Rooney: “United precisa contratar alguns jogadores e se desfazer de outros para voltar à Champions League”
A Copa da Inglaterra reservou para sua fase de oitavas de final um reencontro especial. Pouco menos de três anos depois de deixar o Manchester United, Wayne Rooney, hoje no Derby County, da segunda divisão inglesa, irá enfrentar o clube pelo qual se tornou uma lenda. Naturalmente, pela ocasião, conversou com a imprensa e falou bastante sobre o atual momento dos Red Devils. E, para ele, a palavra de ordem na reconstrução precisa ser paciência – mas com reforços.
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Aos 34 anos, se prepara para virar treinador e concilia suas funções de homem da armação em campo com as de auxiliar técnico de Phillip Cocu. Em entrevista ao jornal inglês Guardian, o ex-jogador da seleção inglesa relembrou seus tempos de United, incluindo uma curiosa anedota com seu antigo técnico Alex Ferguson, analisou os desafios que seu ex-clube enfrenta para retomar o lugar de destaque no futebol doméstico e continental e comentou também sobre sua curiosa fase de transição rumo ao ofício de treinador.
Como é natural a uma relação tão longa – de 14 anos no caso –, Rooney aponta que teve altos e baixos “enormes” no United. Amou o período que passou, afinal representou parte significativa de sua trajetória no futebol, e revelou um arrependimento.
“Quando você fica em um lugar por tanto tempo e relembra isso, seus velhos companheiros e a comissão, essa foi a principal parte da minha carreira. Foi divertido e algo para o qual olharei com grandes memórias. Obviamente, teve aquela época em que quase deixei o clube, algo de que me arrependo. Houve baixos, mas eles certamente foram superados pelos altos”, observa.
Com seus próprios planos de um dia se tornar treinador, Rooney não poderia ter passado tanto tempo exposto a uma figura melhor do que Alex Ferguson. E, do escocês, talvez o traço que mais deverá influenciar o jogador em sua futura carreira é como o técnico administrava as relações com seus comandados.
“Sua gestão de elenco é a melhor que já vi. Sempre lembro, eu, uma criança, discutindo em todos os intervalos de jogo com ele, constantemente. Lembro de pensar: ‘Por que ele segue pegando no meu pé? Tem jogadores que foram muito piores do que eu’. Mas, conforme você envelhece, você percebe por que ele está fazendo isso. Ele pegava no meu pé por driblar, algo que eu raramente… bom, eu driblava um pouco mais naquela época. Mas com (jogadores como) o Nani, isso talvez só desencadearia algo na cabeça dele, fazendo-o pensar: ‘Talvez eu não devesse driblar tanto’. Se ele (Ferguson) falasse com o Nani do jeito que falava comigo, ele cairia em lágrimas. Ele (Nani) não conseguiria voltar para o campo.”
Ao longo de seus 13 anos no United, Rooney pôde viver os dois extremos vividos pelo clube em sua história recente. Foi parte integral do sucesso estrondoso do time nos anos 2000, mas sua queda técnica coincidiu também com o descarrilamento do clube após a saída de Ferguson do comando técnico. Hoje, vendo de fora, o veterano acredita que restam ainda alguns anos para que o clube volte a brigar no pelotão de cima com maior constância,
“O importante para eles é tentar chegar à Champions League neste ano. Está bem acirrado no momento. Acho que ajudaria muito se eles conseguissem isso, mas vai levar tempo. Irá levar mais dois ou três anos, acredito. Os torcedores do Manchester United precisam ser um pouco pacientes com o que está acontecendo e precisam deixar esses jogadores tentarem se provar.”
A solução, no entanto, requer alguns passos, e para Rooney isso envolve necessariamente transferências, em ambas as direções. “Eles precisam contratar alguns jogadores e se desfazer de outros também. Então, dentro de dois ou três anos, eles estarão disputando (a Liga dos Campeões) novamente. Nas últimas semanas, eles têm melhorado. Será legal vê-los trazendo dois ou três jogadores no verão e tentando dar o próximo passo”, projetou.
Independentemente dos nomes novos e das saídas, o jogador do Derby ressalta novamente a paciência para se construir uma equipe vencedora, apontando para os trabalhos de Klopp e Guardiola nos rivais Liverpool e City como exemplo de que “não se compra um time vencedor, se constrói”.
“Eles tentaram isso com o Van Gaal, com o Mourinho. Se você olha para o Liverpool e o que eles fizeram, o Manchester City também, você não vai comprar um time para competir com eles. Você vê no Liverpool, eles construíram aquela equipe. O Guardiola gradativamente trouxe mais jogadores e também seu estilo de jogo, então o United precisa ser paciente e tentar construir um time capaz de enfrentar esses dois.”
Já no plano individual de sua carreira, os próximos passos parecem mais claros do que os necessários a seu ex-clube. Encaminhando-se para o fim de sua carreira como jogador, Rooney integra a comissão técnica do Derby em paralelo, absorvendo conhecimento, e fica feliz de ver outros nomes de sua geração se enveredando pelo mesmo caminho.
“Não posso jogar para sempre, por isso preciso pensar no meu futuro depois dos meus dias de jogador. Adoro o esporte, quero continuar nele, então estou nesse momento e quero aprender o máximo que puder. Acho que é uma pena quando você vê grandes jogadores se afastando e não tendo realmente uma chance de tentar ser treinador. Nos últimos anos, tem sido ótimo ver Frank (Lampard), Steven (Gerrard), JT (John Terry), Scott Parker, todos esses meus ex-companheiros de equipe se envolvendo”, comemorou.
Maior artilheiro da história do Manchester United, com 253 gols em 559 jogos, Rooney enfrentará sua ex-equipe nesta quinta-feira (5), às 16h45 (horário de Brasília), em jogo válido pelas oitavas de final da Copa da Inglaterra.



