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Time britânico pode voltar no Rio-2016, mas Inglaterra precisa saber dividir o comando

O Reino Unido é oficialmente um país formado por quatro nações: Inglaterra, Escócia, Gales e Irlanda do Norte. Por essa questão técnica, nos Jogos Olímpicos só é possível competir como Reino Unido, e não como nações individuais, como é no futebol, onde cada uma tem uma federação própria, ainda que não sejam países independentes entre si. Por causa disso, o Reino Unido não disputa o campeonato de futebol dos Jogos Olímpicos. Isso até 2012, quando Londres foi o país sede e, como tal, obrigado a participar de todas as modalidades. Se criou um Time Britânico sob o comando da Football Association, FA, a federação de futebol inglesa. Galeses, escoceses e norte-irlandeses desconfiaram, mas tiveram que aceitar. Agora, a discussão volta à tona para um novo time ser formado nas Olimpíadas do Rio em 2016.

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A ideia inicial da FA era montar o time em caráter excepcional para 2012, mas mudou de ideia. A federação escreveu para os escoceses, norte-irlandeses e galeses informando a intenção de formar novamente o time e perguntando se gostariam de fazer parte. Só que isso não foi bem aceito por Gales. O presidente da Federação Galesa, Trefor Lloyd Hughes, acusou a Inglaterra de querer centralizar o comando.

“Eu estou absolutamente decepcionado com a FA inglesa – muito, muito decepcionado. Se eles queriam trabalhar conosco, eles têm que ser mais abertos conosco e eles não parecem estar mandando os acordos. Eu estou furioso com isso”, disse o dirigente. “Em relação a Olimpíada, não faz muito tempo que eles disseram que Londres-2012 era um caso isolado. Agora parece que eles decidiram por conta própria criar um time sem discutir isso conosco”, explicou o dirigente.

“Eu não acho que seremos capazes de impedir isso, mas por que Seb Coe [Sebastian Coe, presidente da Associação Olímpica Britânica] e a Associação Olímpica Britânica [BOA] foi para a Inglaterra? O BOA deveria ser mais aberto e transparente. É supostamente para ser ao Associação Olímpica Britânica, não a Associação Olímpica Inglesa”, reclamou o dirigente.

O temor dos dirigentes escoceses, galeses e norte-irlandeses é a perda de uma autonomia que estas federações possuem no futebol, mesmo não sendo oficialmente países. O país é o Reino Unido, mas o estabelecimento das federações nacionais inglesa e escocesa aconteceu antes mesmo da Fifa existir, razão principal para receberem autorização para continuarem assim mesmo com a criação de uma entidade superior, hierarquicamente, na organização do futebol.

Fica evidente que é um problema que poderia ser contornável se os ingleses abrissem mais o leque da organização. Mais do que isso, que tornassem os escoceses, galeses e norte-irlandeses de fato parte desta organização. A FA inglesa organizou o time em 2012, mas poderia convidar, por exemplo, a federação galesa para organizar o time para 2016. Na Olimpíada seguinte, a organização poderia passar para os escoceses, na seguinte para os norte-irlandeses e depois voltar aos ingleses. Um revezamento que faria mais sentido que os a Inglaterra querer organizar tudo com as demais abaixo dela.

O comportamento da FA inglesa no caso acaba justificando os temores das federações dos demais países britânicos. Um problema que, para solucionar, basta compartilhar. Não é difícil para os ingleses, ainda mais sabendo de todos os problemas históricos e políticos dentro do Reino Unido.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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