Premier League

Premier League recomenda aos clubes proibição de bandeiras de Israel e Palestina nos estádios

Premier League buscou atender recomendação de organizações de segurança e grupos judaicos; Decisão ainda cabe aos clubes

Já para os jogos deste final de semana, a Premier League emitirá uma recomendação aos clubes para proibirem a utilização de bandeiras de Israel e Palestina nos estádios. A ideia da orientação partiu após a liga consultar organizações de segurança e grupos judaicos, mas a decisão final de banir as manifestações sobre o conflito ainda são das equipes. As informações são do jornal inglês The Athletic.

O motivo claro da decisão da organização do Campeonato Inglês é por conta do ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro e os seguintes contra-ataques do país na Faixa de Gaza. Anteriormente, a Premier League já havia tomado a mesma postura de orientar os clubes sobre conflitos entre outros países.

Já nas duas últimas partidas da Seleção nos últimos dias em Wembley, a Federação Inglesa (FA, na sigla em inglês) proibiu qualquer bandeira ou uniforme de países que não fosse da própria Inglaterra ou dos adversários, no caso Austrália e Itália.

A EFL, responsável por organizar as divisões inferiores da Inglaterra, ainda estuda medidas a serem adotadas pelo assunto, mas implementará já neste final de semana o minuto de silêncio antes das partidas, como a Premier League.

Maneira como Tottenham tratará recomendação da Premier League causa dúvidas

Nenhum clube na Premier League tem tanta proximidade nesse conflito quanto o Tottenham. O time do norte de Londres tem forte ligação com a comunidade judaica, firmada há mais de 100 anos, iniciada principalmente pela fuga dos judeus da perseguição do Império Russo. Os próprios fãs dos Spurs se intitulam “Yid Army” (Exército Yid); o termo “yid” é usado historicamente para se referir a judeus de forma pejorativa, sendo uma resposta aos antissemitas.

É comum encontrar diversas bandeiras de Israel nas arquibancadas do Tottenham Hotspur Stadium e agora ainda com a presença do jogador israelense Manor Solomon, causando dúvidas de como a gestão do clube verá essa recomendação da Premier League. Inclusive, quando o atleta chegou aos Spurs em julho desse ano, o clube ratificou sua ligação com o judaísmo.

– O clube tem um relacionamento importante com a comunidade judaica. Por causa disso, há muitos torcedores dos Spurs em Israel. Tenho certeza de que os veremos no nosso estádio – escreveu o Tottenham.

Vale destacar que o atual presidente, Daniel Levy, é judeu, assim como os últimos que empresários que ocuparam o cargo desde 1983. Porém, a gestão do bilionário inglês foi criticada pela demora em se posicionar sobre o ataque do Hamas. Foram cinco longos dias até o Tottenham publicar uma nota repudiando a violência sofrida em Israel e Gaza contra civis inocentes.

– O Clube e a nossa família do futebol estão chocados e tristes com a escalada da crise em Israel e em Gaza, e condena veementemente os horríveis e brutais atos de violência contra civis inocentes. Nossas mais sinceras condolências vão para as vítimas, suas famílias e as comunidades afetadas. […] Esperamos e defendemos a paz – publicou os Spurs nas redes sociais, ainda dizendo que utilizará braçadeiras pretas como sinal de respeito.

Pelo tom ameno e sem citar o Hamas, mostrando se solidarizar pelos dois lados, a nota não caiu bem entre os torcedores judeus, que criticaram Levy e o departamento de comunicação do clube. Ao The Athletic, o presidente do Israel Spurs Supporters' Club afirmou que alguns membros da torcida judaica se sentem “traídos”. “Posso dizer que alguns fãs israelenses decidiram cancelar sua adesão”, disparou.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius é nascido e criado em São Paulo e jornalista formado pela Universidade Paulista (UNIP). Escreveu sobre futebol nacional e internacional no Yahoo e na Premier League Brasil, além de esports no The Clutch. Como assessor de imprensa, atuou no setor público e privado.
Botão Voltar ao topo