Sadio Mané incendiou o Liverpool, que saiu da draga com grande vitória sobre o Tottenham

O Liverpool vive um início de ano claudicante. Desde que a folhinha virou em Anfield, uma maré de futebol pouco convincente baixou sobre os Reds. Até este sábado, a equipe só vencera um de seus primeiros nove jogos em 2017, e ainda pela Copa da Inglaterra. Depois de cinco rodadas em jejum na Premier League, enfim, o time de Jürgen Klopp se reencontrou com as vitórias. E de maneira bastante contundente, se impondo em casa diante do Tottenham por 2 a 0. Grande atuação com nome e sobrenome: Sadio Mané. O senegalês marcou os dois gols da equipe, não fez mais porque parou em Lloris e contou com a rara segurança defensiva de seus companheiros para que o sentimento de alívio imperasse no clube. Justo ele, que no início da temporada teve a chance de parar em White Hart Lane, mas foi barrado pela alta pedida salarial.
Por aquilo que jogou no primeiro tempo, sobretudo, o Liverpool lembrou o time que começou a temporada voando. Klopp contou com as suas principais armas ofensivas e a sede de vitória era imensa. Pior, o Tottenham pecou muito mais do que de costume na defesa, desfalcada por Jan Vertonghen e Danny Rose. Acesos durante os primeiros minutos, os Reds começaram arriscando e não perdoaram os erros consecutivos, de maneira instantânea. Aos 16, a bola perdida na intermediária permitiu que Georginio Wijnaldum desse belíssimo passe para Mané, tocando na saída de Hugo Lloris. Depois, o senegalês fez de tudo. Desarmou, puxou o contra-ataque, passou a bola. E, depois de duas defesas do goleiro adversário, estava no lugar certo para soltar o pé no rebote e ampliar.
Os gols atordoaram o Tottenham. Sadio Mané teve outras duas chances claríssimas para completar o seu hat-trick na sequência, mas foi negado por outras duas ótimas defesas de Lloris. O Liverpool tinha boa movimentação no setor ofensivo. Mesmo não aparecendo tão bem quanto em outras oportunidades, Roberto Firmino e Philippe Coutinho contribuíam para a intensidade dos anfitriões. Do outro lado, os londrinos até tentaram sair um pouco mais ao ataque no final da primeira etapa, mas não encontravam muitos espaços. Faltava penetração. E, quando a equipe conseguiu concluir com perigo, parou em boa defesa de Simon Mignolet.
No segundo tempo, o ritmo do jogo caiu. Ciente de suas deficiências nas últimas semanas, o Liverpool adotou uma postura muito mais cautelosa. Criou poucas oportunidades no ataque, mas, em compensação, conseguiu anular as principais virtudes do Tottenham. O talento individual dos Spurs não preponderava, com Dele Alli e Harry Kane anulados. Quando o artilheiro conseguiu encontrar uma brecha, acertou a trave, em lance ainda anulado por impedimento. A falta de controle dos visitantes se expressava pelo excesso de cartões nos minutos finais. Aos poucos, Klopp foi fechando a casinha, protegendo a defesa. Por fim, aproveitou a última substituição para que Sadio Mané saísse ovacionado.
A ausência de Mané durante a Copa Africana de Nações foi sentida. Ainda assim, sua importância ao time não ficou expressa de maneira imediata a partir do retorno, fazendo pouco no empate com o Chelsea e na derrota para o Hull City. Desta vez, todavia, ninguém questionou o protagonismo do senegalês. Sem dúvida alguma, seu talento desequilibrou para a vitória, com a ajuda de outros que apareceram bem, como Wijnaldum e Lucas Leiva. Além do mais, não fosse Lloris, o show do camisa 19 teria sido maior.
O resultado traz enorme emoção à zona de classificação à Liga dos Campeões. A diferença entre o segundo e o sexto colocado é de apenas dois pontos. O Tottenham permanece na vice-liderança, mas podendo ser ultrapassado pelo Manchester City na segunda-feira. Já o Liverpool retoma provisoriamente o quarto lugar, um ponto atrás dos Spurs, em recuperação importante para não se distanciar do pelotão. A reação do time em um duelo tão pesado vale demais aos Reds, especialmente para o moral. E para salientar a qualidade de Mané, um jogador colocado em xeque durante a sua chegada, mas que responde com atuações avassaladoras. Falta à equipe agora deixar de desperdiçar tantos pontos em jogos teoricamente mais fáceis, o que explica um pouco dos deslizes na competição.



