Inglaterra

Três Bs e três Ws

Não me lembro de ter acompanhado uma briga pelo rebaixamento tão próxima quanto a da Premier League deste ano. Basta dizer que, a três rodadas do final, onze equipes, ou seja, mais da metade dos times do campeonato ainda podem cair matematicamente. Pelo menos seis delas provavelmente vão ter que correr atrás até o último minuto. E nem o lanterna West Ham pode ser rebaixado já na próxima rodada.

A nota curiosa é que o briga para não cair envolve principalmente três equipes que começam com W (Wolves e Wigan a além dos Hammers), os três últimos, e três que começam com B (Blackpool, Blackburn e Birmingham), os que vem logo a seguir.
Dos seis mais diretamente envolvidos na briga, o Birmingham, além de ser o mais bem colocado, tem situação tranquila: joga nas próximas rodadas com Newcastle e West Brom, que não brigam por mais nada, e deve garantir a permanência antes do jogo com o Tottenham em White Hart Lane.

Em termos de pontuação, o Blakburn também deveria respirar mais tranquilo: tem 38 pontos contra 35 de Blackpool e Wigan (Wolves tem 34, West Ham, 32). O problema da equipe de Steve Kean é que sua próxima partida é contra o West Ham fora. E a seguinte, contra o United.

West Ham e Blackburn, aliás, têm dois duelos diretos contra rivais para não cair. Os Rovers jogam ainda contra os Wolves na casa do adversário, enquanto os Hammers vão a Wigan. Como em toda briga direta, o lado bom é que, vencendo, soma-se pontos e impede-se o rival de somá-los. Funciona igual no sentido contrártio, entretanto.

O Blackburn deve perder para o United. Ou seja, a partida contra o West Ham é decisiva também para sua sorte. Se perder, chegará à última rodada precisando vencer um rival direto na casa do adversário. Isso, claro, imaginando que Wolves, Blackpool ou Wigan consigam colocar pressão.

Os primeiros têm, antes da última rodada, o West Brom, em forma mas desinteressado, e o Sunderland fora. O Blackpool pega duas pedreiras: Tottenham precisando da vitória para jogar a Liga Europa e, na última rodaa, United fora. No meio, Bolton em casa. E o Wigan vai a Birmingham jogar com o Aston Villa, recebe o West ham e, na última rodada, vai a Stoke. Tem, portanto, o calendário mais fácil entre as cinco equipes, além de ter a melhor forma do bolo, com dois empates e uma vitória nos últimos cinco jogos.

O West Ham deve cair, ainda que tenha jogadores melhores do que pelo menos metade dos times que estão acima de si. Wolves e Blackburn brigam entre si, e desta briga depende o futuro do Blackpool. Minha aposta? Blackpool cai, Wolves e Blackburn fazem a “final” na última rodada. E neste jogo eu não aposto.

“Time pequeno”

Entre Bs e Ws, entretanto, é impossível não mencionar um W que nem mais ameaçado está, embora, no começo de fevereiro, tenha beirado a zona da morte: o West Brom, de Roy Hodgson. No final de semana, os Baggiesn venceram o Aston Villa pela primeira vez desde 1985, e garantiram a permanência na Premier League.

Desde que Hodgson assumiu, a equipe perdeu apenas uma vez, para o Chelsea. Empatou com Arsenal e Tottenham e, vingança suprema, venceu o Liverpool. Ganhou cinco e empatou quatro. E, claro, trouxe de volta a cantilena de que existe “técnico de time grande”, e que Hodgson não é um deles.

A este que escreve isto parece uma grande bobagem. Existem treinadores com características diferentes, e, claro, existem os que conseguem domar egos e os que não conseguem. Para os últimos, quando são competentes, se o time tiver uma direção forte não há problema. Só que o Liverpool não tinha. E tinha estrelas que se achavam melhores do que são, e que se acostumaram a mandar.

Não é que Hodgson seja um revolucionário, e a descrição de seus métodos de trabalho, que envolvem uma boa atenção à forma física, mostra que o inglês prefere não ir muito além do óbvio. A simplicidade, porém, pode operar milagres, como se viu no West Brom e no Fulham, principalmente quando o treinador consegue também fazer render seus jogadores.

Hodgson, porém, deve ver agora estampada em sua testa a pecha de “treinador de time pequeno”. Enquanto isso, os rafabenítez da vida seguem ganhando dinheiro por aí.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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