Inglaterra

Por que o Tottenham está processando empresa de Jim Ratcliffe, dono do United?

Spurs pedem cerca de R$ 83 milhões ao Grupo Ineos, companhia que costumava ser parceira do clube

O Tottenham abriu processo contra a empresa Ineos, comandada por Sir Jim Ratcliffe, coproprietário do Manchester United. A oficialização da ação judicial ocorreu em 13 de junho, e nesta quinta-feira (26) foram divulgados os detalhes do caso no jornal “Telegraph”.

Ineos é uma companhia britânica que atua na indústria química e tinha parceria com os Spurs desde 2020, quando foi declarada fornecedora oficial de produtos higienizadores para mãos do clube durante a pandemia da Covid-19.

A relação se estreitou e, em 2022, ganhou um novo capítulo. A empresa e o Tottenham acertaram outro acordo, dessa vez, focado no carro Ineos Grenadier. A ideia era promover o veículo como “o 4×4 do clube” pelos cinco anos seguintes, e o contrato foi de 17,5 milhões (R$ 132,6 milhões), conforme apurou o jornal.

Detalhes do processo movido pelo Tottenham contra o Grupo Ineos

Daniel Levy, presidente do Tottenham (Foto: Icon Sport)

A Ineos manifestou o desejo de declinar do negócio no final de 2024 e desencadeou o imbróglio que culminou no processo aberto pelos Spurs neste mês de junho. O Tottenham cobra 11 milhões de libras (R$ 83,4 milhões), segundo a reportagem, por violação do acordo de cinco anos.

A alegação do clube é que a companhia não pagou a parcela anual em dezembro passado, estimada em mais de 5 milhões de libras (R$ 37,9 milhões), e um montante de cerca de 500 mil libras (R$ 3,7 milhões) referente à inflação — que deveria ter sido liquidado em agosto, de acordo com o documento.

O Tottenham alegou ter rescindido o contrato em março deste ano devido aos problemas nos pagamentos da empresa, e agora pede ao menos 5,2 milhões de libras (R$ 39,4 milhões) “por causa dos danos” de encerrar o vínculo antes do previsto.

Segundo o relatório, o contrato previa pagamentos anuais que iniciavam em 2,1 milhões de libras (R$ 15,9 milhões) e chegavam aos 4,6 milhões de libras (R$ 34,8 milhões) no quinto ano. Os Spurs afirmaram reivindicar ainda juros e “outras compensações”.

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A Ineos no mercado esportivo

A Ineos rebateu as acusações e alegou estar em confirmidade com as implicações legais. “A Ineos Automotive foi parceiro do Tottenham Hotspur desde 2022, expandindo um acordo de parceria que o Grupo Ineos tinha em vigor com o clube desde 2020”, disse um porta-voz da empresa ao jornal britânico.

Tínhamos o direito contratual de rescindir nosso contrato de parceria e, em dezembro de 2024, exercemos esse direito — complementou.

Quando a ação judicial foi oficializada, o grupo comandado por Ratcliffe afirmou, também ao periódico, que é “perfeitamente normal revisar parcerias” e que, após análise, perceberam que “a parceria não estava dando certo” para eles. O Tottenham não quis comentar o caso.

Apesar disso, o clube londrino não é o único da área esportiva a ver os acordos com a Ineos ruírem nos últimos meses.

Em abril, sob o nome de Ineos Britannia, a companhia desistiu de disputar o torneio de vela America’s Cup. Pouco antes, foram relatados desentendimentos com o velejador Ben Ainslie no que diz respeito a termos de propriedade da equipe.

Houve ainda problemas com a seleção neozelandesa de rúgbi por causa de um contrato de patrocínio. Conforme apurou o “Telegraph”, os “All Blacks” também abriram ação judicial contra a organização de Jim Ratcliffe por suposta quebra do acordo firmado até 2027.

Foto de Milena Tomaz

Milena TomazRedatora de esportes

Jornalista entusiasta de esportes. Se formou em Comunicação Social em 2019.

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