que não vêm de hoje, Arsène Wenger se mantém firme em sua postura. O técnico reitera os resultados de seu trabalho, usando como escudo o seu histórico no clube londrino. Mesmo sem o título da liga nos últimos 12 anos, o comandante avalia positivamente os resultados.

“Eu faço exatamente o que eu penso que é certo. Acho que eu mostrei, ao longo dos últimos 20 anos, que isso não funciona tão mal assim. Você tem que perceber o que é certo e o que é errado. Faz parte do meu trabalho. No fim do dia, eu preciso tomar uma decisão que é melhor para o clube. Eu ouço cada crítica que recebo. Mas eu tenho que analisar se isso é emocional e não completamente um bom conselho”, declarou.

“Eu luto contra a afirmação que a única maneira de lidar com os problemas no futebol é comprando. É certo que você precisa de jogadores, identificá-los, mas comprar os melhores é uma qualidade e eu penso que este clube vem se construindo assim. Nós tivemos grandes sucessos nos últimos 20 anos, melhorando nossas estruturas e o principal é baseado na política de transferências. A partir disso, construímos o clube. Eu sei que todo mundo questiona que, no momento, não fizemos tanto quanto esperam, mas estamos no mercado e eu acredito que, como quem fez 400 transferências aproximadamente na vida, sei que todo negócio tem um ritual. Você não é o único a decidir”, complementou.

Além disso, Wenger alertou para os perigos da inflação do mercado inglês, diante dos novos acordos televisivos. Para o francês, há o risco de que contratações erradas tragam um grande ônus aos cofres e acabem prejudicando o planejamento do clube para o futuro.

“Pode-se dizer que, hoje em dia, existem dois mercados na Europa: um para os clubes ingleses e outro para o resto. O perigo da situação para os ingleses no momento é que eles podem se sufocar no longo prazo. Eles compram os jogadores a um preço muito alto. Isso significa que os salários são muito altos e e, se eles errarem, terão jogadores caros que não sairão para qualquer outro lugar”, finalizou.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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