Um De Gea intransponível e o golaço de Matic deram a surpreendente vitória ao United, mas não evitaram a eliminação

O triunfo do Manchester City por 3 a 1 no jogo de ida, dentro de Old Trafford, tornava bem mais difícil a missão do Manchester United durante a visita ao Estádio Etihad nesta quarta-feira. Para buscar a classificação à decisão da Copa da Liga Inglesa, os Red Devils precisavam de uma vitória por dois gols de diferença para forçar os pênaltis na volta das semifinais. Os Citizens, outra vez, foram superiores no dérbi. Mas, no futebol, nem sempre isso é suficiente e a eficiência do United permitiu ao menos acreditar. Entre os milagres de David de Gea e o golaço de Nemanja Matic, a equipe de Ole Gunnar Solskjaer saiu com a vitória por 1 a 0. Não evitou a eliminação, mas a noite valeu pela valentia dos visitantes, jogando com um a menos nos minutos finais. O milagre esteve ao alcance, mesmo com o domínio da posse e das chances pelos celestes.
Num jogo importante, nenhuma das equipes tinha razões para poupar seus jogadores. Pelo contrário, tanto Manchester United quanto Manchester City entraram com escalações mais fortes que as vistas em seus compromissos no final de semana, pela Copa da Inglaterra. Guardiola até surpreendia, ao usar um pouco usual 3-2-4-1, com dois laterais na linha de zaga e muita qualidade no quarteto em apoio a Sergio Agüero. Durante os primeiros minutos, os Citizens pareciam prontos a resolver logo a parada.
Com o Manchester City trocando passes e empurrando os adversários contra a parede, as chances não demoraram a surgir. David de Gea segurou o placar sozinho. O goleiro faria seu primeiro milagre aos oito minutos, em cabeçada de Agüero que tinha endereço, pouco antes de desviar com o pé direito o tiro rasteiro de Riyad Mahrez. Os celestes reclamariam de um pênalti, revisado e negado pelo VAR. Já aos 16, outra defesaça de De Gea, quando Agüero mirou o ângulo e o espanhol espalmou de maneira fabulosa.
Somente depois disso é que o Manchester United começou a respirar um pouco mais, sem que a intensidade do City se mantivesse tão implacável. Apesar disso, os Red Devils encontravam muitas dificuldades para romper a marcação dos rivais. Os lances mais plásticos das equipes vinham nos desarmes, com algumas ações excepcionais de Ilkay Gündogan e Harry Maguire. E se os Citizens não aproveitavam seu volume de jogo para abrir o placar, uma bola vadia mudaria a sorte da equipe de Ole Gunnar Solskjaer aos 35 minutos.
O tão criticado (com razão) Jesse Lingard teve grande parte no gol da vitória. Foram duas canetas na beira do campo, que renderam uma cobrança de falta nas imediações da área. Fred cruzou e Gündogan até tentou afastar, mas a sobra acabou com Nemanja Matic. O volante pegou de forma brilhante na bola, mandando no cantinho, sem qualquer chance a Claudio Bravo. O City tentou responder na sequência do primeiro tempo e até balançou as redes com Raheem Sterling, mas o lance foi corretamente anulado por impedimento. Com uma mísera finalização em 45 minutos, o United seguiu ao intervalo com a inimaginável vantagem.
O Manchester City parecia afetado pela incredulidade na volta ao segundo tempo. Os celestes demoraram a pegar no tranco, com volume de jogo, mas sem chances reais. O United até ameaçou ampliar, em cabeçada de Maguire que passou por cima do travessão. De qualquer maneira, o jogo se desenvolvia do outro lado, enquanto os Citizens tentavam superar as trincheiras adversárias diante da área de De Gea.
As oportunidades se tornaram um pouco mais constantes a partir dos 15 minutos. Sterling perdeu uma chance de ouro ao demorar para finalizar, antes de fintar De Gea e mesmo assim mandar por cima do travessão. De Gea faria mais uma boa defesa em bomba de Kyle Walker, tirando de soco. E, logo na sequência, após uma bobeira de Maguire dentro da área, David Silva e Gündogan demoraram demais para definir a jogada, permitindo que o zagueiro se recuperasse. Por fim, Agüero mandaria pelo lado de fora da rede pouco depois.
A sorte do Manchester City era que a vantagem construída no primeiro jogo se tornava suficiente. E o United, longe de encaixar os contragolpes, veria sua missão se tornar mais difícil aos 31 minutos, quando Matic recebeu o segundo amarelo por uma falta no meio-campo. Os Citizens permaneciam em cima, mas nem precisavam acelerar muito. Quando Agüero balançou as redes aos 40, o lance seria anulado por mais um impedimento corretamente marcado. Os últimos espasmos do United viriam depois disso, mas sem muita organização. A equipe precisava de um gol para forçar os pênaltis, mas sentia o cansaço. Fred até buscou armar o ataque, mas os Red Devils sequer ameaçaram Claudio Bravo. O esforço não deu resultado.
O Manchester City se tornou um leão da Copa da Liga nos últimos anos. Este pode ser o quinto título do clube no torneio desde 2014, o terceiro consecutivo. Para tanto, terá que encarar um Aston Villa motivado àquilo que pode significar o retorno aos bons tempos. O Manchester United indicou um caminho possível aos Villans. A decisão em Wembley acontece em 1° de março.
Antes disso, voltando à Premier League neste final de semana, os dois mancunianos terão compromissos pesados às vésperas da pausa de inverno: o United recebe o Wolverhampton, enquanto City visita o Tottenham. A Solskjaer, pensando na luta pelo G-4, parece bem mais importante o moral da vitória desta quarta, mesmo com a eliminação na semifinal.



