Inglaterra

Wayne Rooney não quer mais ser operário no Man United

A partir do momento que o Manchester United anunciou Robin Van Persie como grande reforço para a temporada 2012-13, a vida de Wayne Rooney no clube mudou demais. E não foi para melhor.

Rooney foi essencial no desempenho ofensivo dos Red Devils desde que chegou como promessa do Everton em 2004. Com a chegada do holandês ao United, o papel de protagonista mudou. Com a presença de outro goleador quase no mesmo espaço, o inglês foi obrigado a se reinventar. Seja por conta própria ou pelo deslocamento tático operado por Sir Alex Ferguson.

Nesta temporada, Rooney atuou em várias funções diferentes: centroavante, segundo atacante nas duas pontas, meia atacante e pasme, volante. Especialmente no jogo do título diante do Aston Villa, o camisa 10 atuou lá atrás na armação e marcação enquanto Van Persie brilhava fazendo três gols. Nunca antes ele havia sido testado de formas tão distintas quanto em 2012-13.

O fato de ser tão deslocado em tão pouco tempo foi um fator determinante para a sua insatisfação. Perdendo o posto de principal estrela da companhia, ele tem expressado a vontade de tentar a sorte em outro grande clube europeu.

A diminuição na média de gols não é uma questão de decadência técnica

Enquanto rodou por entre o campo ofensivo na formação do United, Rooney esteve presente em 37 jogos e anotou 16 gols. Menos insinuante e com um papel mais cerebral do que conclusivo como era acostumado, o atacante ficou bem atrás da sua marca em 2011-12: 34 gols em 43 jogos. Analisando as quatro temporadas anteriores, esta foi a segunda pior em média, já que ele chega aos 0,43 gols por partida. Em 10-11, foram 0,40 (16 tentos em 40 aparições).

Não é bem uma questão de decadência técnica. Hoje ele não tem mais a função de apenas finalizar a jogada, já que conta com o imprevisível Van Persie ao seu lado. Pelo menos neste ano é possível constatar que os dois dividem bem a tarefa de balançar as redes adversárias, mostrando que o jogo coletivo dos Red Devils também aumentou. As dez assistências do camisa 10 mostram que ele teve de readaptar ao estilo do time.

Antigamente isso seria quase impensável, visto que Wayne era um demolidor com a bola nos pés. Com a posse, ele sempre procurava o gol e tinha um time que facilitava esse estilo. Mesmo deslocado e com uma média razoável, em comparação a outras quatro temporadas, esta não é a pior dele em Old Trafford.

E é aí que se faz necessária a pergunta: será que Rooney quer mesmo ser um operário, diferentemente da estrela que foi nos últimos anos?

Ele quer sair. O United vai se opor a isso?

Os rumores de sua saída aumentam cada vez mais. Ferguson afirmou em coletivas na última semana que Rooney tem sim o desejo de ser vendido, mas que não deve tomar nenhuma decisão enquanto a isso nos seus últimos dias como técnico. A questão deve ser resolvida por quem vem aí, David Moyes.

Sobre isso, Moyes tratou a questão na base da cautela. O novo comandante declarou que Wayne é um dos melhores jogadores do mundo e diz que se lembra quando o teve sob sua batuta no Goodison Park: “Eu parava e perguntava ao restante da comissão se era possível alguém jogar como ele. É o último atleta ‘de rua’ no futebol moderno, como temos em Glasgow. É fantástico”.

Vaiado por alguns torcedores dos Red Devils na festa do título inglês, Rooney pode estar mesmo com seus dias contados no Old Trafford. E com um adeus que parece amargo em relação ao que conquistou por lá.

Confira abaixo um comparativo das últimas cinco temporadas de Rooney no United.

Rooney em números

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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