Inglaterra

The Champions

Encerramos nesta semana a retrospectiva da última temporada da Premier League – até porque já está na hora de começar a previsão da próxima! Ficou para o final a análise dos “quatro grandes”, que tiveram anos diferentes.

Enquanto os vermelhor Manchester United e Liverpool podem comemorar anos bons, nos quais dominaram o cenário, Arsenal e Chelsea acabaram apenas “salvando a temporada”.

Arsenal
Colocação final: 4º
Técnico: Arsène Wenger
Maior vitória: Blackburn 0x4 Arsenal (13/9), Arsenal 4×0 Blackburn (14/5)
Maior derrota: Arsenal 1×4 Chelsea (10/5)
Principal jogador: Robin van Persie
Decepção: Mikael Silvestre
Artilheiro: Van Persie (11 gols)
Competição continental: Liga dos Campeões (Eliminado na semifinal)
Nota da temporada: 6

De maneira inversa à do Aston Villa, o Arsenal começou a temporada 2008/09 dando adeus à briga pelo título antes mesmo de ela começar. Com cinco derrotas nos primeiros 14 jogos e um elenco em turbulência, os londrinos chegaram ao início de 2009 com a sensação de que depois de muito tempo ficariam de fora da Liga dos Campeões na próxima temporada. E, se não fosse a chegada de Andryi Arshavin e, principalmente, a queda de rendimento radical dos Villains, na temporada que se inicia agora os Gunners estariam disputando a Liga Europa.

Quase tudo deu errado para a equipe na temporada. A principal força da equipe, o meio, começou o ano modificado. Sem Flamini e Gilberto Silva, a equipe dependeu demais de Fábregas. Que, a meio caminho, se machucou e ficou quatro meses fora – assim como Rosicky, que praticamente não jogou, e ainda não voltou. Para melhorar a situação, Gallas, capitão do time, perdeu a calma, criticou seus jogadores, e só não instalou uma crise no Emirates porque o Arsenal é “zen”. Gallas perdeu a braçadeira, e o time, o rumo. 

O ano virou, Arshavin chegou, impressionou e o Arsenal acabou em quarto. Longe, entretanto, muito longe da briga de cima, embora, no final, tenha acabado também longe da briga de baixo. Um golpe na política de contratar apenas jovens valores, sem dúvida. Sem experiência dentro de campo, não adiantaram os talentos de Cesc e Walcott, entre outros. E o modelo que todos queriam copiar teve seu primeiro ano ruim de fato.

Chelsea
Colocação final: 3º
Técnico: Guus Hiddink
Maior vitória: Middlesbrough 0x5 Chelsea (18/10); Chelsea 5×0 Sunderland (1/11)
Maior derrota: Man Utd 3×0 Chelsea (11/1)
Principal jogador: Frank Lampard
Decepção: Deco
Artilheiro: Anelka (19 gols)
Competição continental: liga dos Campeões (Eliminado na semifinal)
Nota da temporada: 6

A história da saída de Luis Felipe Scolari do Chelsea ganhará, no Brasil, ares míticos, como a derrota na final da Copa de 1998. O fato é que o treinador, que assumiu o time cercado de expectativas, nunca conseguiu implantar seu estilo de trabalho em Stamford Bridge, enão deixou saudades nos Blues. O próprio sucesso de seu sucessor depõe contra o trabalho do brasileiro. Há, porém, claras diferenças entre os ambientes que ambos encontraram. 

Felipão encontrou, para começar, um Chelsea sem dinheiro. Teve que se virar com o que tinha, o que, em algumas posições, como o ataque, não era suficiente. Não conseguiu dominar em nenhum momento a “linguagem”, não só o inglês como a maneira de os ingleses encararem o futebol. E acabou arrumando o inimigo errado: Didier Drogba pode não ser o melhor atacante do mundo, mas era o que o Chelse tinha. Ao alienar o marfinense, Scolari sobrou com Anelka, e com um time dividido. Não agüentou o baque. 

É fácil comemorar o sucesso de Guus Hiddink, que de fato levantou o time, o recolocou na briga pelo título e ainda foi campeão da FA Cup. O fato, entretanto, é que ninguém ousaria peitar Hiddink naquele momento, e isso faz toda a diferença. Independente dos resultados finais, que, afinal, não foram maus, a temporada do Chelsea foi perdida. O time não produziu resultados com o que tinha, e nem começou o necessário processo de reconstrução. Continua com um elenco parecido, lotado de medalhões mimados, e que não rende mais como rendeu. O troféu e o terceiro lugar, no final, são um consolo pequeno para um ano que, assim como o do colega londrino, foi ruim.

Liverpool
Colocação final: 2º
Técnico: Rafael Benítez
Maior vitória: Liverpool 5×0 Aston Villa (22/3)
Maior derrota: Middlesbrough 2×0 Liverpool
Principal jogador: Steven Gerrard
Decepção: Robbie Keane
Artilheiro: Gerrard (16 gols)
Competição continental: Liga dos Campeões (Eliminado nas quartas)
Nota da temporada: 8

Rafael Benítez chegou a Anfield Road em 2005. Em seu primeiro ano, venceu a Liga dos Campeões, co o que garantiu o amor eterno da torcida dos Reds, e um bom período de sossego diante da conturbada direção da equipe. Naquele ano, porém, o time nem teria se classificado para a Liga dos Campeões, e, nos anos seguintes, embora tivesse se afirmado entre os “quatro grandes”, o título, que não ganha desde 1990, nunca esteve perto. 

Em 2008/09, os Reds perderam duas vezes. Dominaram os confrontos contra os outros “quatro”. E, em 14/3, humilharam os Devils em Old Trafford, e deram a sensação de que a longa espera chegara ao fim. No final, entretanto, não chegou: a equipe venceu os jogos difíceis, mas perdeu pontos fáceis. Sentiu falta de mais um “definidor de jogos” para ajudar Gerrard – que, neste ano, já teve a ajuda de Torres. Mas perseguiu o líder quase até o último momento, e superá-lo em sua própria casa não é um feito que deva ser diminuído. 

Se até a última temporada o Liverpool tinha apenas voltado a conquistar respeito dos adversários, em 2008/9 os Reds foram sérios candidatos ao título, com todos os ingredientes de um time campeão: um elenco variado e com alguns foras de série, um líder incontestável e à altura dos grandes desafios, e um treinador competente e vencedor. Se Robbie Keane tivesse sido o que se esperava que fosse ou se algumas das contratações de Rafa tivessem se saído melhor, poderia ter sido um ano de sonho. Mesmo assim, tudo indica que a temporada que passou colocou o Liverpool novamente no caminho do título inglês.

Manchester United
Colocação final: 1º
Técnico: Alex Ferguson
Maior vitória: Man Utd 5×0 Stoke (15/11); West Brom 0x5 Man Utd (27/1)
Maior derrota: Man Utd 1×4 Liverpool (14/3)
Principal jogador: Wayne Rooney
Decepção: Nani
Artilheiro: Cristiano Ronaldo (18 gols)
Competição continental: Liga dos Campeões (Derrotado na final)
Nota da temporada: 9

O ano do Manchester United na Premier League teve um “dia ruim”: 14/3, citado ali em cima, quando a equipe foi derrotada em casa pelo arqui-rival Liverpool, o que gerou algumas (poucas) rodadas de ilusão sobre uma possível briga pelo título. A equipe, porém, voltou a vencer, e, muitas rodadas antes do final do campeonato, já não havia dúvida sobre o tricampeonato. Que veio com uma equipe madura em todos os setores, que falhou muito pouco e teve força para sobrepujar ausências importantes durante todo o ano.
 

Começando por trás, o ano de Van der Sar, Ferdinand e Vidic foi impecável. Evra também esteve em ótimo nível, e o quarto improvável integrante do quarteto foi John O’Shea, que atuou bem em todos os setores da defesa, garantindo que o time não sentisse as ausências de Neville, Brown e Ferdinand. Do lado direito, o brasileiro Rafael foi titular por uma boa parte da temporada e, embora tenha perdido espaço depois da péssima atuação contra o Tottenham, mostrou talento para, aprendendo a defender, se firmar no futuro. 

O ano do United também coroou a carreira de Ryan Giggs, que, mesmo sem ser titular, foi eleito por seus pares o melhor jogador do ano na liga. Giggs, é claro, está longe de seus melhores anos, mas teve uma temporada excelente atuando pelo centro do meio-campo. E trouxe de volta o melhor futebol de Wayne Rooney, que voltou a ser o atacante insinuante e de movimentação imprevisível. O artilheiro da equipe, mais uma vez foi Cristiano Ronaldo, mas a enorme importância do português não foi tão esmagadora na temporada que passou. 

Se o título europeu não veio para marcar em pedra a atual equipe dos Red Devils, poucas na história se compararão a ela. A dominância que o United mostrou nos momentos necessários – como no 5 a 2 contra o Tottenham, depois de estar perdendo por 2 a 0 – foi suficiente para não deixar nenhuma dúvida de como se desenrolaria a temporada. 

Um ano quase que “de manual”, em que o United jogou bonito e foi eficiente. Em que muitos foram excepcionais, mas não houve um dono do time. E em que Alex Ferguson atingiu mais uma marca nunca ante atingida. Um ano para entrar para a história do Manchester United e das grandes equipes do futebol inglês e mundial.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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