Inglaterra

Sol Campbell quer tanto um emprego de treinador que aceita trabalhar de graça (no começo)

Sol Campbell tem ideias e tem ambição. Quer ser treinador de futebol profissional. Estudou para isso. Tem a principal licença da Uefa, requisito para treinar na elite das grandes ligas. Tem a experiência de ter sido um grande jogador: bicampeão inglês com o Arsenal, mais de 500 partidas de Premier League, 73 com a seleção nacional. E, ainda assim, não recebe convite nem para uma entrevista.

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Faz cinco anos que Campbell parou de jogar e se prepara para a nova carreira. Nesse período, sua única experiência foi como um dos assistentes de Dennis Lawrence na seleção de Trinidad e Tobago. O ex-jogador de 42 anos já visitou treinamentos na Sampdoria, no Milan e foi aos EUA observar o trabalho do ex-companheiro Patrick Vieira à frente do New York City. Está buscando desenvolver suas habilidades nas línguas italiana, espanhola, portuguesa e francesa para aumentar o escopo de oportunidades.

E, mesmo assim, nada de emprego, o que deixa Campbell maluco, a ponto de ele afirmar ao Guardian que aceitaria trabalhar até mesmo em um clube non-league (da quinta divisão para baixo, a maioria semi-amadora), sem receber salário no começo do projeto.

“Está difícil e, se eu tiver que começar lá de baixo, começarei. As pessoas acham que eu quero apenas treinar na Premier League, mas estou preparado para ir a um clube non-league e, se eles não puderem me pagar um salário, podem me pagar apenas um bônus de vitória. Eu aceito. Não aceitarei durante quatro ou cinco anos, mas, definitivamente, no primeiro ano, desde que seja um clube com ambição. Eu quero muito começar. Eu só preciso de uma chance, mesmo apenas uma entrevista em que eu posso dizer: ‘Me leve de graça e eu vou mostrar o que posso fazer'”, disse.

O que mais deixa Campbell incomodado é que nem mesmo sentar com presidentes e donos para poder expor as suas ideias de futebol – “como o Arsenal de antigamente: muito defensivo, mas brilhante no contra-ataque” – ele está conseguindo. “Eu conversei com alguns agentes para ajudar a espalhar que eu estou disponível, mas, até agora, só houve abordagens”, disse. “Se eu não for impressionante na entrevista, tudo bem, mas pelo menos me dê a chance. É tudo o que eu quero: conversar com um presidente ou dono sobre minha filosofia e o que eu posso fazer pelo time. Sou um vencedor. Adoro construir. Tenho grandes ideias. Tenho a paixão”.

Em 2013, Campbell afirmou que provavelmente teria que treinar fora da Inglaterra por causa do pequeno número de técnicos negros no país e essa situação apenas piorou. Na época, eram quatro técnicos de minorias entre os 92 clubes profissionais ingleses. Hoje em dia, há apenas dois: Chris Hughton, no Brighton & Hove Albion e Keith Curle, no Carlisle United.

“Cheguei a um ponto em que eu não quer continuar tocando a mesma nota. Eu sou um homem de ação e quero simplesmente agir. Vou quebrar qualquer atitude, preconceito e estereótipos que colocarem na minha frente. Mas a única maneira em que eu posso quebrá-los é conseguindo um emprego e, se eu tiver que começar de baixo, vou começar e trabalhar até chegar lá em cima. Dinheiro não é um problema”, encerrou.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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