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Van Gaal tem explicação para a debandada de atacantes do United: “Não acredito em concorrência”

O Manchester United vive uma fase repleta de problemas que, de tão persistentes, parecem sem solução, e o principal deles é a falta de efetividade no ataque. O setor ofensivo estéril parece ainda mais problemático quando lembramos a série de jogadores da frente que o time deixou sair no início da temporada. Um deles, Chicharito, vive o melhor momento de sua carreira, mas mesmo essas circunstâncias não são suficientes para que Louis van Gaal admita ter se precipitado ao negociar tantos atacantes, e sua justificativa é no mínimo curiosa.

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O técnico holandês vendeu Robin van Persie para o Fenerbahçe, Chicharito para o Bayer Leverkusen, além de emprestar o versátil Adnan Januzaj para o Borussia Dortmund e os jovens Will Keane e James Wilson, atacantes de ofício, e de não renovar o vínculo de empréstimo com Falcao García, ficando apenas com Rooney e Martial como opções para o ataque. Para esclarecer a debandada, usou a pressão como argumento. Segundo ele, muitas opções para uma só posição tornam os jogadores insatisfeitos, e, com a saída de todas essas peças, conseguiu diminuir a pressão sobre os que permaneceram.

“Não acredito muito em concorrência, acredito em confiança. Talvez isso esteja errado, mas é o que fiz minha vida toda como treinador. Dou confiança aos jogadores. Poderíamos ter mantido todos os atacantes, mas então haveria muitos atacantes nas tribunas. E eles não ficam felizes, querem ir embora. É o caso do Hernández, por exemplo. Ele quer jogar, e imagino que, neste mundo, ele não possa jogar sempre”, explicou Van Gaal, durante coletiva de imprensa nesta sexta-feira.

“Agora há jogadores em meu elenco que querem jogar. Eles não podem, porque escolho outro jogador. É sempre assim. Mas muitos atacantes de alta qualidade para a mesma posição é muita pressão. A pressão fica nos outros atacantes, em quem está jogando, em quem está no banco e em quem fica nas tribunas. Então você tem muita pressão para a posição de atacante. Agora eu dei confiança para os jogadores atuarem lá”, completou o holandês.

Se, de fato, Van Gaal diminuiu a pressão sobre Rooney e Martial, isso não tem sido suficiente para o sucesso dos atacantes. Enquanto o inglês balançou a rede apenas duas vezes na Premier League desta temporada, o francês fez só um gol em seus últimos 12 jogos. Contando todos os jogadores do elenco, o United fez apenas dez gols nas últimas 14 partidas por todas as competições. Apesar da evidente falta de eficiência na criação de jogadas nos últimos meses, o técnico atribui a péssima fase a outro quesito, fora de seu alcance.

“Acho que também precisamos da sorte do atacante. Mas ainda temos um bom time e ainda conseguimos fazer gols, estou convencido disso. Mas também precisamos de um pouco de sorte. Quando você analisa maior parte dos jogos, fomos o melhor time, mas não marcamos. Quantos jogadores tiveram a chance de marcar e não conseguiram? Nem sempre dá para explicar isso”, encerrou Van Gaal.

Enquanto isso, Chicharito, um dos negociados no início da temporada, soma 17 gols em seus últimos 14 jogos pelo Bayer Leverkusen e, nos últimos dois meses, levou o prêmio de melhor jogador do mês da Bundesliga, apesar da forte concorrência com destaques de Borussia Dortmund e Bayern de Munique, entre outras equipes. Recentemente, Van Gaal justificou a venda do atacante, afirmando que sua chance de jogar pelo United era de 1%. Será que esse número seria maior se, em um cenário hipotético, o mexicano retornasse ao Old Trafford nesta segunda metade de temporada? Levando em conta a sua fase e a dos ex-companheiros de United, a pressão talvez não seria uma questão para o artilheiro do Leverkusen.

Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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