Saída de Guardiola: Quem ganha e quem perde com a chegada de Maresca ao City
Despedida histórica de treinador espanhol promete chacoalhar a Premier League na próxima temporada
Pep Guardiola está prestes a encerrar uma carreira extraordinária no Etihad Stadium, deixando o Manchester City como um dos maiores treinadores da história da Premier League. Enzo Maresca é apontado como o principal candidato para substituí-lo, e herda uma tarefa de enorme dificuldade.
O italiano conquistou dois títulos durante sua passagem pelo Chelsea, mas seria compreensível se parte da torcida do City demonstrasse ceticismo. A saída de Guardiola e a chegada de Maresca, no entanto, não afetarão apenas o futuro do clube: terão impacto direto em todo o panorama da Premier League.
Vencedor: a Premier League
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Seria injusto criticar o Manchester City ou Guardiola por vencer num ritmo tão implacável, eles merecem imenso crédito pelo sucesso sem precedentes que construíram juntos. Ainda assim, a saída do treinador da Inglaterra deverá inaugurar uma nova era na Premier League, com novos times disputando mais frequentemente o topo da tabela.
Guardiola comanda o City desde 2016/17 e conquistou seis dos dez títulos disponíveis nesse período, deixando de vencer apenas os dois últimos. Os únicos times a superar o espanhol desde 2017/18 foram o Liverpool em duas ocasiões e o Arsenal uma vez, os Gunners selando o título desta temporada após o empate do City com o Bournemouth na terça-feira.
Maresca pode se provar taticamente inteligente, mas ninguém deveria esperar que ele repita com o Manchester City o mesmo nível de sucesso de Guardiola.
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Vencedor: Pep Guardiola
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Guardiola deixará o City como um dos maiores técnicos que o futebol inglês já viu, e é seguro dizer que ele silenciou seus críticos. Quando chegou à Inglaterra, muitos analistas questionavam se seu famoso estilo de jogo expansivo se traduziria bem após as passagens pelo Bayern de Munique e pelo Barcelona.
Essas dúvidas cresceram depois que ele só foi capaz de guiar o clube ao terceiro lugar, atrás de Tottenham e Chelsea, mas respondeu com 100 pontos na temporada seguinte. Esse recorde da divisão provavelmente permanecerá intacto por muito tempo, assim como a sequência de quatro títulos consecutivos entre 2020/21 e 2023/24.
Vale destacar que Guardiola também vai embora antes que eventuais sanções possam ser aplicadas ao City pelas alegadas violações das regras financeiras da Premier League, o que talvez o preserve de qualquer dano à reputação.
Vencedor: Manchester United
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Maresca pode superar todas as expectativas, mas quase certamente não desfrutará do mesmo nível de sucesso de seu predecessor, e isso pode representar uma oportunidade para o Manchester United escapar da sombra do vizinho.
Após a aposentadoria de Sir Alex Ferguson em 2013, os Red Devils ficaram observando os Citizens conquistarem taça após taça, quebrando muitos dos recordes do escocês no caminho. Com o Arsenal sagrado campeão da Premier League em 2025/26, Michael Carrick e o proprietário Sir Jim Ratcliffe devem acreditar na capacidade do clube de promover uma transformação profunda na sua trajetória.
O City provavelmente continuará tendo recursos abundantes para se manter competitivo, mas haverá uma sensação de vulnerabilidade no Etihad sem Guardiola à frente do projeto. Maresca pode vencer títulos e ajudar o clube a voltar ao topo, mas o sucesso com o italiano está longe de ser garantido, e clubes como o Manchester United precisam se colocar em posição de aproveitar essa janela.
Perdedor: Enzo Maresca
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Pode parecer estranho dizer que garantir um dos empregos mais cobiçados do país pode ser visto de forma negativa, mas Maresca enfrentará a dura consequência de suceder um gigante. Independentemente do que fizer no Etihad, o treinador de 46 anos será comparado incessantemente a Guardiola ao longo de todo o seu mandato.
Há ainda a perspectiva de lidar com as consequências das eventuais sanções: enquanto Guardiola estará em outro lugar, será Maresca quem terá de administrar os impactos esportivos e financeiros de qualquer punição. Os Citizens ainda não foram considerados culpados de qualquer irregularidade, mas enquanto as acusações não forem resolvidas, as 115 acusações permanecerão como uma nuvem negra sobre o reinado do italiano.
Perdedor: os torcedores do Manchester City
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A saída de Guardiola marcará o fim de uma era no Etihad para uma torcida que testemunhou uma transformação extraordinária desde a chegada da atual gestão em 2008.
Roberto Mancini e Manuel Pellegrini também conquistaram títulos pelo clube, mas cada um deles venceu apenas um Campeonato Inglês, sem conseguir estabelecer uma era de dominância. A chegada de Guardiola coincidiu com um futebol emocionante como nunca se havia visto antes na Premier League e, mesmo sem ganhar todos os troféus disponíveis, o City construiu uma verdadeira dinastia.
O clube foi frequentemente criticado por não conseguir trazer a glória europeia, mas o título da Champions League em 2022/23 finalmente cimentou seu lugar definitivo nos livros de história. Nenhuma sanção ou punição será capaz de apagar as memórias de torcedores que viram seu clube disputando a segunda divisão ainda em 2001/02, e que depois o acompanharam no mais alto patamar do futebol nacional e europeu.
Perdedor: o futebol inglês
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Talvez o maior legado de Guardiola tenha sido seu impacto positivo no futebol inglês, com clubes por todo o país adotando estilos de jogo mais atrativos em sua influência.
Claro, houve erros virais cometidos por zagueiros de divisões inferiores ao tentar sair jogando, mas treinadores, times e jogadores merecem reconhecimento por buscar evolução tática.
Antes da chegada do catalão, o futebol inglês era criticado por ficar atrás dos seus concorrentes europeus, algo que supostamente prejudicava as perspectivas da seleção.
A influência de Guardiola chegou ao futebol de base, e a ascensão de jovens craques ingleses alimentou esperanças de que o país possa voltar a dominar o cenário mundial. A seleção inglesa, comandada por Thomas Tuchel, é apontada como uma das favoritas para a Copa do Mundo, e não há razão para crer que os ingleses deixarão de brigar por títulos, dada a imensa geração de talentos que emerge atualmente no país.