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United, Chelsea, Arsenal e o jogo psicológico sobre Rooney

A disputa psicológica está estabelecida. Manchester United, Chelsea e, agora, Arsenal são os protagonistas de uma verdadeira novela. No centro da disputa, Wayne Rooney é o nome no centro da disputa, ainda que desperte sentimentos diferentes entre as torcidas de Red Devils, Blues e Gunners. No entanto, ao contrário de um folhetim comum, não é nem um pouco previsível se o final será feliz para o camisa 10.

O prefácio da história pode ser contado pelas não tão raras vezes em que Rooney sugeriu sua saída do United. A última, há alguns meses, quando foi deixado de lado por Sir Alex Ferguson e, segundo a imprensa inglesa, teria se recusado a trabalhar com David Moyes, seu antigo comandante nos tempos de Everton. No início de julho, o novo treinador do clube afirmou que o atacante não estava à venda. Contudo, bastou Moyes revelar seus planos para o time, colocando o camisa 10 como apenas mais uma opção, para o clímax da novela começar.

Logicamente, Rooney precisa de um bom ambiente para trabalhar. Mas a postura por vezes infantil do inglês, retrucando que estava “bravo e confuso” com o tratamento recebido no United, não o auxilia muito. Especialmente, diante da torcida dos Red Devils, que começa a ficar com a paciência esgotada. A contribuição do craque com a camisa vermelha é inegável. Porém, Rooney poucas vezes se colocou como a principal estrela do elenco – ao menos em campo – e o excesso de lesões já colocava em xeque até onde ele poderia chegar.

Nas próximas semanas, o enredo se estenderá com as colocações entre os times. David Moyes não parece tão bobo ao tentar queimar o astro. Ao que parece, há um propósito por trás disso. Da mesma forma como Mourinho demonstra o alto interesse pelo ao atacante ao dizer que “é Rooney ou nada”, embora as indicações apontassem por mais alguns reforços aos Blues. E, por último na corrida, Arsène Wenger tenta se equiparar aos rivais e trazer o reforço de peso prometido há tantos anos aos Gunners.

Quais as intenções por trás de cada agente nesta história? É o que procuramos desvendar nas próximas linhas:

David Moyes e o Manchester United

Segundo o Guardian, uma das características mais marcantes de David Moyes no Everton era medir muito bem suas palavras ao falar com a imprensa. Não é possível que o treinador tenha esquecido a prática apenas ao atravessar os pouco mais de 40 quilômetros que separam Liverpool e Manchester. Ao que parece, há uma intenção não explícita aí. Colocar o atacante à venda abaixaria seu preço no mercado, enquanto o pedido de Rooney para sair poderia aumentar o poder de barganha.

As novas especulações ligando Gareth Bale e Cristiano Ronaldo ao clube indicam que ganhar um dinheiro e, sobretudo, reduzir a folha salarial com a saída de Rooney seria interessante. Certamente Moyes prefere um astro como o galês ou o português, ao invés de “mais uma opção a Van Persie”, como o inglês.

O comportamento intempestivo também deve ter pegado mal, aumentando o interesse em vê-lo dando adeus a Old Trafford. O contrato de Rooney termina em junho de 2015. Se a situação não for estabilizada em 18 meses, o jogador pode deixar o United de mãos abanando. Melhor ouvir o que Chelsea e Arsenal têm a dizer, ainda mais quando as atitudes negativas do jogador fazem a torcida sentir mais raiva dele do que da diretoria, diante da iminente venda a um rival.

José Mourinho e o Chelsea

Por enquanto, as ações do Chelsea no mercado de transferências foram bem tímidas: apenas André Schürrle, Marco van Ginkel e Mark Schwarzer chegaram, enquanto Romelu Lukaku voltou de empréstimo. Considerando que estamos falando do novo projeto de José Mourinho e dos milhões de Roman Abramovich, é bem pouco, por mais que o português reitere sua confiança no atual elenco. A expectativa nos últimos tempos era de pelo menos mais um meio-campista – Xabi Alonso era especulado – e um atacante.

Neste ponto é que entra Rooney. Ao dizer que “é Rooney ou nada”, Mourinho aposta todas as suas fichas no camisa 10, por mais que o Chelsea busque ainda outros reforços. Depois que Edinson Cavani e Radamel Falcao García se transferiram para a Ligue 1, as opções no mercado ficam cada vez mais escassas. Robert Lewandowski e Burak Yilmaz, outros nomes levantados nos últimos tempos, não teriam o mesmo impacto do inglês. Além, é claro, da possibilidade dos Blues em desfalcarem o maior adversário na Premier League.

A intenção de Mourinho é simplesmente fazer Rooney sentir em Stamford Bridge “o amor” que não tem em Old Trafford. Em Londres, irá reencontrar parceiros da seleção inglesa como John Terry e Frank Lampard. E Petr Cech, outro senador dos Blues, tratou de abrir as portas ao astro. O técnico só precisa tomar cuidado para que outros atletas não se sintam depreciados com a situação – como fez bem quando garantiu a permanência de Juan Mata e David Luiz, que foram colocados pela imprensa como moeda de troca no acordo.

Arsène Wenger e o Arsenal

As declarações de Wenger sobre o interesse de Rooney são do começo de junho, mas parecem renovadas depois que o Guardian revelou uma proposta do Arsenal ao Manchester United nesta semana. Diante dos insucessos recentes da equipe, o técnico precisa de uma resposta à torcida e ela deve ser feita através de uma grande contratação. Gonzalo Higuaín e Luis Suárez são os outros nomes na mesa. Dentre os três, Rooney é provavelmente aquele que traria um impacto midiático maior, interessante ao tirar a pressão especificamente de Wenger.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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