RVP se reafirma como ‘o cara’, mas United não pode ser só ele
A nova temporada do Manchester United começou como a última tinha terminado: com Robin van Persie estrelando mais uma vitória da equipe. O artilheiro garantiu a conquista da Supercopa da Inglaterra neste domingo, marcando ambos os gols na vitória por 2 a 0 sobre o Wigan. Um desempenho que anima a torcida em relação ao seu craque, mas que também coloca alguns pontos de discussão.
Van Persie reafirma o seu status como um dos principais craques da Premier League na atualidade. O primeiro tento saiu em um lance de pura inteligência, no qual o camisa 20 iniciou a jogada e finalizou com uma cabeçada de precisão imensa. Já o segundo foi ocasionado pela sorte, em um chute da entrada da área que desviou na defesa. Mais do que isso, foi um dos mais ativos no time, buscando o jogo e ajudando na construção.
Não à toa, o Manchester United aposta suas fichas para que Van Persie seja “o cara” do time. A decisão tomada por Sir Alex Ferguson na temporada passada é mantida por David Moyes, especialmente diante do desprestígio de Wayne Rooney e da novela pela transferência do camisa 10. E, no momento, ninguém no elenco dos Red Devils parece capaz de ameaçar esse protagonismo do holandês – Shinji Kagawa talvez tenha potencial, mas segue deixado de lado.
O problema de confiar tanto em Van Persie, no entanto, é algo que o United já experimentou na temporada passada: a total dependência de seu craque. Se a fase é excelente e RVP marca gols aos montes, sem crise. Foi sob a inspiração do holandês que o clube conquistou muito de seus pontos no título da Premier League 2012/13. Quando ele não apareceu, porém, os Red Devils sofreram seu principal revés, eliminados na Liga dos Campeões.
Fergie saiu, mas o jogo não mudou
O jogo contra o Wigan foi apenas um teste inicial e contra um adversário que não serve muito de parâmetro. De qualquer forma, a atuação do United não foi lá das mais animadoras. Moyes não realizou nenhuma mudança na forma de jogar do time em relação ao que se via com Ferguson. Tom Cleverley teve uma boa atuação cadenciando o meio-campo, assim como Wilfried Zaha não sentiu a estreia oficial e Patrice Evra se apresentou bastante ao jogo. Mas faltaram alternativas ofensivas que não fossem com Van Persie. Contando os lances de gol, foram apenas três oportunidades reais para marcar.
Sem ser desafiada, a defesa segurou bem as pontas, embora tenha passado certo sufoco no final do primeiro tempo, único momento em que o Wigan ameaçou algo. Um alívio diante dos maus resultados do clube na pré-temporada. Tudo bem que os amistosos não são tão importantes, mas vencer apenas um dos cinco disputados, quando se faz uma turnê pela Ásia, é suficiente para deixar alguma desconfiança.
Pela forma como conquistou a última Premier League, o Manchester United larga como franco favorito ao bicampeonato. Contudo, precisa ter consciência de que nem sempre o time foi brilhante – e, na maioria absoluta das vezes em que foi, o brilho era somente de Van Persie. Com o Manchester City trazendo mais reforços de peso e o Chelsea comandado de volta por José Mourinho, os concorrentes à taça parecem mais duros. Um desafio a mais para David Moyes, como se já não bastasse o fato de já ter que substituir Sir Alex Ferguson e toda sua aura em Old Trafford.



