Inglaterra

‘Isso dói demais’: Técnico do Tottenham é ignorado por jogadores e faz crítica após derrota

Thomas Frank vive momento conturbado com críticas e possível desavença no elenco

O Tottenham atravessa sua fase mais turbulenta desde a chegada de Thomas Frank. A derrota por 1 a 0 para o Chelsea, no sábado (1), expôs um problema alarmante em relação à criatividade do time e um elenco cada vez mais impaciente.

Depois da derrota no clássico, um clima de tensão pôde ser visto no clube. Jogadores deixaram o campo sem cumprimentar o treinador, torcedores criticando o dinamarquês e até mesmo comparações com Nuno Espírito Santo, ex-técnico dos Spurs.

Derrota para o Chelsea foi estopim de frustração no Tottenham

O desempenho contra os rivais foi tão pobre que o próprio treinador admitiu jamais ter comandado uma equipe com tão pouca produção ofensiva. Apesar do placar magro, o Chelsea dominou completamente o clássico.

O Tottenham finalizou apenas três vezes e registrou um xG (gols esperados) de 0,05, o menor desde que esse dado começou a ser medido na Premier League. Do outro lado, os Blues alcançaram 3,03, e só não golearam por causa das defesas de Guglielmo Vicario e de um erro grotesco de Jamie Gittens.

Isso dói demais. Nunca treinei um time que criasse tão pouco”, disse Frank após o jogo. A apatia irritou a torcida, que reagiu com vaias nos acréscimos ao ver Vicario trocar passes curtos com Djed Spence, em vez de lançar a bola na área. O clima azedou de vez no apito final.

Thomas Frank, técnico do Tottenham
Thomas Frank, técnico do Tottenham (Foto: Imago)

O treinador reconheceu que o Tottenham não igualou a energia e intensidade do Chelsea — algo inaceitável em um clássico londrino. O plano parecia limitado a bolas paradas, facilmente neutralizadas por Robert Sánchez. Tentativas de Pedro Porro buscando Mohammed Kudus não surtiram efeito, e Xavi Simons, substituto precoce de Lucas Bergvall após uma concussão, foi engolido pelo meio-campo adversário e acabou errando no lance do gol.

A irritação transbordou também entre os jogadores. Micky van de Ven e Spence foram direto para o vestiário sem cumprimentar o técnico, ignorando tentativas de abordagem de Frank e do auxiliar Andreas Georgson.

Uma semana antes, Van de Ven havia sido elogiado por sua liderança. Agora, a cena simbolizou uma rara demonstração pública de descontentamento dentro do elenco.

Os números preocupam: sob o comando de Frank, os Spurs já perderam três dos quatro jogos em casa e não ultrapassam um xG de 1,0 no estádio há mais de um mês.

O fantasma de Nuno e a busca por uma faísca ofensiva com Frank

Mesmo ocupando posição superior ao Chelsea na tabela, o Tottenham enfrenta comparações incômodas com a era Nuno Espírito Santo. Assim como o português, Frank chegou após sucesso com um time menor e foi encarregado de reconstruir um clube emocionalmente desgastado. O pragmatismo de seu estilo, porém, começa a incomodar uma torcida que exige espetáculo e não apenas solidez defensiva.

As semelhanças vão além do campo. Nuno foi demitido em novembro de 2021, após cinco derrotas em sete jogos, acusado de falta de identidade ofensiva. Frank agora vive dilema semelhante: precisa encontrar uma faísca criativa para evitar que sua passagem siga o mesmo roteiro.

Apesar do cenário tenso, houve sinais de vida emocional: Frank chutou uma garrafa após o gol de João Pedro, Bergvall discutiu com a equipe médica, e jogadores como Kudus e Palhinha mostraram ímpeto em divididas. O problema é que isso ainda não se traduz em futebol convincente.

Com uma sequência pesada pela frente, incluindo PSG e Monaco na Champions, além de confrontos com quatro dos seis primeiros da última Premier League —, o Tottenham encara um teste de caráter.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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