Três rodadas

Poucas coisas no futebol são mais legais do que ver seu time marcar – para desempatar – no final de um jogo contra o maior rival local. Se o gol for de bicicleta e da estrela do time, então, melhor ainda. E a história ainda ganha ares românticos se a estrela do time andava meio sumida, meio estremecida com a torcida.
Tudo isso aconteceu no golaço de Wayne Rooney que desempatou o dérbi de Manchester no último sábado. Mais do que a vitória sobre o rival, entretanto, o resultado valeu para manter em quatro pontos a liderança dos Red Devils na ponta da tabela antes que comece seu “inferno astral”: embora ainda tenha até lá jogos pela FA Cup (Crawley Town) e LC (Olympique de Marseille), nas próximas rodadas da Premier League o United joga três vezes fora de casa: Wigan (respira fundo), Chelsea e Liverpool.
Enquanto isso, o Arsenal, perseguidor mais próximo e único que parece neste momento poder ameaçar os Devils, joga três em casa, contra Stoke, Birmingham e Sunderland. Como se não bastasse, a desvantagem pode virar vantagem nesta briga quando se analisa os confrontos de ambos pela LC: enquanto o United tem muito boas chances de prosseguir na competição, o Arsenal só passa por milagre – ou seja, sua dedicação às competições inglesas deve ser total no começo do mês que vem.
Assim como o Arsenal, Tottenham, Chelsea e Man City não têm jogos dos mais difíceis nas próximas rodadas – embora os Spurs joguem mais fora do que em casa, e o Chelsea, além do United, tenha pela frente um confronto direto com o City. Ou seja: a briga pelo título, hoje mais ou menos tranquila para o United, popde chegar no dia 6 de março bastante modificada – e com um novo líder.
É claro que, para isso acontecer, algumas variáveis precisam se combinar. Começando pela constância do futebol dos rivais do United. O Chelsea, que começou a temporada arrasador, tinha conseguido sua primeira sequencia de três vitórias desde 19/9 antes de ser derrotado em casa pelo Liverpool. O time recebeu dois excelentes reforços, David Luis e Fernando Torres, mas, enquanto o primeiro pode ser a solução de parte importante dos problemas, o espanhol vai precisar arrumar um lugar para jogar – e seu técnico terá que rebolar para manter Nicolas Anelka feliz ou, pelo menos, quieto.
O rival seguinte vem em outra toada. Embora tenha empatado com o Wigan em casa na última rodada, o Liverpool não perde há seis jogos, nos quais conquistou quatro vitórias. Embora tenha perdido Torres, os reds conquistaram algo muito mais importante: confiança. O time agora tem comando, reforçado pela venda do “rebelde” Torres, e se reforçou com dois jogadores de qualidade no ataque. Vencer o United, neste contexto, não vale só pela rivalidade, pode valer também preciosos pontos na luta para brigar pelas vagas européias.
O outro rival que importa é o Arsenal. De nada adiantará o United perder seis pontos contra Chelsea e Liverpool se os Gunners não conquistarem os próximos nove. Sem perder desde 13/12, é difícil imaginar os londrinos perdendo pontos em casa contra seus próximos adversários. O problema é que estamos falando de um time sobre o qual não se deve fazer previsões. Um time que abre 4 a 0 no Newcastle na casa do adversário apenas para entregar o empate e quase sofrer a virada, Um time que não tem uma liderança dentro de campo que garanta que, contra os times mais fracos, não haja em algum momento uma perda de motivação.
Apesar disso, o momento é dos Gunners. Quatro pontos à frente do Man City, que tem um jogo a mais, e com seis de vantagem sobre o Totenham – e provavelmente sobre o Chelsea –, cabe ao time de Arsène Wenger vencer as próximas três. E depois não embicar para baixo.
Depois de achar um goleiro, mas também por causa da inconstância dos rivais, há tempos o Arsenal não ficava tão perto do título. Terá, agora, que mostrar que finalmente atingiu um nível de maturidade que permita chegar ao final sem tropeços. Sem esquecer que, por enquanto, ainda é necessário torcer contra o United.



