Tablóide FC

Não, o escândalo envolvendo Wayne Rooney e uma prostituta não causou estragos à seleção inglesa. A Inglaterra derrotou a Suíça na casa do adversário por 3 a 1, Rooney marcou o primeiro gol da partida e, assim como já havia sido contra a Bulgária, mostrou mais uma vez que é o dono do time.
Horas antes da primeiras partida, os tablóides matutinos trouxeram a história do romance do atacante com uma prostituta no período em que Colleen, sua esposa, estava grávida. Segundo os diários, companheiros de time de Rooney disseram que o jogador não conseguiu se concentrar durante a Copa por temer que a história pudesse vazar a qualquer momento.
Concentração, porém, é o que não faltou ao craque. Na sexta-feira, Rooney participou de todos os quatro gols da partida. Nesta terça, entretanto, e já sob a plena influência das revelações, é que importa mais o que aconteceu, e o que aconteceu foi um gol a dez minutos de jogo, e mais uma partida excelente.
Com as duas vitórias, a equipe se iguala a seu início de campanha para a Copa de 2010. Assim como naquela ocasião, aliás, não enfrentará adversários mais complicados do que o que teve nesta última partida. A muralha suiça, entretanto, pode ter acabado para sempre na Copa do Mundo, e talvez valha a pena esperar os próximos jogos para dosar o entusiasmo da comemoração.
Resultados à parte, o que se comemora na Inglaterra, além do retorno do futebol de Rooney, é que algumas das questões sem resposta do futebol nacional nos últimos anos parecem perto de ser solucionadas. A começar, é claro, pelo gol. Joe Hart, que foi à África fazer turismo, foi o titular do gol inglês, nos dois jogos, e mostrou a segurança que a camisa 1 do English Team não via desde… Peter Shilton?
À frente de Hart, a zaga desfalcada viu Jagileka se afirmando como primeiro da fila depois de Terry e Ferdinand. E viu também o ressurgimento de Lescott, titular contra a Suíça. Se Glen Johnson nunca será decente na defesa, o lado bom é que a Inglaterra tem hoje dois dos melhores laterais ofensivos do mundo.
Outra questão que teve boas respostas foi a dos lados do campo. Com Walcott, Millner e Adam Johnson, jogadores que demonstram consistência há tempo suficiente para não se imaginar que daqui a pouco pararão de jogar bem, a equipe não precisa pensar mais nisso. Assim como não deveria pensar mais no miolo do meio-campo, onde qualquer formação que não seja Gerrard e Barry deveria ser proibida pelo parlamento – estou falando com você, Frank Lampard: senta no banco e espera sua vez.
Por fim, na frente, o cara que vai jogar ao lado de Rooney tem nome, e se chama Jermaine Defoe. Os três gols diante da Bulgária somados à excelente forma no clube inevitavelmente tranferiram a dúvida para o banco: como jogar com dois atacantes pequenos, o que é inevitável, e ter no banco atacantes grandes?
Claro que, assim como no começo da campanha para a Copa da África, tudo pode ruir do dia para a noite. A zaga inglesa continua sem ser testada, e, ainda que possa ter sido boa a imagem deixada por Jagielka, ele não jogou contra ninguém. Ferdinand e Terry continuam decadentes, e a influência do zagueiro do Chelsea ainda pode detonar tudo.
Mesmo no que se refere a Wayne Rooney é bom esperar. O jogador ainda não recebeu o cartão vermelho doméstico que espera receber. Consta que após o nascimento de seu filho o jogador teria sossegado, e mesmo o tal romance teria acabado. O que faz com que o provável rompimento deva ter efeitos pesados sobre o ainda jovem craque.
Mudaram as manchetes, mudaram as personagens, mas tudo parece muito próximo do que era há dois anos. Algumas perguntas com cara de que serão respondidas, alguns nomes querendo se afirmar, e o fora-de-campo rondando. O que anima é um fato incontestável: Fabio Capello é vitorioso demais para cometer os mesmos erros. O que não parece valer para alguns de seus jogadores.



