Trauma? Gary Neville não treinará nenhum time por pelo menos cinco anos
A carreira de Gary Neville como treinador foi muito curta. Durou menos de quatro meses e 28 jogos, dos quais o seu Valencia ganhou dez, apenas três no Campeonato Espanhol. Sem clube desde então, o ex-lateral direito inglês está concentrado nos seus negócios: o Salford City, clube do qual é dono ao lado de outros integrantes da Turma de 1992 do Manchester United, e projetos em educação e hotelaria. Nem pensa em retomar a prancheta e assumir um novo time. Pelo menos pelos próximos cinco anos.
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“A realidade é que – você nunca pode dizer nunca -, mas eu acho pouco provável que eu retome a carreira de treinador, certamente nos próximos cinco anos”, afirmou, em entrevista ao Daily Mail. “E, depois disso, você pode dizer: ‘Bem, se você não se comprometeu com a profissão durante cinco anos, como voltaria de repente a ela?’. Então, a realidade é que eu estou me resignando a não ser treinador, a menos que em cinco anos eu acorde e diga: ‘Quer saber, eu gostaria de fazer algum trabalho local e vamos ver se acontece alguma coisa’. Mas, honestamente, neste momento, não consigo mesmo ver isso acontecendo. Estou muito mais apaixonado por outras coisas que estou fazendo e pelo Salford City do que por ser treinador”.
Gary Neville admitiu os resultados ruins no Valencia e também na seleção inglesa, da qual era auxiliar técnico, influenciaram a sua decisão. “As derrotas, o que aconteceu no Valencia, o que aconteceu na Inglaterra, têm influência. Os negócios poderiam seguir em frente e eu ainda faria parte deles, mas não tão profundamente, se eu continuasse a ser treinador”, afirma. “Estou comprometido agora. Coloquei duas ou três coisas em espera quando estava no Valencia. As pessoas dirão que eu preferi ser comentarista (trabalha na Sky Sports) a ser técnico. Não. Eu preferi meus negócios a ser técnico. A realidade é que eu adoraria ter ficado 18 meses no Valencia, mas não deu certo”.
Sua carreira como técnico foi, portanto, um fracasso? “Algumas pessoas podem dizer isso, mas eu não vejo dessa maneira. Eu vejo minha vida como uma estrada na qual há alguns obstáculos e de vez em quando você bate neles”, disse. “Alguns dizem que é uma pena. Para ser honesto, não vejo assim. Sempre teria que tomar uma decisão ao fim do verão. Meu contrato com o Valencia era de cinco meses, eu tinha cinco meses restantes com a Sky e cinco meses com a Inglaterra. E tinha todos esses negócios também”.
“Os melhores treinadores são 100% comprometidos e não têm distrações. E eu tenho muitas distrações para ser treinador. Essa é a verdade. Eu recusei quatro ou cinco trabalhos em três anos, antes do Valencia. Fui para o Valencia por causa do dono e porque tinha uma relação com ele. Não trocaria essa experiência por nada. Tive uma experiência fantástica, que não foi muito bem em termos de resultados”, acrescentou.
Ele não acha que sua desistência é necessariamente ruim para o cenário dos técnicos ingleses. “Haverá técnicos ingleses mais comprometidos com a profissão do que eu. Eddie Howe e outras pessoas que se comprometeram a vida inteira para fazer isso, todos os minutos, e são neles que deveríamos confiar. Não é uma pena que eu não esteja entre eles”, concluiu.



