Inglaterra

Wembley não terá mais homenagens a causas sociais e guerra entre Hamas e Israel está no centro da polêmica

Pressionada a se manifestar a favor de Israel, FA decidiu não fazer isso, foi criticada e estabeleceu uma política neutra daqui em diante

Os famosos arcos de Wembley não serão mais usados em campanhas de inclusão ou questões políticas, depois da Football Association (FA) revisar suas políticas. O que levou a isso foi o conflito entre o grupo terrorista Hamas e Israel, que vem reagindo de forma brutal em uma guerra na Faixa de Gaza. A FA sofreu críticas no último mês por não iluminar Wembley, estádio mais icônico da Inglaterra, em resposta ao conflito entre Israel e Hamas.

Havia a expectativa que Wembley pudesse usar as cores de Israel após os ataques do Hamas no dia 7 de outubro. Entidades que representam judeus, como o Faith if Football, criticaram a falta de ação, com o presidente do grupo, Rabbi Alex Goldberg, se dizendo “profundamente decepcionado”.

O secretário de Estado para Cultura, Mídia e Esporte, equivalente a um ministro no Brasil, Lucy Frazer, disse publicamente estar “extremamente decepcionada” com a decisão da FA de não fazer qualquer manifestação nesse sentido, usando os arcos.

A reação de Israel, que gerou críticas também por ataques que afetaram alvos civis em Gaza, fizeram também com que surgissem manifestações contra Israel. O fato de não ter feito um apoio formal em forma de usar as cores de Israel, neste caso, pareceu até uma decisão acertada, por ser uma questão muito complexa após a reação de Israel.

Se por um lado Israel tem todo direito de reagir a um ataque terrorista, a forma como fez, afetando de forma grave a população civil de Gaza, também é passível de críticas. Por isso, em termos de relações públicas, a FA parece ter tomado a decisão certa ao não mostrar apoio a nenhum lado. Só que não foi sempre assim.

Em 2022, os arcos de Wembley foram ligados com as cores da Ucrânia como uma forma de apoio ao país após a invasão da Rússia no país, que iniciou uma guerra. O arco também já foi ligado com as cores do arco-íris em apoio à comunidade LGBTQ+ na Copa do Mundo do Catar — país criticado por não respeitar os direitos da comunidade.

FA segue o mesmo caminho da Premier League

A Premier League tomou um caminho parecido neste mês, ao orientar os clubes a proibirem bandeiras de Israel e da Palestina dentro dos estádios. A FA entendeu que era o momento de tomar essa decisão e evitar problemas desse tipo no futuro.

O CEO da FA, Mark Bullingham, reconheceu no último mês que a decisão de não ter feito manifestação de apoio a Israel “magoou a comunidade judaica”, mas que a reação fez com que a entidade reavaliasse e questionasse quando e se o arco deveria ser acesso. Depois de uma análise, foi aprovada uma nova política reduzida que fará com que o arco seja acesso apenas em relação a questões de futebol e de entretenimento no local.

A única atitude que a FA tomou foi um minuto de silêncio antes de um amistoso da Inglaterra com a Austrália que, segundo a entidade, foi “em respeito às vítimas inocentes de eventos devastadores em Israel e na Palestina”.

“Esta foi uma das decisões mais difíceis que tivemos que tomar e a última coisa que queríamos nesta situação era que alguém ficasse magoado. Não estamos pedindo que todos concordem com nossa decisão, mas para entender como chegamos a ela”, afirmou Mark Bullingham em coletiva de imprensa.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.
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