United fatura mais, mas não espere muitos reforços
O último relatório financeiro do Manchester United mostrou bons números e um aumento recorde na receita. Mas o torcedor pode tirar esse sorrisinho do rosto. Pelo histórico da gestão Glazer, é difícil imaginar grandes estrelas sendo contratadas. A preocupação principal da atual administração dos Red Devils é claramente pagar as dívidas – contraídas, em sua maior parte, justamente na aquisição do clube pela família norte-americana. Ainda assim, há pontos positivos para os torcedores do United comemorarem nesses números. A liderança da equipe de Manchester nas finanças pode ser explicada por seus bons acordos comerciais, categoria em que supera, com sobras, os rivais ingleses.
O United teve um aumento de receitas de 13% em relação ao balanço passado, chegando a 363 milhões de libras. Os acordos comerciais feitos pelo clube no período, incluindo venda de produtos oficiais e negócios com empresas de mídia e de telefonia celular, já representavam maior parcela na renda geral do clube. Isso também acontece com Manchester City e Liverpool, mas os Red Devils conseguiram internacionalizar seus acordos comerciais.
Os recentes acertos com o Commercial Bank of Qatar e o Emirates NBD Bank exemplificam bem essa constatação. Além disso, o fato de esse tipo de origem de receita representar, atualmente, 42% dos rendimentos totais coloca o time de Manchester em situação confortável em relação a outros grandes clubes ingleses. Isso porque, mesmo com os cada vez mais lucrativos acordos de televisão da Premier League, o clube acaba não se tornando dependente deste tipo de receita, diferentemente de Chelsea e Tottenham (que, segundo o relatório da Deloitte, têm 43% de suas receitas vindo da TV).
A conquista do Manchester United só não é completa porque esses milhões não devem ser aplicados no elenco. Mesmo com menos receita que o time dos Glazers, Blues e Spurs gastaram bastante no fortalecimento de seus elencos nesta última janela de transferências. Enquanto isso, os norte-americanos ainda têm de lidar com a dívida que eles próprios criaram ao comprar o clube mancuniano. Das 525 milhões de libras, 389 milhões ainda precisam ser pagas.
Por isso, os Red Devils continuam dependendo do projeto criado por Alex Ferguson e agora tocado por David Moyes. O time que mais fatura na Inglaterra ainda formará seus elencos em cima de desenvolvimento e garimpagem de jogadores.



