Inglaterra

Villas-Boas fora

Embora estivesse anunciada há tempos e, em última análise, seja difícil discutir sua justiça, a demissão de André Villas-Boas pelo Chelsea levanta, mais uma vez, a mesma lebre que levantaram as seguidas demissões de técnicos desde que Roman Abramovich comprou a equipe, em 2003. Sim, os resultados do português foram os piores de qualquer técnico contratado pelo russo. Sim, estava mais do que claro que ele não conseguiria mudar a situação. E, sim, ficou evidente que não estava preparado para um desafio deste tamanho.

Já discutimos Villas-Boas aqui, para desespero dos portugueses mais ufanistas. Fez um bom trabalho no Porto, um excelente trabalho, diga-se. É, porém, um noviço, teve no Dragão sua primeira experiência como treinador principal, e era cedo demais para saber se todos os resultados obtidos eram por sua competência ou o quanto havia de sorte – e de Porto, bicho-papão de Portugal há muitos anos.

A primeira coisa que ficou clara é que AVB não conseguiu implementar no Chelsea o esquema de jogo que fez seu Porto vitorioso. Até aí, tudo certo, equipes diferentes têm peças diferentes. O problema é que, pelo jeito, não havia um plano B, ou qualquer possibilidade de variação tática no desenho do time. Para além disso: quando percebeu que o time não se encaixaria fácil em seu esquema, Villas-Boas se perdeu.

Poderia ter sido com qualquer outro, inclusive um bem mais experiente? Sim, e Scolari é a prova disso. Não vale perder tempo, portanto, avaliando se poderia ter dado certo em outro ambiente, porque não há outro ambiente. Quando pagou £ 13,5 milhões (cerca de € 15 milhões) para tirar o português do Dragão, imaginou-se que Abramovich tinha aprendido com os erros recentes. Que enquadraria seu elenco, daria moral ao treinador e compraria jogadores para as posições em que o elenco é carente. Não foi, claro, o que aconteceu.

O pior de tudo é que o Chelsea não parou de gastar, apenas está, por um lado, gastando mal, e por outro, jogando na fogueira os jogadores que contrata. David Luiz era ótimo no Benfica, o que aconteceu quando chegou em Londres? Gary Cahill era tido como ótimo talento no Bolton. Por que não joga bem? A primeira parte da resposta é óbvia: defesa é treino, uma unidade defensiva que nunca atuou junta não pode mesmo funcionar. A segunda parte da equação, porém, está no clima do vestiário, de rixas, grupinhos e tensão. Não há quem possa render.

Seja lá quem for o próximo técnico do Chelsea, a primeira providência é mandar embora Drogba, Cech, Lampard e todos os cardeais – menos John Terry. Terry é o maior dos cancros do vestiário, mas é impossível mandá-lo embora, assim como é impossível mudar seu caráter. Ou seja: qualquer um que quiser ser bem sucedido em Stamford Bridge terá que conquistar o capitão do time. E, ao mesmo tempo, terá que tentar mantê-lo na linha.

Impossível?  Eu acho. O futuro do Chelsea parece mais com uma venda do clube assim que Abramovich perceber que o brinquedinho está dando trabalho demais e não ganha mais nada. John Terry, porém, até lá, estará milionário, e provavelmente aposentado.

Curtas

E o Tottenham, do melhor técnico inglês da atualidade, entrou em campo contra o Manchester United com dois atacantes, sendo que um deles era o Saha. O resultado é que a vantagem para o Arsenal, que era de dez pontos, evaporou, e agora é só de quatro. 

A vantagem dos Spurs é que a tabela de agora em diante é fácil: entre os primeiros, só jogará com o Chelsea.

Nas divisões inferiores da Inglaterra, tudo mais ou menos na mesma. 

O Southampton reassumiu a liderança no Championship, mas tem um jogo a mais que o West Ham.

O terceiro colocado é o Reading, que conseguiu na rodada sua sexta vitória consecutiva, e é no momento só quem pode ameaçar a promoção automática dos líderes.

Na League One o Charlton continua a liderar, seguido por Sheffield United e Sheffield Wednesday.

League Two: o Swindon Town lidera.

Depois de três empates, o Wimbledon perdeu mais uma, e não vence desde 24/1. A vantagem para a rabeira da tabela, porém, ainda é de bons nove pontos.

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Equipe Trivela

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