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Uma noite monstruosa de Kanté ajudou o Chelsea a sair com o empate de Anfield

Quando o Chelsea contratou N’Golo Kanté, sabia que tinha feito um dos melhores negócios da temporada. Afinal, o milagre do Leicester só foi possível pelo trabalho incansável do volante. Que Riyad Mahrez e Jamie Vardy tenham sido brilhantes no ataque, a consistência do time de Claudio Ranieri dependia diretamente da vitalidade do francês – seja preenchendo vários espaços no campo, dando o combate, passando com eficiência. E a derrocada das Raposas demonstra bem sua importância. Por outro lado, Antonio Conte ganhou o motor de sua engrenagem. Kanté faz um trabalho fabuloso em Stamford Bridge. Nesta terça, teve uma de suas melhores atuações pelos Blues, decisivo no empate por 1 a 1 contra o Liverpool em Anfield. Os visitantes até poderiam ter vencido, desperdiçando um pênalti no segundo tempo. De qualquer forma, valeu por arrancar um ponto de um dos principais concorrentes fora de casa.

Com Philippe Coutinho, Roberto Firmino e Adam Lallana na linha de frente, o Liverpool começou melhor a partida. Buscava mais o ataque, embora não criasse tantas chances de gol. Na única finalização durante o primeiro tempo, o chute forte de Georginio Wijnaldum parou em boa defesa de Thibaut Courtois. No entanto, o Chelsea logo passaria a controlar a posse de bola. E sairia em vantagem aos 25 minutos, em cobrança de falta. Enquanto Simon Mignolet ainda ajeitava a barreira, David Luiz bateu cheio de efeito, em bola que triscou a trave antes de entrar. Os Reds reclamaram com o árbitro Mark Clattenburg, mas nada feito.

O primeiro tempo seguiu bastante morno, com o Chelsea ligeiramente superior. Já na volta do intervalo, o jogo subiu de nível. O Liverpool logo criou duas ocasiões e, na melhor delas, Firmino mandou para as arquibancadas. Do outro lado, a resposta veio com Victor Moses, que carimbou a trave de Mignolet. Os Reds se impunham no ataque, até que o empate saiu aos 12, em bola que Wijnaldum completou dentro da área. Pelo volume de jogo, o time de Jürgen Klopp até parecia pronto para a virada. Faltava combinar com Kanté. O volante limpava os trilhos na cabeça de área. Durante a meia hora final de partida, foram 10 desarmes só dele – um a menos que todos os outros jogadores em campo juntos, com 11 no intervalo.

Diante do serviço de Kanté, o Chelsea mantinha a esperança. Aos 30, teve a vitória nas mãos, em pênalti cometido por Joel Matip em Diego Costa. O próprio sergipano cobrou, mas Mignolet fez boa defesa. Enquanto isso, Klopp mexeu no Liverpool promovendo o retorno de Sadio Mané, no lugar de Coutinho. O confronto se manteve aberto na reta final. Os Blues ameaçavam mais nos contra-ataques, com Pedro finalizando uma bola rente a trave. Já pelos Reds, a melhor chance foi criada por Mané. Só que o cruzamento perfeito do camisa 19 terminou em uma cabeçada fraca de Firmino, nas mãos de Courtois. Não era dia de interromper a série de maus resultados.

Mesmo sem vencer, o Chelsea se aproveitou dos tropeços dos demais concorrentes para manter os nove pontos de vantagem na liderança. Ótimo para encarar outro jogo de peso no final de semana, recebendo o Arsenal em Stamford Bridge. Já o Liverpool, se tinha qualquer esperança de título, pode desacreditar. Ao menos os Reds permanecem na zona de classificação à Champions, só um ponto atrás de Tottenham e Arsenal. Este, porém, era o jogo da virada. O problema foi passar por uma máquina como Kanté, um cara que, sozinho, consegue se equivaler a vários oponentes pela disposição. E explica bastante sobre a dominância do Chelsea na Premier League.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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