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Sobrou vontade em um bom jogo, mas o empate não traz calma para United e Chelsea

Manchester United e Chelsea fizeram um dos jogos mais importantes do ano nesta segunda. Não necessariamente de 2015, mas já projetando 2016. A pressão segue gigantesca para os dois lados: os Red Devils vivem a incerteza sobre o futuro de Louis van Gaal, enquanto os Blues contam com a recuperação no início do trabalho de Guus Hiddink. Sabendo do peso da ocasião, os dois times demonstraram muita intensidade e muita vontade – às vezes, de maneira exagerada, abusando das faltas. No entanto, o resultado não agradou ninguém. Os milagres dos goleiros, as traves ou os gols desperdiçados: não dá para dizer o que foi mais determinante no empate por 0 a 0, que teve leve superioridade do United, embora o Chelsea também tenha criado chances para sair com a vitória.

A tônica do jogaço se escancarou logo no primeiro minuto. Juan Mata soltou a bomba da entrada da área e carimbou o travessão de Thibaut Courtois. Demonstrava a sede do Manchester United desde os primeiros minutos, com uma agressividade no ataque que faltou em muitos dos últimos jogos. Com os meio-campistas também avançando às proximidades da área adversária, o time de Louis van Gaal dominava a posse de bola e as chances de gol. Anthony Martial era o principal destaque do time e também carimbou o poste aos 16 minutos. Porém, o Chelsea também teve a sua grande oportunidade. A cabeçada de John Terry esbarrou em defesa milagrosa de David De Gea pouco antes.

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Sólido na defesa, o Chelsea aguardava por sua chance nos contra-ataques ou nas bolas paradas. Porém, a pressão do United gerou momentos de rispidez nos 15 minutos finais do primeiro tempo. Os dois times passaram a cometer entradas duras, evidenciando a tensão que existia ao redor da partida. Nada que tenha ajudado algum dos dois lados.

Já o segundo tempo foi bem mais aberto. Outra vez, De Gea evitou que o Chelsea abrisse vantagem. O goleiro operou mais duas grandes defesas, em chutes na sequência de Pedro e Azpilicueta. Embora, do outro lado, Courtois também tenha sido beatificado por alguns torcedores dos Blues. Ander Herrera recebeu livre na área e chutou de primeira, com o gol aberto, mas o arqueiro conseguiu se recuperar a tempo de salvar a bola em cima da linha.

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Sem as suas principais opções no ataque, o Chelsea confiava na velocidade na transição. O problema é que a falta de qualidade nas conclusões atrapalhou. Nemanja Matic foi o jogador da equipe que mais finalizou, e teve a melhor chance em um contragolpe. Mas, com o caminho livro, isolou diante de De Gea. Enquanto isso, a má fase era o que pesava contra Rooney. Principal referência ofensiva dos Red Devils, o camisa 10 também perdeu dois bons lances. Um pouco mais cansado, o time da casa perdeu sua dominância. Precisou se contentar com o empate, um pouco mais satisfatório ao Chelsea.

O placar zerado, de qualquer forma, apenas amplia a sequência ruim de ambas as equipes. O Chelsea faz a sua pior campanha desde 1993/94, somente três pontos acima da zona de rebaixamento. Já o Manchester United acumula oito partidas sem vencer, a sua pior sequência desde fevereiro de 1990. Em sexto na tabela, os Red Devils já estão a quatro pontos da zona de classificação à Champions e veem vários times em seu encalço. Para sua sorte, o equilíbrio nesta temporada tem evitado uma queda ainda maior.

Agora, os dois times entram em 2016 incertos sobre o seu futuro. Guus Hiddink chega com ares renovados a Stamford Bridge, mas não terá tanta calma assim para desenvolver o seu trabalho de recuperação. Já o Manchester United não sabe nem mesmo o que esperar. Por enquanto, a diretoria banca Van Gaal, mas nada o garante no cargo até o fim da temporada – nem mesmo o seu gênio intempestivo, após as declarações de que ele mesmo poderia pedir demissão, embora tenha refutado esta possibilidade após o jogo. O empate desta segunda, apesar da atuação interessante de seu time, não lhe dá mais tempo. Contudo, ao menos não acelera ainda mais os ponteiros para o holandês.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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