InglaterraPremier League

Tripleta para Sánchez e alívio para Rooney: foi o dia dos contestados lavarem a alma

Jejuns de gols incomodam qualquer atacante, mas sobretudo aqueles sobre os quais a pressão é maior pelo status que já alcançaram em seus clubes. Alexis Sánchez e Wayne Rooney vinham carregando um pesado fardo pelos longos períodos sem balançar a rede na Premier League pelos quais passavam. Porém, ambos deram fim ao desconforto neste sábado, nas vitórias de Arsenal e Manchester United sobre Leicester e Sunderland, por 5 a 2 e 3 a 0, respectivamente. A atuação do chileno, em especial, foi para espantar de vez o fantasma de todos os jogos que passou sem fazer gols.

VEJA TAMBÉM: Tottenham conseguiu uma goleada redentora em cima dos erros do City (e dos bandeirinhas)

O Arsenal entrou em campo no Estádio King Power pressionado, após a derrota na última rodada para o Chelsea. Em termos de pressão individual, no entanto, ninguém sentia mais a necessidade de ter um bom desempenho do que Sánchez, e o chileno fez muito mais do que isso. Depois de os Gunners saírem perdendo, Walcott empatou, e Sánchez fez o da virada, aos 33 minutos, após oito jogos sem marcar gols. Seu protagonismo no triunfo, porém, não parou por aí, e o camisa 17 foi às redes mais duas vezes, dando fim ao jejum com um hat-trick. Giroud completou o placar para o Arsenal em 5 a 2, com o artilheiro da Premier League, Jamie Vardy, fazendo os dois dos donos da casa e chegando a seis na competição.

O terceiro de Sánchez no jogo:

A atuação de Sánchez ganha ainda mais relevância por causa do adversário. Até esta rodada, o Leicester era o único time invicto no Campeonato Inglês e, com 12 pontos, iniciou o fim de semana com a chance de até mesmo alcançar a liderança da Premier League. Coisa que não aconteceu, já que o primeiro revés chegou. Com o cenário favorável, foi outro o time que ultrapassou o até então líder Manchester City, e também com o fim de uma seca – muito maior.

A última vez em que Wayne Rooney havia balançado a rede na Premier League havia sido em abril, contra o Aston Villa. De lá para cá, foram 11 jogos no Inglesão, mais de 1000 minutos, e nenhuma bola na rede. E logo após completar um período tão emblemático quanto mil minutos o camisa 10 voltou a fazer o dele. O Manchester United já vencia o Sunderland por 1 a 0, com gol de Depay (o primeiro do holandês na Premier League), e Rooney foi oportunista para ampliar para 2 a 0. Martial fez ótima jogada pela direita, livrando-se dos marcadores, e cruzou forte para o inglês, de joelho, aparecer no meio da trajetória da bola e desviar para o gol.

O mais curioso de tudo é que a finalização estranha de Rooney para a rede será para sempre lembrada como o lance em que o camisa 10 igualou o recorde de gols de Denis Law. Rooney chegou a 171 com a camisa do Manchester United e agora divide a terceira colocação com o ídolo dos anos 1960 e 1970 na lista de maiores artilheiros da história do clube no Campeonato Inglês, atrás apenas de Bobby Charlton (199) e Jack Rowley (182).

Além da marca pessoal, a vitória por 3 a 0 (Mata completou o placar) foi especial para o capitão porque com ela o Manchester United assumiu a liderança da Premier League, com os mesmos 15 pontos que o Manchester City, coisa que não acontecia há 770 dias. A última vez que os Red Devils terminaram uma rodada no primeiro lugar do Inglesão foi na abertura da temporada 2013/14, após vitória por 4 a 1 sobre o Swansea, em temporada que não terminaria nada bem para o time, que ficou de fora da Champions League da campanha seguinte.

Apesar de importantes para a fase que viviam no Campeonato Inglês, os gols de Sánchez e Rooney carregam significados diferentes. O chileno ainda vive o seu auge, teve uma grande atuação e pode usar o hat-trick para retomar o nível de atuação da temporada passada. Já o inglês parece cada vez mais longe de seus melhores dias, não lembrando nem de perto o atacante que brilhou sobretudo em 2007/08. Foram muitas as vezes em que um gol ocasional de Rooney levantou a hipótese de que a partir dali as coisas seriam diferentes, mas conseguir uma sequência de boas atuações não faz parte do repertório do camisa 10 há algum tempo.

Mostrar mais

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo