Inglaterra

‘Se essa é a reação dele, significa que Salah tem o cérebro de um inseto’

Van Basten reage à polêmica no Liverpool e eleva a temperatura no caso Salah x Slot

O desentendimento público entre Mohamed Salah e Arne Slot, que ganhou força nos últimos dias, segue repercutindo intensamente na Europa. A maneira como o egípcio reagiu às decisões do treinador — especialmente após ser reserva por três partidas consecutivas — abriu espaço para críticas de distintos ex-jogadores e analistas.

Em meio ao clima turbulento no Liverpool, as palavras firmes de Salah depois do empate com o Leeds ampliaram ainda mais o debate sobre seu comportamento e seu futuro em Anfield. Entre as vozes mais duras está a de Marco van Basten. O ex-atacante holandês não poupou críticas ao camisa 11, considerando exagerada e desequilibrada o jeito como ele respondeu às escolhas de Slot.

Para Van Basten, a explosão pública do egípcio escapa ao contexto competitivo e evidencia uma postura que tem causado desconforto interno no clube.

— Se essa é a reação dele ao fato de ter sido enviado para o banco de reservas, significa que tem o cérebro de um inseto.

A avaliação de Van Basten não se limita à recente polêmica. O holandês ampliou o recorte ao comparar a última temporada de Salah — marcada por alto desempenho — ao que considera uma queda evidente de rendimento nos últimos meses.

Na visão do ex-jogador, a frustração do camisa 11 dos Reds não justifica a forma como tem lidado com as decisões de Slot, um técnico que, segundo Van Basten, age com franqueza e coerência.

— No ano passado, teve uma temporada excepcional, mas na atual temporada não está de todo à altura. Nos últimos meses, Mohamed Salah tem jogado mal pela equipe de Arne Slot. Considero Slot uma pessoa direta e honesta, que não foge a confrontos e nunca fala ao acaso. Salah, por outro lado, começou a atacar o homem e a comportar-se de forma inadequada — concluiu.

Slot e Salah durante jogo do Liverpool
Slot e Salah durante jogo do Liverpool (Foto: Imago)

Relembre a troca de farpas entre Salah e Slot

A crise entre Mohamed Salah e Arne Slot ganhou novos contornos justamente no momento em que o Liverpool buscava estabilidade na temporada. A vitória por 1 a 0 sobre a Internazionale, na última terça-feira (9), serviu apenas como alívio momentâneo dentro de campo, porque fora dele a turbulência cresceu.

Após o confronto em Milão, Slot foi questionado novamente sobre a situação e, pela primeira vez, decidiu abrir o jogo. O técnico reconheceu que o episódio envolvendo seu principal jogador impactou diretamente o vestiário e exigiu uma postura firme da comissão técnica.

A tensão explodiu no último sábado (6), quando Salah, visivelmente incomodado por iniciar três partidas seguidas no banco, decidiu tornar pública sua insatisfação. Depois do empate por 3 a 3 com o Leeds, ele declarou que “não tem relacionamento” com Slot — uma frase que reverberou imediatamente no clube e colocou o treinador sob forte pressão.

Desde então, o ambiente interno ficou ainda mais pesado, levando o técnico a admitir que a situação abalou emocionalmente o grupo. Em Milão, Slot afirmou que todos cometem erros, mas sugeriu que, dessa vez, espera uma atitude por parte do atleta. Segundo ele, o momento já era delicado após o gol sofrido nos acréscimos contra o Leeds, e a explosão pública de Salah acabou por intensificar o desgaste.

A decisão de deixar o atacante fora da lista para o duelo com a Inter, tomada em conjunto com a diretoria, foi um sinal claro de que a crise extrapolou o campo técnico e passou a exigir medidas internas. Salah, que não viajou com a equipe, respondeu de forma silenciosa, publicando uma foto treinando no CT.

As declarações polêmicas de Salah sobre Slot:

— Tive várias promessas na pré-temporada e agora estou no banco por três jogos, então acho que posso dizer que não cumpriram as promessas. Eu disse várias vezes que eu tinha um bom relacionamento com o técnico, e de repente não temos mais qualquer relacionamento — declarou o atacante em entrevista ao jornal inglês “The Telegraph”.

— Não sei por que, mas parece, pelo que eu vejo, que alguém não me quer no clube.

— Estou muito desapontado, para ser justo. Fiz tanto por este clube nos últimos anos e especialmente na última temporada, e agora estou no banco e não sei o motivo. É como se eu tivesse sido jogado embaixo de um ônibus. É como eu me sinto, está muito claro que alguém quer que eu leve toda a culpa.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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