Inglaterra

Técnico suspenso por apostar em futebol na Inglaterra é alerta para o futuro no Brasil

Apostas esportivas são um enorme mercado no mundo, movimentando milhões de dólares. Um dos tópicos que mais atraem nas apostas são os esportes. Em países como o Reino Unido, apostas são regulamentadas no país e também fiscalizadas de perto. Por isso, o técnico Wally Downes, do Wimbledon, foi suspenso, depois de investigação da Football Association (FA) mostrar que ele fez oito apostas entre novembro de 2013 e julho de 2019.

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“Dada a seriedade da infração nas regulamentações da FA, o clube decidiu suspender Wally com efeito imediato, dando tempo ao clube e à diretoria do Dons Trust [donos do Wimbledon] para avaliar as alegações mais de perto e fazer mais anúncios no tempo devido”, diz um comunicado divulgado pelo Wimbledon. “A partida de sábado com o Peterborough United será dirigida por Glyn Hodges e a comissão técnica”.

Downes se tornou técnico do Wimbledon, que está em uma má situação na League One, terceira divisão da Inglaterra. Segundo a FA, o técnico, que tem 58 anos, tem até o dia 4 de outubro para responder e justificar as acusações de violação das regras.

A FA tem regras duras contra apostas, que valem para todos os profissionais envolvidos no futebol: jogadores, técnicos, árbitros e funcionários de clubes e oficiais das partidas. É proibido apostar, direta ou indiretamente, em qualquer partida de futebol ou competição que aconteça em qualquer lugar do mundo.

Isso significa uma proibição de apostas também em qualquer coisa relacionada a futebol, como transferência de jogadores, o emprego de treinadores, convocação de jogadores para seleções e etc. Além disso, também é passível de punição transmitir qualquer tipo de informação interna para pessoas com fins de apostas. E isso implica punição mesmo que a informação tenha sido passada sem que a pessoa soubesse que fosse ser usada para apostas.

Regulamentação no Brasil

O Brasil está prestes a regulamentar o mercado de apostas. Segundo o jornal O Globo, o governo federal já tem a minuta do decreto que irá regulamentar as apostas esportivas no Brasil. O governo fez uma consulta pública em agosto, onde apostadores, sites de apostas e entidades esportivas puderam participar. No prazo de 30 dias, 1.849 sugestões foram enviadas.

“Queremos seguir as melhores práticas, buscando não repetir os erros que são documentados na literatura. A gente quer cometer erros novos”, afirmou Alexandre Manoel Angelo da Silva, secretário nacional de Avaliação de Políticas Públicas, Planejamento, Energia e Loteria do Ministério da Economia. Segundo ele, há uma proposta para o mercado que será apresentada em nova consulta pública, em que as pessoas poderão opinar, nos mesmos moldes da anterior – sejam apostadores, casas de apostas, entidades sociais ou interessados em geral.

Segundo Angelo da Silva, o regime que o governo considera adequado é o de autorização, que empresas que cumpram determinadas regras estarão habilitadas para atuar. O outro modelo é o de concessão, no qual o governo estabelece um prazo e um número de empresas que podem explorar o setor.

É uma iniciativa que parece interessante para o país, com aumento de arrecadação com impostos desse setor. Além disso, abre a possibilidade do governo fiscalizar e tentar impedir problemas que venham das apostas esportivas, como risco de vício e problemas decorrentes disso. Este é o grande problema e é onde o governo precisa ter mais atenção.

Um dos pontos de preocupação é o controle dentro do esporte, para impedir manipulação de resultados. Criar uma regulamentação dura para jogadores, técnicos e todas as pessoas envolvidas com futebol é importante. Só que não só a regulamentação, claro: é preciso criar mecanismos de fiscalização para impedir que casos de manipulação aconteçam.

Há uma preocupação sobre criminalização de atividade ilegal de loteria ou apostas, algo que não acontece hoje e que passará a ser importante com a regulamentação da atividade. Só que mais do que isso, será preciso criar uma rede de proteção social também e que o governo precisará se preparar para isso.

Há um déficit grande em termos de atendimento psicológico no Brasil e um dos pontos de atenção quando se fala em apostas esportivas é que é preciso políticas preventivas contra vício em apostas. É muito comum termos pessoas viciadas em jogos – como acontecia, por exemplo, com corridas de cavalos.

É preciso ter uma política firme para atendimento para essas pessoas, de preferência fazendo com que as casas de apostas sejam firmemente reguladas para exibirem informações sobre possibilidade de vício, incluir ferramentas de controles no site e também formas de encaminhar atendimento psicológico em casos mais sérios.

A regulamentação tem tudo para trazer grandes benefícios ao país, mas é se preocupar com todo o impacto, não apenas o econômico inicial. O impacto social é perigoso e é preciso monitorar para que ele não seja um problema para a vida das pessoas que, em um segundo momento, podem causar um impacto econômico negativo – já que as pessoas acabam perdendo dinheiro, capacidade produtiva e a saúde, especialmente mental.

Tudo isso precisa de bastante atenção de todas as partes envolvidas para que se crie um ambiente saudável e seguro, tanto para o esporte quanto para a atividade econômica em si.

 

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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